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ANTES DE LER

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E-books Evanglicos


      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      


Claudionor de Andrade








Geografia
Bblica
















Todos os Direitos Reservados. Copyright (c) 1987 para a lngua portuguesa da Casa Publicadora das Assemblias de Deus.








220.91     Andrade, Claudionor Corra de, 1955 -
Alg             Geografia Bblica. Rio de Janeiro . / CPAD, 1987.
                  
                  1. Bblia - Geografia, Civilizao e Descrio. I. Ttulo.
CDD - 220.91










Casa Publicadora das Assemblias de Deus
Caixa Postal 331
20001, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

10.000/1987

2 Edio/1993 
3 dio/1994





ndice

Prefcio
Apresentao
Dedicatria
Introduo

Primeira parte
A cosmogonia hebraica

Segunda Parte
Os Imprios humanos e a supremacia divina
Imprio Egpcio
Assria
Babilnia
O Imprio Persa
O Imprio Grego
O Imprio Romano

Terceira Parte
Israel, palmilhando a Terra Santa
O solo sagrado por excelncia
Plancies da Terra Santa
Vales da Terra Santa
Planaltos da Terra Santa
Montes da Terra Santa
Desertos da Terra Santa
Hidrografia da Terra Santa
Clima da Terra Santa

Quarta parte
Geografia Econmica da Terra Santa

Quinta parte
Geografia Humana da Terra Santa

Sexta parte
Geografia Poltica da Terra Santa

Stima Parte
Jerusalm - A Capital Indivisvel e Eterna de Israel 197
Cidades e Estradas da Terra Santa



Prefcio

      Sinto-me duplamente honrado em prefaciar Geografia Bblica, de Claudionor Corra de Andrade. Primeiro, pela modalidade de escritor que ele . Dedicado, seleciona 
com esmero o material utilizado em suas pesquisas para a elaborao de uma obra literria. Honesto, no se deixa dominar pelo impulso de apenas escrever, mas, de 
apresentar o melhor para o conhecimento de seus leitores. Em segundo lugar, pelo privilgio de estar diante de um compndio que enfoca a Terra Santa, a Ptria terrena 
de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
      Dividida em sete partes, esta geografia bblica apresenta a cosmogonia, ou seja, o sistema hipottico da formao do Universo, atravs dos registros bblicos. 
Relaciona os fatos interessantes decorridos nos imprios egpcio, assrio, babilnico, persa, grego e romano. Palmilha Israel, e mostra o solo sagrado por excelncia, 
as plancies, os vales, os planaltos, os montes, os desertos, a hidrografia, o clima, a flora, a fauna e os minrios. Retrata a famlia hebraica, seus costumes e 
suas leis. Por ltimo, penetra em Jerusalm, a capital indivisvel e eterna do Estado Judeu, e nas cidades da antiga Palestina, como Jerico, Belm, Hebrom, Jope, 
Nazar, Cafarnaum, Samaria e Decpolis (as dez cidades), alm de percorrer as principais estradas como as da costa, do centro e leste do Pas.
      Tenho a absoluta certeza de que todos quantos usufrurem das informaes contidas neste livro, dar-se-o por satisfeitos.
      
      Mardnio Nogueira, pr.
      Chefe da Diviso de Livros da CPAD
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
    Apresentao
      
      Eu amo a Terra de Israel. Gostaria de conhec-la. Talvez, algum dia, possa visitar a terra que mana leite e mel, e palmilhar os caminhos dos profetas, juzes, 
reis, sbios e apstolos hebreus. Israel exerce um poder muito grande sobre a minha alma; interiormente, sinto-me um israelita. Por esse motivo, choro as dores do 
povo judaico e no consigo compreender o diablico sentimento de anti-semitismo responsvel pelo Holocausto.
      Hoje, infelizmente, no poucos pseudo-intelectuais e polticos inescrupulosos tentam amainar os horrores do holocausto, que se constituiu na maior tragdia 
do povo eleito. Essa brbara matana de seis milhes de homens, mulheres e crianas pela Alemanha de Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial,  considerada um mal 
necessrio e uma conseqncia inevitvel da luta pela sobrevivncia, por alguns pseudo-intelectuais e polticos inescrupulosos.
      Sobre essa perigosssima retrica, discorre o pastor Martin Hiemoeller, pouco antes de ser sacrificado nos idos de 1940, na Alemanha: "Primeiro, eles vieram 
buscar os comunistas. No falei nada, pois no era comunista. Depois, vieram buscar os judeus. Nada falei, pois no era judeu. Em seguida, foi a vez dos operrios, 
membros dos sindicatos. Continuei em silncio, pois no era sindicalizado. Mais tarde, levaram os catlicos e nem uma palavra pronunciei, pois sou protestante. Agora, 
eles vieram me buscar, quando isso aconteceu no havia ningum para falar." Trs anos aps ser escrita a mais trgica da histria judaica, ou melhor, da histria 
da prpria humanidade, Israel renasce. No dia 14 de maio de 1948,  lida a declarao de independncia da nova e milenar nao.  justamente sobre a geografia dessa 
maravilhosa terra que falamos neste livro. Caminhemos, pois, nesse solo sagrado.
      
      Em Cristo,
      Claudionor Corra de Andrade
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    Dedicatria
      
      Dedico este livro, com muito amor e carinho, aos meus pais: Vitria Corra Quintella e Claudionor Pinheiro de Andrade. Eles ensinaram-me a trilhar o caminho 
da verdade e a me encontrar com o Senhor Jesus Cristo. Aos meus queridos pais dedico todas as vitrias que tenho alcanado em nome de Jesus. Sei muito bem que eles 
continuam a orar por mim, para que eu vena novos desafios e transponha outras montanhas.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
    Introduo
      
      Sumrio: I - O que  a Geografia? II - A Geografia atravs da Histria. III - A estruturao cientfica da Geografia.  IV - A Geografia Bblica e a sua importncia.
      
      A Histria situa o drama humano no tempo. Pelas asas da cronologia, leva-nos a acompanhar os passos de nossos ancestrais at os nossos dias. Possumos, porm, 
uma exigente concepo espacial. Curiosos, de quando em quando, indagamos: "Onde, exatamente, deu-se tal fato?" A Historiografia, por ser documental e limitar-se 
s crnicas, no pode responder-nos tais questes com preciso.
      Recorremos, ento,  Geografia.
      Situando-nos nos palcos da tragdia humana, d-nos uma idia mais ampla e mais clara do nosso passado. Atravs dessa cincia, trilhamos os caminhos de nossos 
pais e demarcamos os raios de ao de nossos filhos.
      Mas, qual a afinidade entre a Histria e a Geografia?
      Afrnio Peixoto responde: "A Geografia ser assim a cincia do presente, explicada pelo passado; a Histria, a cincia do passado, que explica o presente. 
"
      Conscientes dos reclamos temporais e espaciais do estudioso das Sagradas Escrituras, escrevemos esta obra. Unindo a Histria  Geografia, possibilitamos ao 
leitor localizar os fatos no tempo e no espao, desde os primeiros representantes da raa humana at os apstolos de Cristo.
      Faremos uma fascinante viagem da Mesopotmia  Europa. Percorreremos os caminhos antigos, para compreendermos por que a nossa f  to atual. A Bblia fornecer-nos- 
o roteiro. s informaes geogrficas contidas nas Sagradas Escrituras so exatas e reconstituem, com fidelidade e riqueza de detalhes, a topografia e as divises 
polticas da antigidade. O Estado de Israel, a propsito, com base em informaes bblicas, redescobriu vrias minas exploradas pelo rei Salomo que, hoje, continuam 
a produzir divisas  essa jovem nao.
      Entretanto, vejamos como se desenvolveu essa cincia chamada Geografia. Comecemos por defini-la.
      
      I - O QUE  A GEOGRAFIA?
      Segundo a etimologia da palavra, "geo" terra; "graphein" descrever, a Geografia limitou-se, de fato, durante sculos, a descrever a Terra. Entretanto, a partir 
do Sculo XIX, assumiu um carter cientfico. No mais limitou-se  descrio; passou, tambm, a explicar os fatos.
      No entanto, as definies variam de autor para autor.
      Para o alemo Alfred Hettner, Geografia  o ramo de estudos da diferenciao regional da superfcie da Terra e das causas dessa diferenciao.
      Richard Hartshorne declara ser o objetivo da Geografia "proporcionar a descrio e a interpretao, de maneira precisa, ordenada e racional, do carter varivel 
da superfcie da Terra".
      Ambas as definies, porm, "carecem de consenso sobre o que se entende por superfcie da Terra". A Enciclopdia Mirador Internacional pondera: "Tomar como 
tal apenas a face exterior da camada slida e lquida, iluminada pela luz do Sol, eqivale a suprimir do campo de interesse geogrfico as minas e a atmosfera. Nesta 
ocorrem os fenmenos meteorolgicos e se configuram os tipos climticos de profunda influncia na vida de todos os seres e, particularmente, na atividade humana.
      
      II - A GEOGRAFIA ATRAVS DA HISTRIA
      1.1      Na Antigidade
      Os conhecimentos geogrficos dos egpcios limitavam-se ao Nordeste da frica,  sia Ocidental e  Assria. Os fencios e gregos foram mais longe. Estimulados 
por intensas transaes comerciais, vasculharam o mar Mediterrneo. Afoitos e aventureiros por natureza, fundaram Cartago, em 800 a.C, transpuseram o estreito de 
Gibraltar e chegaram s ilhas britnicas. Eles, afirmam alguns estudiosos, aportaram, inclusive, nas costas brasileiras, onde deixaram inscries em vrios monolitos.
      Mais comedidos, os gregos limitaram-se  regio do Mediterrneo. Fundaram diversas cidades, entre as quais Masslia (atual Marselha). Alexandre Magno foi quem 
alargou os conhecimentos geogrficos dos helenos, em virtude de suas rpidas, fulminantes e dilatadas conquistas. Saindo da Macednia, na Europa Oriental, ele alcanou 
a ndia, no Extremo Oriente.
      Renomados pensadores gregos dedicaram-se ao estudo da Geografia: Pteas, Herdoto, Hipcrates, Anaximandro, Tales, Eratstenes e Aristteles. Concebiam os 
oceanos unidos em uma s massa lquida e os continentes em uma s massa de terra. O primeiro conceito seria corroborado por navegadores europeus dos sculos XV e 
XVI.
      1.2  - Em Roma
      Pragmticos, os romanos no se limitaram ao mundo conhecido pelos gregos. Foram alm. Em virtude de suas vastssimas conquistas, alargaram, sobremaneira, os 
conhecimentos geogrficos de ento. Seus generais, durante as guerras expansionistas, elaboraram minuciosos relatrios acerca das novas possesses romanas. Jlio 
Csar, por exemplo, escreveu "Comentrios sobre a guerra contra os gauleses", obra riqussima em informaes geogrficas.
      Polbio e Estrabo deixaram importantes tratados geogrficos. Os trabalhos de Estrabo, alis, so to abalizados que foi chamado o pai da Geografia. Sem os 
seus apontamentos, os gegrafos posteriores encontrariam enormes dificuldades para elaborar descries mais acuradas da Terra.
      1.3  - Na Idade Mdia
      A Geografia no progrediu na Europa durante a Idade Mdia. Detentor do monoplio cultural, o clero s transmitia ao povo as informaes que, segundo seu critrio, 
estivessem de conformidade com os textos sagrados e com as tradies catlicas. Apesar das Cruzadas  Terra Santa, no houve progresso sensvel nas informaes geogrficas.
      Muitos conceitos bblicos foram deturpados nessa -poca pela "Santa" S. Os padres ensinavam ser a Terra plana, em uma despropositada aluso  mesa do Tabern-culo. 
Afirmavam, tambm, ser o Sol o centro do Universo, ao interpretar, erroneamente, uma passagem do livro de Josu.
      Censurados, os escritos de Marco Polo em nada contriburam para o desenvolvimento da Geografia. Os povos pagos, entretanto, livres dos tentculos de Roma, 
apresentaram notveis progressos nessa cincia, notadamente os vquingues.
      Com o islamismo, os conhecimentos geogrficos foram dilatados. Os rabes chegaram  China, embrenharam-se na Rssia e dominaram a frica. Ibn Haw'qal deixou 
importante obra, contendo preciosas descries das terras conquistadas pelos maometanos. A Geografia, para o Isl,  uma cincia agradvel a Deus, por facilitar 
a peregrinao dos fiis a Meca.
      1.4  - Tempos Modernos
      Com as descobertas de novos continentes, Portugal e Espanha deram inestimvel contribuio  Geografia. 0 capitalismo mercantilista do Sculo XV, XVI e XVII, 
levou ambos esses povos ibricos s mais remotas regies do Globo. O descobrimento do Novo Mundo marcou, de forma definitiva, o fim de uma era de obscurantismo. 
Finalmente, o homem redescobria uma verdade elementar dita no Sculo VIII a.C. pelo profeta Isaas: a Terra  esfrica. Galileu. enfim, tinha razo.
      A partir dos feitos de Colombo. Vasco da (lama e Cabral, comearam a ser produzidas, com mais regularidade, obras geogrficas especializadas. 0 jovem alemo 
Varenius. notvel pela sua genialidade, escreveu dois tratados: Geografia generalis e Geografia specialis. O segundo trabalho, alis, no pde ser completado, por 
causa da morte prematura do autor.
      Kant empreendeu vrios estudos geogrficos, objetivando conhecer empiricamente o mundo.
      
      III - A ESTRUTURAO CIENTFICA DA GEOGRAFIA
      Deve-se a dois sbios alemes, a estruturao da Geografia como cincia. Ambos viveram na mesma poca . durante algumas dcadas, em Berlim. Alexander von 
Humboldt (1769-1859) e Carl Kitter (1779-1859). Influenciados por Varenius e Kant, traaram novos mtodos e rumos para a Geografia.
      Eles no objetivavam contrariar os postulados de seus antecessores. Aps seus estudos, porm, tornou-se possvel, por exemplo, fazer a correlao dos fenmenos 
caractersticos de uma regio. A Geografia deixou de ser um mero acervo de dissertaes e descries  disposio de militares e administradores, para tornar-se 
uma cincia madura e dinmica. Hoje. alis, lanamos mo de seus mtodos, inclusive, para confirmarmos a veracidade e a exatido das informaes bblicas.
      
      IV - A GEOGRAFIA BBLICA E A SUA IMPORTNCIA
      Farte da Geografia Geral, a Geografia Bblica tem por objetivo o conhecimento das diferentes reas da Terra relacionadas com as Sagradas Escrituras. Descrevendo 
e delimitando os relatos sagrados, d-lhes mais consistncia e autenticidade e auxilia-nos na interpretao e compreenso dos fatos bblicos.
      A Geografia Bblica, definida por Mackee Adams como o "painel bblico em que o Reino de Deus teve o seu incio e onde experimentou seus triunfos".  indispensvel 
a todos os estudiosos da Bblia.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Primeira Parte
      
    A cosmogonia hebraica
      
      Sumrio: Introduo. I - A matria original. II - A esfericidade da Terra. III - Heliocentrismo ou geocentrismo? IV - O Supremo Comandante do Universo.
      
      INTRODUO
      Apesar de no ser um livro cientfico, a Bblia no emite nenhum conceito errneo acerca da formao do Universo. Sua doutrina cosmognica tem sido corroborada 
por cientistas das mais diferentes especialidades.
      Podemos confiar sem reservas nas Sagradas Escrituras.
      Por causa das absurdas interpretaes do catolicismo romano, a Bblia sofreu impiedosas investidas de muitos "sbios segundo o mundo". Tacharam-na de retrgrada 
e aliengena. Iluministas e renascentistas, dando excessiva nfase  razo, consideraram-na um livro anacrnico.
      O Livro dos livros, entretanto, continua atual, mostrando, em todas as pocas, sua contemporaneidade, seus conceitos, imbatveis, sua cosmogonia lgica e plausvel.
      
      I - A MATRIA ORIGINAL
      Existiu, realmente, o que os gregos denominaram de matria original? Caso tenha existido, como podemos identific-la? Como a Bblia se posiciona a respeito?
      Vejamos, em primeiro lugar, como os helenos encaravam a questo da matria original.
      Anaximandro, pertencente  Escola Jnica, defende que o mundo teve origem a partir de uma substncia indefinida: o "apeiron" em grego, sem fim.
      Para Tales de Mileto, era a gua o elemento do qual todos os demais so originrios. Ele foi levado a posicionar-se, dessa forma, explica Aristteles, depois 
de observar a presena da gua em todas as coisas.
      Anaxmenes de Mileto afirma ser o ar o princpio de tudo. At o fogo, argumenta, depende do ar. O que dizer da gua em estado gasoso? Tivssemos, entretanto, 
oportunidade de question-lo, perguntar-lhe-amos: "Qual a origem do ar?" Ser que ele poderia responder-nos? No basta asseverar ser este ou aquele elemento a matriz 
da ordem csmica. Interessa-nos saber, acima de tudo, como surgiu o Universo.
      Acreditava Herclito estarem todas as coisas em constante devenir. Tudo corre, tudo flui, ensinava. Se o Cosmo transmuta-se sem parar, para onde caminhamos? 
Se a ordem fsica altera-se indefinidamente, em um futuro prximo seremos precipitados em um imensurvel abismo. A teoria heraclitiana em vo tenta explicar-nos 
o surgimento do mundo.
      Cria Empdocles serem quatro os elementos originais: ar, gua, terra e fogo. Mais tarde, essa tese seria esposada por Aristteles e, por mais de vinte sculos, 
foi tida como dogmtica. Plato no a aceitava: Diz ele: "Os quatro elementos parecem contar um mito, cada um o seu, como faramos s crianas".
      Anaxgoras declara o seu credo. O Universo  formado por diminutas partculas. Para o pensador de Clazomena. elas podem estar em estado inanimado ou no. Aristteles 
denominou-as de hemeomerias. A semelhana dos outros sbios gregos, deixou-nos na ignorncia. 20
      Leucipo, principal representante da Escola Atomstica, aperfeioada por Demcrito, apregoa serem todas as coisas, inclusive a alma, compostas por corpsculos, 
invisveis a olho nu. Esses corpsculos so conhecidos como tomos.
      Alguns pensadores gregos, todavia, aproximaram-se timidamente do criacionismo bblico.
      Pitgoras de Samos, em seu cego devotamento pela matemtica, aponta Deus como a Cirande Unidade e o Nmero Perfeito. Dele, aduz, nasceram os mundos e o homem.
      Fundador da Escola Eletica, Xenfanes mostra-se monotesta. No hesita em desprezar a mitologia helena, por crer que o Universo  obra de Deus, do nico Deus.
      O que diz a Bblia acerca da matria original?
      O autor da Epstola aos Hebreus escreve: "Pela f entendemos que foi o Universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visvel veio a existir das coisas 
que no aparecem" (Hb 11.23).
      Pela f, apenas pela f. Ousaria algum fazer semelhante afirmao? -nos impossvel, por causa de nossas limitaes, entender como Deus criou o Cosmo do nada. 
Os escritores sagrados descartam, radicalmente, a existncia de uma matria original. Para eles, todas as coisas foram criadas, simplesmente, pela palavra de Deus.
      No h explicao mais plausvel e convincente!
      No Arepago, Paulo mostra-se convicto ante os filsofos epicureus e esticos: "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe..." (At 17.24). Homem de f, 
assevera aos exigentes helenos que, do nada, do no-ser, o Todo-poderoso fez os cus e a Terra.
      Os gregos, durante sculos, receberam de seus sbios as mais desencontradas e absurdas idias acerca do aparecimento do Universo. O apstolo, contudo, rejeita-as 
e expe-lhes as mais cristalinas verdades concernentes  gnese do Universo.
       muito importante ao homem saber sua origem e a de seu habitai. Mostremos, pois, aos que jazem em trevas ser Deus o Criador do Universo. Mostremos, acima 
de tudo, ser Deus rico em misericrdia e que, no obstante seu imenso poder, est pronto a receber-nos por intermdio de -Jesus!
      
      II - A ESFERICIDADE DA TERRA
      Alguns sbios egpcios acreditavam estar a Terra suspensa sobre cinco colunas. Outros admitiam haver sido o nosso mundo chocado de um descomunal ovo csmico. 
Os mais desvairados diziam estar a linda esfera azul librando-se no infinito com um magnfico par de asas.
      Moiss, embora fosse educado em toda a cincia do Egito, jamais transportou para seus escritos quaisquer resqucios da mitologia e da cosmogonia egpcias. 
Inspirado pelo Esprito Santo, revela-nos a verdadeira gnese dos cus e da Terra.
      Os gregos, no obstante seu esprito inquiridor e apego ao saber, s descobririam as verdades reveladas aos santos do Antigo Testamento concernentes  esfericidade 
e ao movimento da Terra, sculos mais tarde.
      Cognominado de o "pai da cincia", Tales de Mileto, que viveu um sculo aps Isaas, desconhecia a forma da Terra. Ele a imaginava com o formato de um pires.
      Anaxgoras, contemporneo de Tales, ensinava ter o nosso habitat forma cilndrica e que se mantinha centrado no espao, em virtude da presso atmosfrica.
      Insupervel em seus conhecimentos, Pitgoras, depois da Bblia, foi o primeiro a declarar ser a Terra uma esfera em constante movimento. Seus postulados s 
seriam ultrapassados por Coprnico, que nasceria quase dois milnios aps sua morte.
      Aproximando-se da moderna astronomia, Aristarco conclui, no Sculo III a.C, ser a Terra muito menor do que o Sol. Descobriu, tambm, estar o nosso planeta 
movendo-se em redor do astro-rei.
      A forma da Terra , realmente, esfrica?
      Responde-nos a Bblia, por intermdio do profeta Isaas: "Ele |Deus|  o que est assentado sobre o globo da Terra, cujos moradores so para ele como gafanhotos: 
ele  o que estende os cus como tenda para neles habitar..." (Is 40.22.) Essa verdade foi dita no Sculo VIII a.C e continua atual. No pode ser contestada!
      
      III - HELIOCENTRISMO OU GEOCENTRISMO?
      Ensinadas, principalmente por Ptolomeu, as teorias geocntricas eram a base do ensino astronmico medieval. Todos (com raras excees) criam ser a Terra o 
centro do Universo. Em torno dela, giravam os demais planetas e o prprio Sol. A Igreja Romana tinha o geocentrismo como dogma. Ai de quem ousasse pensar de outra 
maneira! Sofreria todos os rigores do "Santo" Ofcio e da insana e bestial "Santa" Inquisio.
      Nicolau Coprnico (1473-1583), entretanto, instigado pelos ares renascentistas da cultura greco-romana, volta-se s idias de Pitgoras, Herclites do Ponto 
e Aristarco de Samos. Inconformado com as complicaes do geocentrismo, admite a hiptese heliocntrica, segundo a qual  o Sol, e no a Terra, o centro do Universo.
      Formado em Medicina, Matemtica, Leis e Astronomia, afirma Coprnico, esse padre ilustre, em seu famoso tratado De Revolutiones Orbium: "No me envergonho 
de sustentar que tudo que est debaixo da Lua, inclusive a prpria Terra, descreve, com outros planetas, uma grande rbita em redor do Sol, que  o centro do mundo 
... E sustento que  mais fcil admitir o que acabo de afirmar, do que deixar o esprito perturbado por uma quantidade quase infinita de crculos, coisa a que so 
forados aqueles que retm a Terra fixa no centro do mundo."
      A teoria do renomado polons, confirmada pela cincia, foi uma das principais causas da crise cientfico-religiosa iniciada no Sculo XVI. A Igreja Romana 
ops-se ferozmente ao posicionamento coperniano. A obra do in-signe cnego foi condenada pela Santa S e includa no Index. At mesmo o progressista Lutero, referindo-se 
ao grande astrnomo, teria afirmado: "O imbecil queria conturbar toda a cincia astronmica".
      Caberia a Galileu (1564-1633), todavia, o desferimen-to de um contundente golpe nesssa crena da teologia tradicional. Em sua obra intitulada Dialoghi sopra 
idue Massa-ni Sistemi dei Mondo Tolomaico e Coperniano, que se tornou clebre rapidamente, execra, com energia, os ultrapassados conceitos astronmicos existentes 
at Coprnico.
      Acusado de heresia pela fantica e reticente Igreja Romana, o grande fsico, j com 70 anos, foi obrigado a comparecer ante o Tribunal da Inquisio, em Roma. 
Para salvar sua vida, teve de ajoelhar-se ante seus inimigos, admitir seus "erros" e renegar suas descobertas.
      Galileu, no entanto, no cria em um conflito entre a cincia e a Bblia. Diz ele: "A Santa Escritura no pode jamais mentir, desde que, todavia, penetre-se 
seu verdadeiro sentido, o qual - no creio possvel neg-lo - est muitas vezes escondido e muito diferente do que parece indicar a simples significao das palavras".
      Em conseqncia das absurdas posies da "Santa" S quanto  evoluo cientfica, conforme j dissemos, iluministas e renascentistas voltam-se contra a Bblia, 
considerando-a incompatvel com a razo e o bom-senso. A Palavra de Deus, contudo,  inerrante, absolutamente inerrante. Nunca cometeu um disparate sequer.
      A Bblia, a propsito, jamais afirmou ser a Terra o centro do Universo. Os incrus, no obstante, apresentam o relato de -Josu como prova da falibilidade 
bblica. Esquecem-se, porm, de que o autor sagrado, ao registrar o fato, f-lo em linguagem comum, por desconhecer a nomenclatura cientifica. Era ele, afinal de 
contas, militar e no cientista.
      Levemos em conta, tambm, as circunstncias. O grande general hebreu encontrava-se em renhida batalha. Acossado pelos inimigos e tendo de agir depressa, no 
poderia perder tempo a escolher palavras, apenas para satisfazer os tolos que. sob quaisquer pretextos, tentam desprestigiar a Bblia.
      Consideremos que, ainda hoje, aps trs milnios da memorvel batalha de -Josu, mesmo os cientistas no conseguem desvencilharem-se da linguagem comum e, 
naturalmente, dizem: "O Sol est nascendo" ou "O Sol est se pondo". Apesar de no ser exato, esse corriqueiro modo de falar no  errado por causa da aparncia.
      O grande astrnomo Kepler, ao fazer a apologia das palavras usadas para descrever o prodgio do sucessor de Moiss, afirmou: "Ns dizemos com o povo: os planetas 
param, voltam ... o Sol nasce e pe-se, sobe para o meio do cu, etc. Falamos com o povo e exprimimos o que parece passar-se diante dos nossos olhos, posto que nada 
de tudo. isso seja verdadeiro. Entretanto, todos os astrnomos esto nisso de acordo. Devemos tanto menos exigir da Escritura sobre este ponto, quanto  certo que 
ela, se abandonasse a linguagem ordinria para tomar a da cincia e falar em termos obscuros, que no seriam compreendidos por aqueles a quem ela quer instruir, 
confundiria os fiis simples e no conseguiria o fim sublime a que se prope".
      Abrao de Almeida, em seu livro Deus, a Bblia e o Universo, reafirma a inerrncia das Sagradas Escrituras: "...a orao de Josu, segundo o sentido original, 
pode traduzir-se por 'Sol, cala-te', ou 'aquieta-te'. E os cientistas informam-nos que a luz  vocal, ou seja, o Sol, ao enviar suas irradiaes sobre este mundo, 
provoca um som musical pelas rpidas vibraes das ondas do ter. Esta msica, contudo, no pode ser ouvida pelos nossos ouvidos. Admite-se, tambm, que a ao do 
Sol sobre a Terra  a causa de sua evoluo em torno do seu prprio eixo. Assim, as palavras de Josu demonstrariam uma tremenda exatido cientfica, e a Terra teria 
diminudo a velocidade de seu movimento de rotao, em virtude de um temporrio enfraquecimento da ao do Sol sobre ela. O grande Newton demonstrou quo rapidamente 
a velocidade da Terra poderia ser diminuda sem choque aprecivel para seus habitantes".
      
      IV - O SUPREMO COMANDANTE DO UNIVERSO
      O Universo funciona com uma perfeio assustadora. Milnio aps milnio, astros e estrelas descrevem suas rbitas com absoluta exatido. Essa maravilha leva-nos 
a concluir: H um Deus no Cu, a comandar e a preservar o Cosmo.
      O grande fsico ingls, sir Isaac Newton, escreve: "Esse Ser governa todas as coisas, no como a alma do mundo, mas como o Senhor de tudo; e, por causa de 
seu domnio, costuma-se cham-lo de Senhor, Pantocrtor, ou Soberano Universal, pois Deus  uma palavra relativa e tem uma referncia a servidores; e Deidade  o 
domnio de Deus, no sobre seu prprio corpo, como imaginam aqueles que supem que Deus  a alma do mundo, mas sobre os serventes."
      Os gregos, entretanto, acreditavam estar a soberania do Universo dividida entre vrios deuses, sendo Zeus o principal deles. Como estavam errados! O apstolo 
Paulo, todavia, ao visitar Atenas, afirmou-lhes: "...sendo [Deus| Senhor do cu e da terra ..." (At 17.24b). Em outras palavras, disse-lhes o grande campeo do Evangelho: 
"H um s Deus que sobre todos domina, porque tudo dele provm".
      Joo Calvino compreendeu perfeitamente o universal senhorio de Deus: "...que no solamente habiendo creado una vez el mundo, lo sustenta con su inmensa potncia, 
lo rige con su sabiduria, lo conserva con su bondad, y sobre todo cuida de regir el gnero humano com justicia y equidad, lo suporta con misericrdia, lo defiende 
com su amparo..."
      Quanto a ns, falveis seres humanos, devemos dirigir-nos a Deus: "...teu  o reino, o poder e a glria, para sempre. Amm."
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Segunda Parte
      
    Os Imprios humanos e a supremacia divina
      
      Desde a fundao do mundo, os imprios continuam a ascender e a cair. A supremacia divina, porm, continua indelvel, imarcescivel. Frova-nos isso estar Deus 
no supremo comando da Histria. De acordo com a sua soberana vontade, vo os filhos dos homens escrevendo suas crnicas.
      Depois de exaltar-se e desafiar os cus, confessa Nabucodonozor. poderoso rei de Babilnia: "Agora, pois, eu, Nabucodonozor, louvo, e exalo e glorifico ao 
rei do cu; porque todas as suas obras so verdades; e os seus caminhos juzo, e pode humilhar aos que andam na soberba" (Dn 4.37).
      Veremos, a seguir, como os grandes imprios da antigidade e mencionados na Bblia ascenderam e caram. Tanto em sua ascenso, como em sua queda, no nos ser 
difcil vislumbrar a potente mo de Deus. Rapidamente, portanto, acompanharemos o nascimento, o apogeu e a queda destes imprios: Egito, Assria, Babilnia, Prsia, 
(ircia e Roma.
      Logo aps, na terceira parte desta obra, comearemos a caminhar sobre a Terra Santa, onde desenrolou-se a maravilhosa histria da salvao.
      
      
    Imprio Egpcio
      
      Sumrio: Introduo. I - Histria do Egito. II -Geografia do Egito. III - A grandeza do Egito. IV - O Egito e os filhos de Israel.
      
      INTRODUO
      O Egito representa uma das mais antigas civilizaes humanas. Sua histria  quase to antiga como o prprio homem. Julgam alguns historiadores, por isso, 
ter sido o Vale do Nilo o bero da humanidade. Mas, por intermdio das Sagradas Escrituras, sabemos ser a Mesopotamia o primeiro lar de nossos mais remotos ancestrais.
      Napoleo Bonaparte, em sua campanha pelo Oriente Mdio, ficou extasiado com a antigidade da civilizao egpcia. Ao contemplar as colossais pirmides, exclamou 
aos seus homens: "Soldados, do alto dessas pirmides, quarenta sculos vos contemplam". A grandiosidade do Egito exerce um grande atrativo sobre o nosso esprito. 
Como no admirar as monumentais conquistas dos forja-dores da civilizao egpcia?
      A presena do Egito nas Escrituras Sagradas  muito forte. Por esse motivo, precisamos conhecer melhor a histria e a geografia desse lendrio e misterioso 
pas. Tendo em vista o exguo espao de que dispomos, no poderemos tratar, com profundidade, da cultura egpcia. Cabe ao leitor, entretanto, aprofundar-se no assunto 
e buscar novas informaes em uma bibliografia adequada. Basta-nos. por enquanto, alguns dados gerais sobre o outrora portentoso imprio do Nilo.
      
      I - HISTRIA DO EGITO
      No podemos datar, com preciso, quando chegaram os primeiros colonizadores aos territrios egpcios. Quanto mais recuamos no tempo, mais a cronologia torna-se 
imprecisa. Sabemos, contudo, que os primeiros habitantes dessa regio foram nmades. Aps uma vida de rduas e incmodas peregrinaes, eles comearam a organizar-se 
em pequenos Estados. Essas diminutas e inexpressivas unidades polticas conhecidas como nomos, foram agrupando-se com o passar dos sculos, at formarem dois grandes 
reinos: o Alto Egito, no Sul; e, o Baixo Egito, no Norte. Ambos estavam localizados, respectivamente, no Vale do Nilo e no Delta do mesmo rio.
      Entre ambas as regies havia um forte contraste. Seus deuses eram diferentes, como diferentes eram, tambm, seus dialetos e costumes. At mesmo a filosofia 
de vida desses povos eram marcadas por visveis antagonismos. Declara o egiptlogo Wilson: "Em todo o curso da histria, essas duas regies se diferenciaram e tiveram 
conscincia da sua diferenciao. Quer nos tempos antigos, como nos modernos, as duas regies falam dialetos muito diferentes e vem a vida com perspectivas tambm 
diferentes."
      Sobre essa poca, escreve Idel Becker: "Neste perodo pr-dinstico, o desenvolvimento da cultura egpcia foi, quase totalmente, autctone e interno. Houve 
apenas, alguns elementos de evidente influncia mesopotmica: o selo cilndrico, a arquitetura monumental, certos motivos artsticos e, talvez, a prpria idia da 
escrita. H, nessa poca, progressos bsicos nas artes, ofcios e cincias. Trabalhou-se a pedra, o cobre e o ouro (instrumentos, armas, ornamentos, jias). Havia 
olarias; vidragem; sistemas de irrigao. Foi-se formando o Direito, baseado nos usos e costumes tradicionais - leis consuetudinrias."
      
      1 - A unificao do Egito
      Em conseqncia de suas muitas diferenas, o Alto e o Baixo Egito travaram violentas e desgastantes guerras por um longo perodo. Essas constantes escaramuas 
enfraqueciam ambos os reinos, tornando-os vulnerveis a ataques externos. Consciente da inutilidade desses conflitos, Mens, rei do Alto Egito, conquista o Baixo 
Egito. Depois de algumas reformas administrativas, esse monarca (para alguns historiadores, uma figura lendria) unificou o pas, estabeleceu a primeira dinastia 
e tornou Tnis, a capital de seu vasto imprio.
      A unificao do Egito ocorreu, de acordo com clculos aproximados, entre 3.000 a 2.780 a.C. Nesta mesma poca, os egpcios comearam a fazer uso da escrita 
e de um calendrio de 365 dias.
      Unificados, o Alto e Baixo Egito transformaram-se no mais florescente e poderoso imprio da antigidade. Os reis iniciaram a construo das grandes pirmides, 
que lhes serviu de tumba. Por causa desses arroubos arquitetnicos, receberam o apelido de "casa grande" - fara. Ento, a cultura egpcia alcanou propores considerveis.
      No final do Antigo Imprio, que abrange o perodo de 2.780 a 2.400 a.C, o poder dos faras comeou a declinar. O fim dessa era de glrias  marcado por revoltas 
e desordens, ocasionadas pelos governadores dos nomos.
      Uma febre de independncia alastra-se por todo o pais. Cresce, cada vez mais, o poder da nobreza; a influncia da realeza decai continuamente. Aproveitando-se 
desse caos generalizado, diversas tribos negrides e asiticas invadem o pas.
      Graas, entretanto, a interveno dos faras tebanos, o Egito consegue reorganizar-se, pelo menos at a agresso hicsa.
      
      2  - A invaso dos hicsos
      No obstante a segurana trazida pelos prncipes de Tebas (11* dinastia) e pelas conquistas poltico-sociais do povo, o Egito comea a sofrer incurses de 
um bando aguerrido de pastores asiticos. Nem mesmo o prestgio internacional dos faras seria suficiente para tornar defensveis as fronteiras egpcias.
      Esses invasores, que dominariam o Egito por 200 anos, aproximadamente, so conhecidos como hicsos. Eles iniciam sua dominao em 1.785 e so expulsos por volta 
de 1580 a.C.
      Idel Becker, com muito critrio, fala-nos acerca desse conturbado perodo: "Esta  a poca mais confusa e discutida da histria do antigo Egito: um perodo 
de invases e de caos interno. Os hicsos - conglomerado de povos semitas e arianos, invadiram o Egito (atravs do istmo que o ligava  pennsula do Sinai), venceram 
os exrcitos de fara e dominaram grande parte do pas. Possuam cavalos e carros de guerra (com rodas); e armas de bronze (ou talvez, mesmo, de ferro), mais bem 
acabadas e mais fceis de manejar do que as dos egpcios. Tudo isso explica a sua superioridade blica e os seus triunfos militares. Os hicsos talvez estivessem 
fugindo da presso dos invasores indo-europeus (hititas, cassitas e mitanianos), sobre o Crescente Frtil."
      Com os hicsos, acrescenta Becker, devem ter entrado no Egito os hebreus.
      
      3 - Novo Imprio
      Com a expulso dos hicsos, renasce o Imprio Egpcio com grande pujana. Com Ames I, os faras tornaram-se imperialistas e belicosos. Tutms III, por exemplo, 
conquistou a Sria e obrigou os fencios, cananitas e assrios a pagarem-lhe tributo.
      A expanso egpcia, entretanto, esbarrou nos interesses dos poderosos hititas, senhores absolutos da sia Menor. Na ocasio, o clebre fara, Ramss II fez 
ingentes esforos para venc-los. Como no conseguiu o seu intento, assinou com o reino hitita um tratado de paz, que vigorou por muitos anos. 32
      Foi durante o Novo Imprio (1580-1200 a.C), que os israelitas comearam a ser escravizados pelos faras. 4 - Decadncia
      Aps o Novo Imprio, o Egito comeou a sofrer sucessivas intervenes: lbia, etope, indo-europia, assria, persa, grega e romana. Em linhas gerais, essa 
nao, cujo passado foi to glorioso, pertenceu ao Imprio Romano, durante 400 anos; ao Imprio Bizantino, durante 300 anos. No Sculo VII d.C, fica sob a tutela 
dos muulmanos. A partir de 1400, torna-se possesso turca. No Sculo XIX, fica sob a custdia franco-inglesa. No incio deste Sculo, torna-se protetorado ingls.
      Em 1922, todavia, conquista sua independncia. Hoje, porm, no passa de um apagado reflexo de sua primeira glria.
      
      II - GEOGRAFIA DO EGITO
      Netta Kemp de Money descreve o antigo Egito: "O Egito da antigidade se assemelhava em sua forma a uma flor de ltus (planta importante na literatura e na 
arte egpcia), no extremo de um talo sinuoso que tem  esquerda e um pouco abaixo da prpria flor, um boto de flor. A flor  composta pelo Delta do Nilo, o talo 
sinuoso  a terra frtil que se estende ao longo do dito rio, e o boto  o lago de Faium que recebe o excedente das inundaes anuais do Nilo".
      O Egito atual tem o formato de um quadrado. Localizado no Nordeste da frica, limita-se ao norte, com o mar Mediterrneo; a leste, com Israel (e, tambm, com 
o mar Vermelho); ao sul, com o Sudo; a oeste, com a Lbia. De sua rea, de quase um milho de quilmetros quadrados, 96 por cento so compostos de terras ridas. 
Sua populao, de 45 milhes de habitantes,  obrigada a viver com os 4 por cento de terras cultivveis.
      Localizava-se o Alto Egito no Sul do atual territrio egpcio. Essa regio, chamada de Patros pelos hebreus (Jr 44.1,15),  constituda por um estreito vale 
ladeado por penedos de formao calcria. O Baixo Egito, por seu turno, localizava-se no Norte e sua rea mais frtil encontra-se no Delta.
      O Egito, no entanto, no existiria sem o Nilo. Esse rio  o mais extenso do mundo, com um percurso de 6.400 km com suas vazantes, fertiliza vastas extenses 
de terra, tornando possvel fartas semeaduras. Herdoto, com muita razo, disse ser o Egito um presente do Nilo.
      Em seu livro Geografia das Terras Bblicas, afirma o pastor Enas Tognini: "Sem o Nilo, o Egito seria um Saara - terrvel e inabitado. O Nilo proporcionou 
riquezas aos faras que puderam viver nababescamente, construindo templos suntuosos, monumentos grandiosos, palcios de alto luxo, pirmides gigantescas e a manuteno 
de exrcitos bem armados que, no somente protegiam o Egito, mas tomavam, nas guerras novas regies. Os egpcios no tinham necessidade de observar se as nuvens 
trariam chuvas ou no. O Nilo lhes garantia a irrigao e as suas guas lhes davam colheitas fartas e certas.  fato que uma seca poderia trazer pobreza  terra, 
como aconteceu no tempo de Jos. Se a cheia fosse alm dos limites, as guas poderiam arrasar cidades, deixando o povo desabrigado e prejudicariam as safras. Mas, 
tanto secas como enchentes eram raras. O Nilo era ento, como  hoje, a vida do Egito e o principal fator de suas mltiplas organizaes, simples algumas e sofisticadas 
e complexas outras".
      
      III - A GRANDEZA DO EGITO
      Os egpcios deixaram um marco de indelvel grandeza na Histria. Desde as pirmides s conquistas cientficas e tecnolgicas, foram magistrais. Haja vista, 
por exemplo, os arquitetos modernos que continuam a contemplar, com grande admirao, os monumentos piramidais construdos pelos faras.
      Desta forma Halley descreve a Grande Pirmide de Queops: "O mais grandioso monumento dos sculos. Ocupava 526,5 acres, 253 metros quadrados (hoje 137), 159 
m de altura (hoje. 148). Calcula-se que se empregaram nela 2.300.000 pedras de 1 metro de espessura mdia, e peso mdio de 2,5 toneladas. Construda de camadas sucessivas 
de blocos de pedra calcria toscamente lavrada, a camada exterior alisada, de blocos de granito delicadamente esculpidos e ajustados. Estes blocos exteriores foram 
removidos e empregados no Cairo. No meio do lado norte h uma passagem, 1 m de largura por 130 de altura, que leva a uma cmara cavada em rocha slida, 33 m abaixo 
do nvel do solo, e exatamente 180m abaixo do vrtice; h duas outras cmaras entre esta e o vrtice, com pinturas e esculturas descritivas das proezas do rei".
      Os antigos egpcios destacaram-se, ainda, na matemtica e na astronomia. H mais de quatro mil anos, quando a Europa revolvia-se em sua primitividade, os sbios 
dos faras j lidavam com frmulas para calcular as reas do tringulo e do crculo e, tambm, do volume das esferas e dos cilindros.
      Souto Maior fala-nos, com mais detalhes, acerca do avano cientfico dos antigos egpcios: "Apesar de no conhecerem o zero, j resolviam nessa poca equaes 
algbricas. Os seus conhecimentos astronmicos permitiram-lhes a organizao de um calendrio baseado nos movimentos do Sol. A diviso do ano em doze meses de trinta 
dias  de origem egpcia; os romanos adotaram-na e ainda hoje  conservada com pequenas modificaes. A medicina egpcia tambm era surpreendentemente adiantada. 
Chegaram a fazer pequenas operaes e a tratar com habilidade as fraturas sseas. Pressentiram a importncia do corao e, na observao das propriedades teraputicas 
de certas drogas, adquiriram alguns conhecimentos de farmaco-dinmica".
      
      IV - O EGITO E OS FILHOS DE ISRAEL
      O relacionamento de Israel com o Egito remonta  Era Patriarcal. Premidos pela fome e outras agruras, Abrao e Isaque desceram  terra dos faras, onde sofreram 
srios constrangimentos. O primeiro e maior patriarca hebreu, por exemplo, esteve prestes a perder a esposa, cuja beleza embeveceu o rei daquela nao. No fosse 
a interveno divina. Sara no seria contada entre as ilustres mes do povo israelita.
      Em sua velhice, Abrao recebe esta sombria revelao do Senhor: "Saibas, de certo, que peregrina ser a tua semente em terra que no  sua, e servi-los-o; 
e afligi-los-o quatrocentos anos; mas tambm eu julgarei a gente, a qual serviro, e depois sairo com grande fazenda. E tu irs a teus pais em paz; em boa velhice 
sers sepultado. K a quarta gerao tornar para c; porque a medida da injustia dos amorreus no est ainda cheia" (Gn 15.13-16).
      
      1 - Jos, primeiro-ministro do Egito
      Estvo, sbio dicono da igreja primitiva, conta-nos como Jos chegou a primeiro-ministro do Fara: "E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a Jos para 
o Egito. mas, Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tributaes, e lhe deu graa e sabedoria ante Fara, rei do Egito. que o constituiu governador sobre 
o Egito e toda a sua casa. Sobreveio ento a todo o pas do Egito e de Cana fome e grande tributao; e nossos pais no achavam alimentos. Mas, tendo ouvido Jac 
que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais, a primeira vez. E, na segunda vez foi Jos conhecido por seus irmos, e a sua linhagem foi manifesta a Fara. E 
Jos mandou chamar a seu pai Jac e a toda sua parentela, que era de setenta e cinco almas" (At 7.9-14).
      No obstante sua humilde condio de escravo, Jos tornou-se primeiro-ministro do Fara. E, por seu intermdio, Deus salvou toda a descendncia de Israel. 
No fosse o providencial ministrio exercido por esse intrpido hebreu, a prognie abramica ver-se-ia em grandes dificuldades. Sua histria  uma das obras-primas 
da humanidade.
      Jos chegou ao Egito no Sculo XX a.C. Nesse tempo, segundo os historiadores, os hicsos dominavam o pas. Sendo, tambm, semitas, os novos senhores da terra 
no tiveram dificuldades em demonstrar sua magnanimidade aos hebreus. Mostrando-se liberais e generosos, ofereceram aos israelitas a regio de Gsen, onde a linhagem 
abramica desenvolveu-se sobremaneira.
      
      2 - Moiss
      Continua Estvo a contar a histria dos israelitas no Egito:
      Aproximando-se, porm, o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abrao, o povo cresceu e se multiplicou no Egito; at que se levantou outro rei, que no 
conhecia a Jos. Esse, usando de astcia contra a nossa linhagem, maltratou nossos pais, a ponto de os fazer enjeitar as suas crianas, para que no se multiplicassem. 
Nesse tempo, nasceu Moiss, e era mui formoso, e foi criado trs meses em casa de seu pai. E, sendo enjeitado, tomou-o a filha de Fara, e o criou como seu filho. 
E Moiss foi instrudo em toda a cincia dos egpcios; e era poderoso em suas palavras e obras.
      "E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao corao ir visitar seus irmos, os filhos de Israel. E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e 
vingou o ofendido, matando o egpcio. E ele cuidava que seus irmos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mo; mas eles no entenderam. E no 
dia seguinte, pelejando eles, foi por eles visto, e quis lev-los  paz, dizendo: Vares, sois irmos; por que vos agravais um ao outro? E o que ofendia o seu prximo 
o repeliu, dizendo: Quem te constituiu prncipe e juiz sobre ns? Queres tu matar-me, como ontem mataste o egpcio?
      "E a esta palavra fugiu Moiss, e esteve como estrangeiro na terra de Midi, onde gerou dois filhos. E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor, 
no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo de um saral. Ento Moiss, quando viu isto, maravilhou-se da viso; e, aproximando-se para observar, foi-lhe dirigida 
a voz do Senhor: "Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abrao, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jac. E Moiss, todo trmulo, no ousava olhar. E disse-lhe o Senhor: 
Tira as alparcas dos teus ps, porque o lugar em que ests  terra santa: Tenho visto atentamente a aflio do meu povo que est no Egito, e ouvi os seus gemidos, 
e desci a livr-los. Agora, pois, vem, e enviar-te-ei ao Egito.
      "A este Moiss, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu prncipe e juiz? a este enviou Deus como prncipe e libertador, pela mo do anjo que lhe 
aparecera no saral. Foi este que os conduziu para fora, fazendo prodgios e sinais na terra do Egito, e no mar Vermelho, e no deserto, por quarenta anos. Este  
aquele Moiss que disse aos filhos de Israel:  Senhor vosso Deus vos levantar dentre vossos irmos um profeta como eu; a ele ouvireis" (At 7.17-37).
      Israel deixou o Egito no Sculo XV a.C. Depois do xodo, israelitas e egpcios voltariam a se enfrentar no tempo dos reis e no chamado perodo inter-bblico. 
Recentemente, com a independncia do moderno Estado de Israel, as foras judaicas defrontaram-se com as egpcias diversas vezes. O antagonismo entre ambos os povos 
 milenar. Entretanto, o futuro dessas naes ser de paz e glria: "Naquele dia haver estrada do Egito at a Assria, e os assrios viro ao Egito, e os egpcios 
iro  Assria: e os egpcios adoraro com os assrios ao Senhor. Naquele dia Israel ser o terceiro com os egpcios e os assrios, uma bno no meio da terra. 
Porque o Senhor dos Exrcitos os abenoar, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assria, obra de minhas mos, e Israel, minha herana" (Is 19.23-25).
      
      
      
      
      
    Assria
      
      Sumrio: Introduo. I - A geografia assria. II -A histria assria. III - As relaes entre a Assria e Israel.
      
      INTRODUO
      Os assrios jactavam-se de descender de Assur, filho de Sem e neto de No (Gn 10.11). Esse ilustre patriarca deixou a plancie de Sinear para estabelecer-se 
em uma cidade localizada na orla oriental do Tigre, que passou a levar seu nome.
      Durante muito tempo, os descendentes desse renomado semita tiveram uma tranqila existncia. Abstinham-se de conlitos abrangentes.
      
      I - A GEOGRAFIA ASSRIA
      O territrio assrio, no princpio, era inexpressivo. Perdia-se entre as grandes possesses dos pases circundantes. Com o passar dos sculos, foi se estendendo 
e abarcando muitas naes vizinhas, transformando-se em um grande imprio. As fronteiras assrias, porm, nunca foram definidas. Variavam de conformidade com as 
vitrias ou derrotas dos soberanos de Assur.
      No pice de sua glria, a Assria ocupava uma rea que ia do Norte da atual Bagd at as imediaes dos lagos Van e Urmia. Na linha leste-oeste, ia dos montes 
Zagros at o vale do rio Habur. Tendo em vista a sua privilegiada posio geogrfica, era alvo de constantes invases dos nmades e nativos do Norte e do Nordeste.
      
      II - A HISTRIA ASSRIA
      Durante muitos sculos, Nnive manteve-se inexpressiva no cenrio assrio. Em 2.350 a.C, contudo, Sargo transformou-a na capital dos filhos de Assur. A partir 
de ento, a cidade tornou-se participante das glrias e derrotas da Assria.
      Nnive  a prpria histria do Imprio Assrio.
      No Sculo XII a.C, os assrios comeam a demonstrar suas intenes hegemnicas. Sob a poderosa influncia do rei Tiglete-Pileser, encetam vrias campanhas 
militares, visando  expanso de seu territrio. Nessa poca, subjugaram facilmente os sidnios.
      Os assrios, entretanto, no possuam guarnies suficientes para manter suas conquistas. Enquanto marchavam em direo ao Ocidente, os vassalos orientais 
rebelavam-se. A Assria, em conseqncia desses insucessos militares, sofre clamorosas perdas territoriais.
      O enfraquecimento do imprio assrio favoreceu a consolidao do reino davdico.
      Duzentos anos mais tarde, a Assria fez novas tentativas para dominar o mundo. Salmaneser II, primeiro soberano assrio a ser mencionado nas crnicas hebraicas, 
derrotou, na batalha de ('arcar, na Sria, uma coligao militar formada por srios, fencios e israelitas.
      Passados doze anos, ele volta a enfrentar a aliana palestnica. E,  semelhana da primeira vez, vence-a. Rumores do Oriente, entretanto, fazem-no voltar 
 Assria. Frustrado, abandona suas conquistas.
      No Sculo VIII a.C, a Assria comea a estabelecer-se, de fato, no Ocidente.
      Tiglete-Peliser II estende as fronteiras de seu imprio at Israel. Mostrando quo ilimitada era a sua autoridade, obriga o rei israelita, Manan, a pagar-lhe 
tributos.
      Mais tarde, ajuda Acaz, rei de Jud, a livrar-se das investidas do reino de Israel. Oportunista, toma dez cidades israelitas e translada sua populao  Assria. 
Como se isso no bastasse, desaloja as tribos de Rubem, Gade e Manasses das possesses que elas receberam de Josu, sucessor de Moiss.
      A Assria teve o seu apogeu entre 705 a 626 a.C. Perodo que abrange os reinados de Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal. Esse clmax de prosperidade e brilho 
 demasiado efmero. Alis, o poder humano, por mais invencvel que se mostre, no passa de vaidade, de tolas vaidades.
      O imprio assrio desmorona-se!
      Em 616 a.C, Nabopolassar, governador de Babilnia, subleva-se e declara a independncia dos territrios sob sua jurisdio. Decidido a arrasar com o j minado 
poderio assrio, alia-se ao rei medo Ciaxares. Este, em 614 a.C, conquista e destri totalmente Nnive, para onde Jonas fora enviado a proclamar os juzos do Eterno 
contra os reticentes filhos de Assur.
      Com a queda de Nnive, desaparece a glria da Assria.
      
      III - AS RELAES ENTRE A ASSRIA E ISRAEL
      Visando atingir a hegemonia absoluta do Mdio Oriente, a Assria desencadeou vrias crises com seus vizinhos ocidentais: srios, fencios e hebreus. Esses 
povos separavam Assur de seu terrvel e ambicioso rival - o Egito.
      Enquanto Nnive no se impe no Ocidente, Davi solidifica seus domnios, alargados e engrandecidos por Salomo.
      Os filhos de Abrao estavam protegidos do imperialismo assrio por seus vizinhos setentrionais, cujos territrios formavam uma rea defensvel s suas possesses. 
Com a queda da Sria e da Fencia, porm, os reinos de Israel e Jud tornaram-se mais vulnerveis, no bastassem o sectarismo e a rivalidade entre ambos.
      
       
      
      
      Em 723 a.C. a Assria destri Israel e deporta as dez tribos que o compunham. Desaparece o Reino do Norte, fundado por Jeroboo, depois de uma atribulada existncia 
de dois sculos. 
      
      
      Roteiro da deportao das 12 tribos  Assria
      
      Deportar para outras terras os povos subjugados e arrefecer-lhes o ardor nacionalista. Esta era a poltica assria; visava do extermnio moral das naes conquistadas. 
Povo cruel, os assrios esfolavam vivos seus prisioneiros: cortavam-lhes as mos, os ps, o nariz e as orelhas; vazavam-lhes os olhos; arrancavam-lhes as lnguas. 
Funreos artistas, faziam montes de crnios humanos.
      As hordas assrias tentaram apoderar-se, tambm, de Jud. Foram os assrios obrigados a se concentrarem nos levantes da ('aldeia, onde exalariam seu ltimo 
suspiro como imprio.
      
      
      
      
    
    Babilnia
      
      Sumrio: Introduo. I - Histria de Babilnia. II - Geografia de Babilnia. III - A grandeza de Babilnia. IV - Babilnia e o povo de Jud. V - O fim de Babilnia.
      
      INTRODUO
      Babilnia, nas Sagradas Escrituras,  sinnimo de poder e glria. A histria desse imprio, simbolizado pelo ouro,  antiqussima. Trata-se de uma das primeiras 
civilizaes da Terra. As crnicas babilnicas esto intimamente associadas com as da Mesopotmia - bero da raa humana.
      Como no associar, tambm, a histria babilnica  hebraica? Sculos de convvio, nem sempre belicosos, ligam ambos os povos. Babilnios e hebreus, segundo 
alguns estudiosos, so oriundos de uma mesma famlia semita. O patriarca Abrao, a propsito,  originrio de Ur dos Caldeus.
      Conhecer Babilnia , acima de tudo, vislumbrar as funestas conseqncias da soberba humana.
      
      I - HISTRIA DE BABILNIA
      Como j dissemos, Babilnia  uma cidade antiqussima. A data de sua fundao  incerta. No entanto, sua conexo com Acad e Calnesh (Gn 10.10), leva-nos a 
supor tenha sido ela estabelecida por volta de 3.000 a.C! A histria da mais importante metrpole do Frtil Crescente no passa de uma longa srie de sangrentas 
lutas. Ambiciosos soberanos encetaram as mais renhidas guerras para expandirem Babilnia e preservarem seu territrio.
      Babilnia foi sitiada vezes sem conta.  difcil calcular, tambm, quantas vezes seus muros e templos foram arrasados. vidos inimigos despojavam-na, com freqncia, 
de seus fabulosos tesouros. Seus orgulhosos habitantes sofreram os mais inumanos ataques. Essa opulentssima cidade, todavia, levantava-se com mais brilho e pujana 
at tornar-se, no tempo de Nabucodonozor, em uma das maravilhas do mundo.
      Durante sculos, Babilnia permaneceu sob a tutela assria. O governador da Caldia, Nabopolassar, levanta-se, porm, contra a hegemonia de Nnive. Auxiliado 
pelos medos, sacode de si o jugo assrio. Em 622 a.C, ele  proclamado rei, em Babilnia. Tem incio, dessa forma, uma nova dinastia na Mesopotmia. O intrpido 
monarca combate, sem trguas, o exrcito assrio. Com a tomada de Nnive, consolida, definitivamente, a sua soberania nessa regio.
      O novo imprio, entretanto, teria de se defrontar com a ambio egpcia. Neco, rei do Egito, aproveitando-se dos insucessos da Assria, enceta uma grande campanha 
contra o poder emergente de Babilnia. Chega a apoderar-se, inclusive, da metade do Frtil Crescente. Seu triunfo, porm, no  duradouro.
      Nabucodonozor dirige-se contra o fara e o vence em Carquemis, no ano 606 a.C. (Quando celebrava a vitria, o prncipe herdeiro de Babilnia recebe a triste 
notcia da morte de seu pai. Regressa, ento, imediatamente  capital do novel imprio onde, no ano seguinte,  coroado rei.
      Empreendedor, d incio a gigantescas construes que fariam de seu reino, em tempo recorde, uma das maiores maravilhas do mundo.
      
      II - GEOGRAFIA DE BABILNIA
      Babilnia abrange os territrios da Mesopotmia que vai de Hit e Samaria, no Norte de Bagd, at o Golfo Prsico. As possesses babilnicas ocupavam, por conseguinte, 
os antigos territrios de Sumer e Acad.
      Babilnia foi plantada em uma frtil regio, onde as chuvas eram constantes, possibilitando o surgimento, no local, de grandes civilizaes, desde os primrdios 
da humanidade. Foi justamente nessa abenoadssima rea que floresceu o imprio de Nabucodonozor. At os dias de hoje, Babilnia lembra opulncia e prosperidade.
      Essa notria cidade vem despertando crescente interesse de judiciosos pesquisadores. Em 1956 e 1957, arquelogos norte-americanos constataram a existncia 
de uma vasta rede de canais entre Bagd e Nippur. Esse sistema de irrigao, super-avanado na poca, fez de Babilnia uma potncia agrcola.Enquanto outros povos 
passavam ingentes necessidades, os babilnios desfrutavam de fartura. A escassez de alimentos era algo ignorado pelos cal-deus.
      Nessa regio, as pedras eram bastante raras. Em compensao, havia abundncia de cermica. Por isso as construes babilnicas consistiam, basicamente, de 
tijolos.
      Alm da cidade de Babilnia, propriamente dita, havia, tambm, a Grande Babilnia formada pelas seguintes cidades-satlites: Sippar, Kuta, Kis, Borsippa, Nippur, 
Uruk, Ur, Eridu. Babilnia ficava sobre o Eufrates. Dizem os estudiosos que poucas cidades foram to privilegiadas pela natureza como essa. Com sobeja razo, pois, 
 considerada a metrpole dourada.
      
      III - A GRANDEZA DE BABILNIA
      A primeira tarefa de Nabucodonozor foi reconstruir Babilnia, destruda por Senaqueribe, em virtude de suas muitas rebelies. Para conseguir o seu intento, 
o monarca caldeu desfechou diversas campanhas, objetivando levar para a cidade milhares de cativos para reconstru-la.
      Entre outras coisas, construiu um muro em redor de Babilnia. Dizem os entendidos que se tratava, realmente, de uma formidvel muralha. Visava Nabucodonozor 
tornar inexpugnvel a capital de seu imprio. Humanamente falando, nenhuma potncia estrangeira poderia tom-la. To largos eram esses muros, que duas carruagens 
poderiam trafegar sobre eles tranqilamente.
      O maior mrito desse empafioso soberano, entretanto, foi reedificar Babilnia. Historiadores antigos, como Herdoto, maravilharam-se ante a imponncia e a 
grandiosidade dessa cidade. Para alguns mais exaltados, s os deuses seriam capazes de erguer tal monumento,  soberba humana,  claro.
      Babilnia estava edificada sobre ambas as margens do rio Eufrates. Protegia-a uma dupla muralha. De acordo com os clculos fornecidos por Herdoto, esses muros, 
com 56 milhas de circunferncia, encerravam um espao de 200 milhas quadradas. Buckland, em seu Dicionrio Bblico Universal, d-nos mais alguns detalhes acerca 
das grandezas babilnicas: "Nove dcimas partes dessas 200 milhas quadradas estavam ocupadas com jardins, parques e campos, ao passo que o povo vivia em casas de 
dois, trs e quatro andares. Duzentas e cinqenta torres estavam edificadas por intervalos nos muros, que em cem lugares estavam abertos e defendidos com portes 
de cobre. Outros muros havia ao longo das margens do Eufrates e juntos aos seus cais. Navios de transporte atravessavam o rio entre as portas de um e de outro lado, 
e havia uma ponte levadia de 30 ps de largura, ligando as duas partes da cidade. O grande palcio de Nabucodonozor estava situado numa das extremidades desta ponte, 
do lado oriental. Outro palcio, a admirao da humanidade, que tinha sido comeado por Nabopolassar, e concludo por Nabucodonozor, ficava na parte ocidental e 
protegia o grande reservatrio. Dentro dos muros deste palcio elevavam-se, a uma altura de 75 ps, os clebres jardins suspensos, que se achavam edificados na forma 
de um quadrado, com 400 ps de cada lado, estando levantados sobre arcos."
      Ao construir Babilnia, smbolo de sua opulncia, Na-bucodonozor no se esqueceu de reverenciar os falsos deuses. O Templo de Bel  um exemplo desse exagero 
idoltri-co. Esse monumento, com quatro faces, constitua-se em uma pirmide de oito plataformas, sendo a mais baixa de 400 ps de cada lado. Quem nos descreve essa 
irreverncia da engenhosidade humana  o j citado Buckland: "Sobre o altar estava posta uma imagem de Bel, toda de ouro, e com 40 ps de altura, sendo tambm do 
mesmo precioso metal uma grande mesa e muitos outros objetos colossais que pertenciam quele lugar sagrado. As esquinas deste templo, como todos os outros templos 
caldaicos, correspondiam aos quatro pontos cardeais da esfera. Os materiais, empregados na grandiosa construo, constavam de tijolos feitos do limo, extrado do 
fosso, que cercava toda a cidade."
      A grandiosidade de Babilnia levou Nabucodonozor a esquecer-se de sua condio humana e a julgar-se o prprio Deus. Em conseqncia disso, ele foi punido pelo 
Todo-poderoso. S reconheceu a sua exigidade, depois de passar sete anos com as bestas feras.
      
      IV - BABILNIA E O POVO DE JUD
      Deus, sem dvida alguma, permitiu a ascenso de Babilnia para punir a impenitncia das naes do Mdio Oriente. Nem mesmo Jud escaparia da ao judicial 
do Eterno. A tribo do rei Davi, que se convertera no Reino do Sul, em virtude do cisma israelita ocorrido em 931 a.C, perverteu a aliana mosaica. A maioria dos 
soberanos judeus adorou e permitiu a adorao de falsos deuses, induzindo o povo  apostasia.
      No obstante a candente advertncia dos santos profetas, os judeus continuaram reticentes. O Senhor Deus, por isso, resolveu puni-los. Quem seria o instrumento 
de sua justia? Respondem os profetas: Babilnia. Conforme j dissemos, to logo Nabopolassar vence os ltimos redutos da resistncia assria, volta-se para a Palestina, 
disposto a conquist-la e aumentar o seu imprio. - O que poderia fazer Jud para conter a avalanche babilnica? - Nada; absolutamente nada. Para Jeremias, por exemplo, 
o fim do Reino de Jud viria inexoravelmente. O profeta, por isso mesmo, recomendou ao monarca judata que se submetesse ao soberano babilnico. 
      
      
      
      Nabopolassar, todavia, no pde dar consecuo aos seus planos de expanso territorial, em virtude de sua morte inesperada. Caberia, por conseguinte, ao seu 
filho e sucessor natural, Nabucodonozor. assegurar a hegemonia babilnica no Mdio Oriente. Aps ser coroado, o jovem monarca volta a sua ateno  terra de Jud.
      Depois de vencer as foras judaicas, Nabucodonozor faz de Jeoaquim seu vassalo. O representante da dinastia davdica obriga-se a enviar a Babilnia, regularmente, 
vultosos impostos. Em 603 a.C, porm, o rei de -Jud resolve no mais cumprir os compromissos assumidos com o regime babilnico.
      Irado, Nabucodonozor dirige-se a Jud e a sitia. Chega ao fim o Reino do Sul, fundado por Roboo. O monarca babilnico, ainda insatisfeito, prende o rei Joaquim, 
juntamente com a nobreza judaica, e o deporta para a Babilnia. Entre os exilados, encontram-se, Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego. Como despojo, o destemido 
conquistador leva consigo os vasos sagrados da Casa do Senhor.
      No ano seguinte, Zedequias assume o trono de Jud. Ttere, seria obrigado a pagar, fielmente, tributos a Nabucodonozor. Durante oito anos, o sucessor de Joaquim 
mantm-se fiel a Babilnia. Em 597, porm, subleva-se, causando a destruio de Jerusalm e a deportao dos restantes filhos de Jud. Na terra desolada, ficaram 
apenas os pobres.
      O castigo de Jerusalm foi indescritvel. Os exrcitos de Nabucodonozor caram como gafanhotos sobre a cidade do Grande Rei. Destruram seus palcios, derribaram 
seus muros e deitaram por terra o Santo Templo. O lugar mais santo e mais reverenciado pelos hebreus no mais existia. O mais suntuoso monumento do Mdio Oriente 
no passava, agora, de um monturo. Os judeus, doravante, andariam errante, por 70 anos em uma terra estrangeira e idolatra. O exlio, contudo, seria assaz benfico 
 prognie de Abrao, que no mais curvar-se-ia ante os falsos deuses.
      
      V - O FIM DE BABILNIA
      O Imprio Babilnico, fundado por Nabopolassar, no teve uma vida bastante longa. Em menos de um sculo, j emitia sinais de fraqueza e degenerescncia. Enquanto 
isso, a coligao medo-persa fortalecia-se continuamente e se preparava para conquistar a dourada prostitura do Frtil Crescente - Babilnia.
      Em 538 a.C, quando Belsazar participava, juntamente com seus altos oficiais e suas prostitutas, de uma desenfreada orgia, os exrcitos medo-persas tomaram 
Babilnia, transformando-a em uma possesso ariana. Naquela mesma noite, a propsito, o Todo-poderoso revelara, por intermdio de Daniel, quo funesto seria o fim 
do domnio babilnico.
      Dario, um dos mais destemidos e proeminentes generais de Ciro II, tomou Babilnia e matou o libertino Belsazar. Tinha incio, assim, o Imprio Medo-persa.
      
      
      
      
      
    O Imprio Persa
      
      Sumrio: Introduo. I - Histria do Imprio Persa. II - Geografia do Imprio Persa. III - O Imprio Persa e os judeus. IV - Fim do Imprio Persa.
      
      INTRODUO
      Com a destruio do Imprio Babilnico surge uma nova superpotncia no Mdio Oriente. A coligao medo-persa transforma-se, rapidamente, em um vastssimo reino. 
No tempo de Assuero, por exemplo, a Prsia dominava sobre 127 provncias, da ndia  Etipia. Jamais surgira reino de to dilatadas possesses!
      Durante o Imprio Persa, os judeus foram tratados com longanimidade e condescendncia. Permitiam-lhes os soberanos persas, por exemplo, as manifestaes de 
sua religiosidade e tradies nacionais. Nesse perodo, obtm os dispersos de Jud permisso para voltar  amada e inesquecvel Terra de Israel e reconstruir o santo 
Templo e suas casas.
      Como todo o poderio humano  efmero, o Imprio Persa no deixaria de exalar o ltimo suspiro. Em seu lugar, outro reino emergiria. A Histria vai sendo escrita 
com a ascenso e queda dos imprios. A soberana vontade do Todo-poderoso, entretanto, permanece inclume e absoluta.
      
      I - HISTRIA DO IMPRIO PERSA
      O captulo dez de Gnesis  conhecido como a genealogia das naes. Nele, esto registrados os nomes dos principais patriarcas da raa humana. No encontramos, 
porm, nessa importante poro das Sagradas Escrituras, o cadastro da ancestralidade persa. Julga-se, por isso, ter a Prsia comeado a formar-se sculos aps a 
disperso da Torre de Babel.
      A nao persa  o resultado da fuso de povos oriundos do Planalto Iraniano: cassitas, elamitas, gutitas e lulubitas. A mais antiga comunidade persa  a de 
Sialk. Por muitos sculos, esse povo esteve envolvido em completo anonimato. Suas alianas polticas variavam de acordo com as tendncias da poca. Ao aproximar-se 
da Mdia, contudo, comea a descobrir o valor de sua nacionalidade e as suas reais potencialidades.
      A Prsia, durante o Imprio Babilnico, no passava de um Estado vassalo da Mdia. Ambas as naes, porm, mantinham, at certo ponto, uma convivncia pacfica, 
em virtude de possurem algumas heranas comuns: eram indu-europias e dedicavam-se  criao de gado cavalar. Com o passar dos tempos, todavia, os persas aumentam 
o seu poderio e comeam a desvencilhar-se dos tentculos medos.
      Ciro II consegue, em 555 a.C, reunificar as vrias tribos persas. Sentindo-se fortalecido, lana-se sobre a Mdia. Depois de trs anos de renhidas batalhas, 
derrota-a. A vitria desse monarca  to retumbante, que causa espcie em toda a regio. Temerosos, os reinos vizinhos renem-se com o objetivo de formar uma aliana 
para frustrar as intenes hegemnicas do novo reino.
      Perspicaz e oportunista, Ciro II move uma guerra generalizada contra essa coligao, abatendo-a em seu nascedouro. Em uma bem sucedida srie de ataques relmpagos, 
derrota a Ldia e a Babilnia. Espantadas com o mpeto blico desse monarca, Esparta e Atenas firmam um acordo de paz com a Prsia.
      Dario encarrega-se da conquista de Babilnia. Na noite de 538 a.C. esse importante general de Ciro II, aproveitando-se da embriaguez de Belsazar e de seus 
nobres, conquista a mais bela e suntuosa cidade daquela poca. O prncipe babilnico, conforme previra o profeta Daniel,  deposto e morto. O Todo-poderoso servira-se 
dos persas para contar, pesar e dividir o imprio fundado por Nabopolassar.
      Condescendente, Dario resolve poupar a vida do pai de Belsazar. Na fatdica noite da queda de seu reino, Nabonido encontrava-se em viagem, realizando (quem 
sabe?) escavaes arqueolgicas, pois deliciava-se com o estudo das coisas antigas. Desterrado para a Carcmia, seria nomeado, posteriormente, um dos governadores 
regionais do novo soberano.
      Inicialmente, Dario foi designado, por Ciro II, para governar Babilnia. Enquanto isso, consolidava os alicerces do poderio medo-persa.  bom esclarecermos 
que a Mdia, apesar de derrotada pela Prsia, uniu-se a esta, imediatamente, para conseguir a hegemonia do mundo de ento.
      Ciro II, conforme j dissemos, mostrava-se tolerante com os vencidos. Procurava trat-los com dignidade e considerao. Souto Maior traa o perfil desse controvertido 
persa: "Ciro foi,  verdade, um conquistador, porm no teve o aspecto primrio dos monarcas guerreiros de sua poca. Sua dominao se fazia opressiva pelas obrigaes 
econmicas exigidas, o que alis explica as constantes revoltas. Contudo, seu imperialismo era sem dvida superior ao primitivismo cruel dos conquistadores assrios."
      Quando de sua morte, em 529 a.C, o Imprio Persa j abarcava infindveis possesses.
      
      
      II - GEOGRAFIA DO IMPRIO PERSA
      Documentos desenterrados nas ltimas dcadas revelam-nos existirem duas Prsias. A Grande Prsia, localizada no Sudeste do El, e que correspondia  rea ocupada 
atualmente pelo Ir. Por seu turno, a Pequena Prsia limitava-se, ao Norte, pela Magna Mdia.
      Em um sentido amplo, o territrio persa compreendia o planalto do Ir, toda a regio confinada pelo Golfo Prsico, os vales do Tigre e do Ciro, o mar Cspio 
e os rios Oxus, Jaxartes e Indo. No tempo de Assuero, marido de Ester, as possesses persas estendiam-se da ndia  Grcia, do Danbio ao Mar Negro, e do Monte Cucaso 
ao Mar Cspio ao Norte e atingia, ainda, o deserto da Arbia e Nbia.
      
      III - O IMPRIO PERSA E OS JUDEUS
      Durante a dominao babilnica, os judeus no gozavam de muitas prerrogativas. Com muito custo e, enfrentando grandes dificuldades, conseguiram manter sua 
religio e suas tradies nacionais. Em seus 70 anos de exlio, os filhos de Abrao foram provados, alis, dura e inumanamente. Reconheceram, entretanto, quo amargos 
frutos colhiam em conseqncia de sua idolatria e que no existe outro Deus, alm do Santo de Israel.
      Com a ascenso do Imprio Persa, descortinam-se-lhes novos e promissores horizontes. O Senhor usa o rei Ciro para autorizar-lhes o regresso a Sio. No primeiro 
ano de reinado desse ilustre soberano, os filhos de Jud so liberados a retornar  terra de seus antepassados. A frente dos repatriados, ia o governador Zorobabel 
que, nos anos subseqentes, seria o principal baluarte da reconstruo do nosso Estado Judaico.
      No fosse a liberalidade de Ciro, tratado por Deus como "meu servo", os judeus no teriam condies de se dedicarem a cumprir to formidvel tarefa. Sob a 
vista dos sucessores do fundador do Imprio Persa, os muros e o Templo de -Jerusalm foram reconstrudos em tempo recorde. O diligente Zorobabel, o destemido Neemias, 
o erudita Esdras e o judicioso sumo sacerdote Josu, contaram com o respaldo da monarquia persa, no santo cumprimento de seus deveres.
      Ciro mostrou-se to liberal que, inclusive, devolveu aos lderes judaicos parte dos tesouros do Templo levados a Babilnia por Nabucodonosor. Atrs da generosidade 
persa, contudo, estava a potente mo de Deus!
      
      02
      
      
      No tempo da rainha Ester, mulher do poderoso Assue-ro, vemos, uma vez mais, o Senhor usar o poderio persa em favor de seu povo. No obstante as maquinaes 
de Ham. o Deus de Abrao, Isaque e Jac forou o soberano persa a ver com simpatia a causa dos exilados judeus. For intermdio da belssima prima de Mardoqueu, 
o Todo-poderoso intervm em favor da nao judaica e concede-lhe grande livramento.
      O ministrio de Ester  to glorioso que, ao interceder, junto ao seu esposo, pela vida de seu povo, estava preservando, indiretamente, a existncia do Salvador. 
Fossem os judeus aniquilados pelo diablico Ham e toda a ancestralidade de Cristo extinguir-se-ia nos limites do Imprio Persa.
      
      IV - FIM DO IMPRIO PERSA
      O Imprio Persa resplandecia no Oriente. No Ocidente, enquanto isso, a Grcia comea a desenvolver-se e a tornar mais marcante a sua presena no concerto das 
naes. Delineava-se, dessa maneira, o fim do imperialismo persa. Quo exatas mostravam-se as profecias de Daniel! Segundo ele predissera, a Grcia substituiria 
a Prsia no comando poltico daquela poca. E, caberia a um intrpido macednio a glria de pr trmino  expanso medo-persa.
      
      
      
      
      
    O Imprio Grego
    
      Sumrio: Introduo. I - Histria da Grcia. II -Alexandre Magno. III - Geografia da Grcia. IV - Os gregos e os judeus. V - Fim do Imprio Grego.
      
      INTRODUO
      A Grcia  o bero da civilizao ocidental. Dos gregos, herdamos a democracia, a concepo clssica das artes e, principalmente, a filosofia. No obstante 
a exigidade de suas possesses geogrficas, a antiga Grcia continua a nos influenciar. No fossem os helenos no haveria a tradicional diviso do mundo entre Ocidente 
e Oriente.
      Amantes da liberdade e acostumados s discusses ao ar livre, os gregos legaram-nos um inestimvel tesouro - as bases de nossa civilizao. Eles, ao contrrio 
dos indianos, chineses e outros povos orientais, discutiam racionalmente todos os assuntos pertinentes  "polis", - cidade, em grego. Acariciados pelos ventos elsios, 
deleitavam-se em perquirir e filosofar. Tornarem-se amigos da sabedoria - eis a sua maior ambio.
      Sob essa atmosfera, to propcia ao desenvolvimento do esprito, surgiram grandes gnios: Tales, Empdocles, Pitgoras, Scrates, Plato, Aristteles e muitos 
outros. Visando ao desenvolvimento integral do ser humano, os gregos no se preocupavam apenas com a mente. Voltavam-se, com o mesmo afinco, ao aprimoramento fsico. 
 comum, pois, vislumbrarmos nas esculturas ticas verdadeiros Adnis e Vnus.
      Sob o comando de Alexandre Magno, esse ilustre povo conquistou o mundo influente de ento e espalhou sua cultura por todas as terras. Foi esse soberano macednio 
quem destruiu o Imprio Persa. As faanhas desse jovem e audaz monarca tornaram-se proverbiais.
      
      I - HISTRIA DA GRCIA
      A Grcia antiga estava dividida em cidades-estados. Sem coeso poltico-administrativa, esses pequenos e at diminutos pases estavam em constantes alteraes. 
Haja vista as repetidas escaramuas entre Esparta e Atenas. Os gregos eram unidos somente por laos culturais e religiosos. Quando o perigo os ameaava, firmavam, 
porm, alianas provisrias.
      O Sculo V a.C, marca o auge da Grcia. Nessa longnqua poca, Pricles assume o comando poltico de Atenas e comea a apoiar, maciamente, os empreendimentos 
culturais. Brilhante orador e possuidor de invulgar gnio administrativo, transforma a capital da tica na mais importante cidade do mundo.
      Em meio a to viosa democracia, despontam os filsofos, escultores, pintores, dramaturgos, poetas, arquitetos, mdicos, etc. Essa importantssima Era da histria 
grega passa a ser conhecida como o Sculo de Pricles. Jamais os helenos voltariam a presenciar tanto desenvolvimento e tamanha glria.
      No sculo seguinte, os gregos tornam-se alvo das intenes hegemnicas de Felipe II da Macednia.
      
      II - ALEXANDRE MAGNO
      Limitando-se ao sul com a Grcia, a Macednia estava destinada a domin-la e a encabear o domnio heleno do mundo. Seus habitantes,  semelhana dos gregos, 
eram de origem indo-europia. A cultura macednia, contudo,  considerada bem inferior  grega. Nesse pas, cuja rea  ocupada hoje pela Iugoslvia, nasceu Felipe 
II.
      Capturado por um bando de gregos, em meados do Sculo Quarto a.C, esse irrequieto macednio  levado a Tebas, onde domina as artes blicas da Grcia. Em seu 
exlio, elabora audaciosos planos: modernizar os exrcitos da Macednia e unir todos os helenos sob o seu comando. Eis sua grande obsesso: subjugar o Imprio Persa. 
De volta  sua terra, d largas s suas pretenses hegemnicas. Em pouco tempo, transforma as foras armadas macednias em uma eficaz e formidvel mquina de guerra. 
Com mpeto, domina as cidades-estados gregas.
      Entretanto, quando se preparava para atingir o auge de suas realizaes militares,  assassinado. Deu-se o desenlace durante as npcias de sua filha e s vsperas 
de invadir a sia Menor. Prematuramente tolhido por to brbara fatalidade, desaparece sem dar consecuo aos seus ambiciosos planos.
      Caberia ao seu filho concretizar-lhe os ideais.
      "Um dos maiores gnios militares de todos os tempos". Assim  descrito Alexandre Magno. Nascido em 356 a.C, teve uma primorosa educao. Seu preceptor foi, 
nada mais nada menos, que Aristteles. Aos ps do mais exato dos filsofos gregos, o prncipe macednio universaliza-se. Com o alargamento de sua viso do mundo, 
passa a contemplar a humanidade como uma s famlia.
      Como, porm, concretizar esse ideal?
      Conquistador inato e guerreiro audaz, declara sua inteno: conquistar a Terra. No obstante seus 20 anos, reafirma sua autoridade sobre os gregos e,  testa 
de um exrcito de 40 mil homens, marcha em direo aos persas. Com fria sobre-humana, derrota Dario Codomano, que possua uma descomunal guarnio de mais de 800 
mil homens.
      Aps destruir o poderio persa, Alexandre Magno prossegue, conquistando terras e mais terras no Oriente. Ao chegar ao rio Indu, na ndia, seus homens convencem-no 
a voltar  terra natal. Cansados e com saudades, eles almejavam rever a Grcia e voltar ao convvio familiar.
      Percebendo estar o moral de seu exrcito um pouco baixo para novas conquistas, o soberano macednio resolve regressar. Foi-lhes a volta sobremodo penosa. Suportaram, 
por longos meses, alucinante sede e infindveis caminhadas sobre desrticas regies. Muitos tombaram sob o causticante calor do deserto.
      Alexandre Magno, ao chegar a Babilnia,  recebido como um ente celestial. Tributam-lhe divinas honrarias. Para os pobres mortais, no havia ser to glorioso 
como o prncipe macednio. Os dias vindouros, contudo, revelam a verdade: o filho de Filipe II no passava de um homem de carne e osso, sujeito aos caprichos da 
natureza e limitado pelos absolutos desgnios de Deus.
      Em 323 a.C., morreu repentinamente. Com ele, morreram tambm os seus sonhos de ecumenizar a humanidade. Na cidade, palco de tantos acontecimentos importantssimos 
para a Histria, cai o bravo prncipe macednio. O imprio desse jovem monarca no resiste  sua morte. Conforme profetizara Daniel, as possesses alexandrinas so 
repartidas entre os mais ilustres militares gregos.
      Coube a Lsimaco a Trcia e uma parte da sia Menor. A Cassandro, a Macednia e a Grcia. A Seleuco, a Sria e o Oriente. E, a Ptolomeu, o Egito. De conformidade 
com as palavras do Senhor, o Imprio Grego foi dividido. Desfazia-se, assim, o sonho pan-helenstico de um grande visionrio.
      Uma das maiores realizaes de Alexandre Magno foi a difuso universal da cultura grega. Esse magnfico empreendimento cultural facilitaria, mais tarde, a 
propagao global do Evangelho. O apstolo Paulo, por exemplo, em suas viagens missionrias, no encontrou quaisquer dificuldades em se comunicar com os gentios, 
em virtude da internacionalizao do koin - grego vulgar. O historiador
      Robert Nichols Hasting afirma que os helenos deram substancial contribuio ao plano salvfico de Deus.
      
      III - GEOGRAFIA DA GRCIA
      A Grcia constitui-se, praticamente, de uma pennsula localizada no Sudeste da Europa. Esse maravilhoso pas  banhado por trs mares: a leste, pelo Egeu; 
ao sul, pelo Mediterrneo; e a oeste pelo Jnico. A Macednia ficava ao norte. Nos primrdios, o territrio grego era conhecido como Acaia e limitava-se, ao sul 
da pennsula. A regio ocupada por Atenas, nessa mesma poca, era denominada de tica.
      Toda recortada pelo mar, a Grcia  cercada por muitas ilhas e ilhotas. A natureza prodigalizou a Hlade com numerosas montanhas e abruptos declives. Negou-lhe, 
entretanto, caudalosos rios e extensas plancies. A hidrografia grega  pauprrima. Por causa disso, os helenos s cultivam sementes que resistam aos longos estios 
e s altas temperaturas.
      Em virtude da inclemncia do clima e do solo de sua terra, os gregos comearam a dar asas  sua imaginao. Sonharam com outras terras e vislumbraram novos 
horizontes. Embevecidos de sonhos e esperanas, provocaram a sua dispora, que durou do Sculo XII ao Sculo VI a.C. Eles fundaram colnias nas ilhas do mar Egeu, 
do mar Mediterrneo e do mar Negro. Instalaram-se, ainda, na sia Menor, no Sul da Itlia, no Norte da frica e at em Masslia, territrio ocupado, hoje, pela Frana.
      A partir do Sculo IV a.C. a histria da Grcia entrelaa-se  da Macednia.  bom conhecermos, por conseguinte, algumas particularidades geogrficas desse 
pas que, sob a roupagem helena, quase conquistou a Terra.
      A Macednia limitava-se, ao sul com a Grcia; ao leste, com o mar Egeu e com a Trcia; ao norte, com os montes balcnicos; e, a oeste, com a Trcia e o Ilaco. 
Hodiernamente, o territrio macednio  ocupado pela Grcia, Iugoslvia, Bulgria, Albnia e a parte europia da Turquia. O pas de Alexandre Magno era uma vastssima 
plancie frtil, cercada de altas montanhas.
      Na Macednia, ficava a cidade de Filipos, onde o Evangelho, atravs de Paulo, foi pregado, pela primeira vez, em territrio europeu. Dessa regio estratgica, 
a Palavra de Deus estendeu-se por toda a Europa, alcanando milhes de almas. O territrio macednio, portanto, serviu de importantssima base missionria para o 
apstolo dos gentios coroar de xitos a sua carreira crist.
      Alexandre Magno, lanou-se da Macednia para conquistar o mundo. Do mesmo lugar, o apstolo Paulo lanou-se  Europa para ganhar o mundo, mas, para Cristo. 
As glrias do prncipe macednio, entretanto, feneceram. - E, as glrias do Evangelho? - Continuam a brilhar!
      
      IV - OS GREGOS E OS JUDEUS
      De acordo com alguns historiadores, o contato de Alexandre Magno com os judeus foi rpido e emocionante. O cronista hebreu Flvio Josefo narra-nos este encontro: 
"Dario, tendo sabido da vitria obtida por Alexandre sobre seus generais, reuniu todas as foras, para marchar contra ele, antes que se tornasse Senhor de toda a 
sia; depois de ter passado o Eufrates e o monte Tauro, que est na Cilcia, resolveu dar-lhe combate. Quando Sanabaleth viu que ele se aproximava de Jerusalm, 
disse a Manasses que cumpriria sua promessa logo que Dario tivesse vencido Alexandre, pois ele, e todos os povos da sia estavam convictos de que os macednios, 
sendo em to pequeno nmero, no ousariam combater contra o formidvel exrcito dos persas. Mas os fatos mostraram o contrrio. A batalha travou-se: Dario foi vencido 
com graves perdas; sua me, sua mulher e seus filhos ficaram prisioneiros e ele foi obrigado a fugir para a Prsia. Alexandre, depois da vitria, chegou  Sria, 
tomou Damasco, apoderou-se de Sidom e sitiou Tiro. Durante o tempo em que ele esteve empenhado nessa empresa, escreveu a Jaddo, Gro-Sacrificador dos judeus, pedindo-lhe 
trs coisas: auxlio, comrcio livre com seu exrcito e o mesmo auxlio, que ele dava a Dario, garantindo-lhe que se o fizesse, no teria de que se arrepender, por 
ter  preferido sua amizade  dele.  O Gro-Sacrificador respondeu-lhe que os judeus tinham prometido a Dario, com juramento, jamais tomar as armas contra ele e por 
isso no podiam faz-lo, enquanto ele vivesse. Alexandre ficou to irritado com esta resposta, que mandou dizer-lhes que logo que tivesse tomado Tiro, marcharia 
contra ele, com todo o seu exrcito, para ensinar-lhe, e a todos, a quem  que se devia guardar um juramento. Atacou Tiro com tanta fora, que dela logo se apoderou; 
depois de ter regularizado todas as coisas, foi sitiar Gaza onde Bahmes governava em nome do Rei da Prsia.
      "Voltemos, porm, a Sanabaleth. Enquanto Alexandre ainda estava ocupado do cerco de Tiro, ele julgou que o tempo era prprio para realizar seu intento. Assim, 
abandonou o partido de Dario e levou oito mil homens a Alexandre. O grande prncipe recebeu-o muito bem; disse-lhe ento ele que tinha um genro de nome Manasses, 
irmo do Gro-Sacrificador dos judeus, que vrios daquela nao se tinham juntado a ele pelo afeto que ele lhes tinha e que ele desejava construir um templo perto 
de Samaria; que S. Majestade disso poderia tirar grande vantagem, porque assim dividiria as foras dos judeus e impediria que aquela nao pudesse se revoltar por 
inteiro e causar-lhe dificuldades, como seus antepassados tinham dado aos reis da Sria. Alexandre consentiu no seu pedido; mandou que se trabalhasse com incrvel 
diligncia na construo do templo e constituiu Manasses Gro-Sacrificador; Sanabaleth sentiu grande alegria por ter granjeado to grande honra aos filhos que ele 
teria de sua filha. Morreu, depois de ter passado sete meses junto de Alexandre no cerco de Tiro e dois no de Gaza. Quando este ilustre conquistador tomou esta ltima 
cidade, avanou para Jerusalm e o Gro-Sacrificador Jaddo, que bem conhecia a sua clera contra ele, vendo-se com todo o povo em to grave perigo, recorreu a Deus, 
ordenou oraes pblicas para implorar o seu auxlio e ofereceu-lhe sacrifcios. Deus apareceu-lhe em sonhos na noite seguinte e disse-lhe para espalhar flores pela 
cidade, mandar abrir todas as portas e ir revestido de seus hbitos pontificais, com todos os sacrificadores, tambm assim revestidos e todos os demais, vestidos 
de branco, ao encontro de Alexandre, sem nada temer do soberano, por que ele os protegeria.
      "Jaddo comunicou com grande alegria a todo o povo a revelao que tivera e todos se preparam para esperar a vinda do rei. Quando se soube que ele j estava 
perto, o Gro-Sacrificador, acompanhado pelos outros sacrificadores e por todo o povo, foi ao seu encontro, com essa pompa to santa e to diferente da das outras 
naes, at o lugar denominado Sapha, que, em grego, significa mirante, porque de l se podem ver a cidade de Jerusalm e o templo. Os fencios e os caldeus, que 
estavam no exrcito de Alexandre, no duvidaram de que na clera em que ele se achava contra os judeus ele lhes permitiria saquear Jerusalm e dai ia um castigo 
exemplar ao Gro-Sacrificador. Mas aconteceu justamente o contrrio, pois o soberano apenas viu aquela grande multido de homens vestidos de branco, os sacrificadores 
revestidos com seus paramentos de Unho e o Gro-Sacrificador, com seu fode, de cor azul, adornado de ouro, e a tiara sobre a cabea, com uma lmina de ouro sobre 
a qual estava escrito o nome de Deus, aproximou-se sozinho dele, adorou aquele augusto nome e saudou o Gro-Sacrificador, ao qual ningum ainda havia saudado. Ento 
os judeus reuniram-se em redor de Alexandre e elevaram a voz, para desejar-lhe toda sorte de felicidade e de prosperidade. Mas os reis da Sria e os outros grandes, 
que o acompanhavam, ficaram surpresos, de tal espanto que julgaram que ele tinha perdido o juzo. Parmnio, que gozava de grande prestgio, perguntou-lhe como ele, 
que era adorado em todo o mundo, adorava o Gro-Sacrificador dos judeus. No  a ele, respondeu Alexandre, ao Gro-Sacrificador, que eu adoro, mas  a Deus de quem 
ele  ministro. Pois quando eu ainda estava na Macednia e imaginava como poderia conquistar a sia, ele me apareceu em sonhos com esses mesmos hbitos e me exortou 
a nada temer; disse-me que passasse corajosamente o estreito do Helesponto e garantiu-me que ele estaria  frente de meu exrcito e me faria conquistar o imprio 
dos persas. Eis por que, jamais tendo visto antes a ningum revestido de trajes semelhantes aos com que ele me apareceu em sonho, no posso duvidar de que foi por 
ordem de Deus que empreendi esta guerra e assim vencerei a Dario, destruirei o imprio dos persas e todas as coisas suceder-me-o segundo meus desejos.
      "Alexandre, depois de ter assim respondido a Parmnio, abraou o Gro-Sacrificador e os outros sacrificadores, caminhou depois no meio deles at Jerusalm, 
subiu ao templo, ofereceu sacrifcios a Deus da maneira como o Gro-Sacrificador lhe dissera que devia fazer. O soberano Pontfice mostrou-lhe em seguida o livro 
de Daniel no qual estava escrito que um prncipe grego destruiria o imprio dos persas e disse-lhe que no duvidava de que era ele de quem a profecia fazia meno.
      "Alexandre ficou muito contente; no dia seguinte, mandou reunir o povo e ordenou-lhe que dissesse que favores desejava receber dele. O Gro-Sacrificador respondeu-lhe 
que eles lhe suplicavam permitir-lhes viver segundo suas leis, e as leis de seus antepassados e isent-los no stimo ano, do tributo que lhe pagariam durante os 
outros. Ele concedeu-lho. Tendo-lhe, porm, eles pedido que os judeus que moravam na Babilnia e na Mdia, gozassem dos mesmos favores, ele o prometeu com grande 
bondade e disse que se algum desejasse servir em seus exrcitos ele o permitiria viver segundo sua religio e observar todos os seus costumes. Vrios ento alistaram-se."
      Aps a morte de Alexandre Magno, como j dissemos,
      O Imprio Grego foi dividido entre quatro generais: Lsimaco, Cassandro, Ptolomeu e Seleuco. Ambiciosos, auto-coroaram-se e trataram de solidificar seus reinos. 
Seus interesses entrechocaram-se muitas vezes, ocasionando violentas escaramuas. Esses potentados subsistiram at a ascenso do Imprio Romano.
      Deter-nos-emos, entretanto, apenas nas crnicas ptolomaicas e selucidas, por causa de seu relacionamento com os filhos de Israel.
      
      1 - Os Ptolomeus
      Sob a gide dos Ptolomeus, experimenta o Egito um grande progresso. Em virtude de sua formidvel e gil frota, torna-se o mais poderoso reino grego. No obstante 
as guerras e a poltica agressiva da Sria, consegue manter sua supremacia at o Sculo II a.C. Quando da ascenso da dinastia ptolomaica, havia, na mais florescente 
cidade egpcia - Alexandria - uma grande colnia judaica.
      Complacentes e liberais, os ptolomeus permitiram aos dispersos de Jud o cultivo de suas tradies e a adorao de Jeov. To magnnimos eram esses soberanos 
que, inclusive, incentivavam os judeus a continuar a praticar os ritos mosaicos. Ptolomeu Filadelfo, por exemplo, encomendou aos eruditos hebreus a traduo do Antigo 
Testamento em lngua grega. Essa verso, composta em primoroso e escorreito grego,  conhecida como a Septuaginta. Em Alexandria, ainda, os dispersos filhos de Abrao 
foram autorizados a construir um templo para perpetuar o nome do Santo de Israel.
      Ventos de destruio e morte, entretanto, acabariam com a bonana da progressista comunidade judaica egpcia. Tudo aconteceu com a ascenso de Ptolomeu IV. 
Esse soberano, conhecido tambm como Filopator, encetou uma campanha militar de grande envergadura contra Antoco, o Grande, com o objetivo de reconquistar a Palestina.
      Depois de derrotar os srios e entrar triunfalmente em Jerusalm, comeou a urdir perigoso e sacrlego plano: entrar no Santo Templo. Descobrindo-lhe o intento, 
os judeus puseram-se  porta da Casa do Senhor e, com incontido fervor, comearam a gritar e a protestar contra essa ignominiosa inteno.
      Severamente pressionado, Filopator contm-se e no entra no santurio-maior do povo israelita. Todavia, a partir daquele momento, devota-lhe incontrolvel 
dio. De volta ao Egito, comea a perseguir os judeus e, conseqentemente, a perder o importante respaldo poltico da comunidade israelita plantada em solo egpcio.
      Dessa poca em diante, o reino ptolomaico comea a perder a sua importncia. O cenrio poltico do Oriente Mdio, doravante, seria dominado pela Sria.
      
      
      
      2 - Os Selucidas
      A Sria experimentou grande progresso sob o reinado dos selucidas. Com o seu poderoso exrcito, fez aguerrida oposio s intenes hegemnicas dos ptolomeus. 
No perodo inter-testamental, influiu, grandemente, na poltica do Oriente Mdio. E, por causa de suas intenes de helenizar a regio, principalmente a Judia, 
tornou-se grande opositora da nao de Israel.
      O imprio selucida recebe o nome de seu primeiro soberano. Aps a morte de Alexandre Magno, o audaz e ambicioso Seleuco estabelece poderoso reino na Sria. 
Os trs primeiros monarcas selucidas mantiveram trato amigvel com os judeus. Antoco III, por exemplo, no obstante suas intenes de anexar a Palestina,  aclamado 
como libertador pelos filhos de Israel. Seus mpetos expansionistas so refreados, todavia, por Roma.
      Antoco III  substitudo pelo seu filho, Antoco Epfanes. Movido por incontrolvel dio, perseguiu violentamente os judeus. - Qual o motivo de sua inexplicvel 
ira? -Segundo Flvio Josefo, ele foi levado a agir de forma to insana ao ver frustrado o seu plano de helenizar a Judia.
      Encarnando o prprio Diabo, esse contumaz e demente soberano entrou em Jerusalm e profanou o santo Templo. No lugar santssimo, sacrificou uma porca. Os judeus, 
entretanto, no se conformam. Sob a liderana dos Macabeus, rebelaram-se e humilharam o agressor. A revolta macabia  uma das mais belas pginas da nao judaica.
      
      V - FIM DO IMPRIO GREGO
      Esfacelado e arruinado por disputas intestinas, chegou ao fim o glorioso Imprio Grego. Em seu lugar, levanta-se o terrvel e assombroso animal, visto por 
Daniel sculos antes. O Imprio Romano, de acordo com a viso do santo profeta, seria diferente de todos os outros - conquistaria, esmagaria. Qual desamparada virgem, 
a nao de Israel sentiria, tambm, quo frreas e afiadas so as garras de Roma.
      
      
      
      
      
    O Imprio Romano
    
      Sumrio: Introduo. I - Histria do Imprio Romano. II - Geografia do Imprio Romano. III - O legado do Imprio Romano. IV - O Imprio Romano e os judeus. 
V - O Imprio Romano e os cristos. VI - Fim do Imprio Romano.
      
      INTRODUO
      Simbolizado pelo ferro, o Imprio Romano conquistou e subjugou muitos povos. Do Ocidente ao Oriente, o peso de seus punhos era conhecido e proverbial. Jamais 
houvera reino to poderoso! A simples meno de seu nome era mais do que suficiente para amedrontar povos, derrubar reis e dilatar fronteiras.
      Eis como Daniel viu esse frreo imprio: "Depois disto, eu continuava olhando nas vises da noite, e eis aqui o quarto animal, terrvel,, espantoso e sobremodo 
forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele devorava e fazia em pedaos, e pisava aos ps o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes 
dele, e tinha dez chifres" (Dn 7.7).
      As histrias de Roma e Israel estreitam-se em Jerusalm e na Eternidade. Em Jerusalm, porque foram os romanos que destruram a amada e idolatrada capital 
do judasmo. Na eternidade, porque foram os romanos, tambm, quem assinaram a sentena de morte de Cristo, o Filho do Deus Vivo!
      O Imprio Romano, portanto, ser tratado com severidade no Dia do Senhor!
      
      I - HISTRIA DO IMPRIO ROMANO
      Enquanto Alexandre Magno conquistava o Oriente e esmagava o at ento invencvel poderio persa, um outro imprio comeava a despertar e a incomodar o mundo. 
Fundada por Rmulo e Remo, provavelmente, e de incio humilde e at desprezvel, Roma vai ampliando com vagar seus raios de influncia. No Sculo III a.C, j  senhora 
de toda a pennsula itlica.
      Roma, habitada por indo-europeus, que, em levas sucessivas, fixaram-se em seu territrio miscigenando-se aos etruscos, gregos e gauleses, ela no pra de expandir-se. 
Durante a Primeira Guerra Pnica (264-241 a.C.), os romanos venceram os cartagineses e apossaram-se das ilhas sicilianas. Sentindo-se fortalecidos, eles anexam a 
Crsega e a Sardenha e derrotam os gauleses no Vale do P.
      Nas duas ltimas guerras pnicas, Roma derrota o brilhante general cartagins, Anbal, e pe trmino a grandeza incmoda de Cartago. Netta Kemp de Money explica 
as conseqncias desses primeiros sucessos romanos: "Estas guerras lanaram as sementes da conquista da bacia oriental, posto que Filipe V da Macednia havia ajudado 
a Anbal; e Antoco, o Grande, da Sria, lhe havia concedido asilo depois de sua derrota. Filipe foi vencido e os esforos de seu filho Perseu, para vingar a derrota, 
fracassaram. Diante desta demonstrao de poder de Roma, quase todos os prncipes do Oriente optaram por reconhecer sua supremacia e aliar-se com a potncia superior. 
Antoco, o Grande, havia sonhado com a conquista da Grcia, porm, foi vencido pelos romanos na batalha de Magnsia, e a seu neto, Antoco Epfanes, que se havia 
proposto agregar o Egito e seus domnios, bastou uma represso de Roma para que desistisse. Houve uma ou outra escaramua depois dos meados do sculo segundo antes 
de Cristo, porm, desde aquela poca, todo o mundo teve de reconhecer a supremacia da repblica romana."
      
      II  - GEOGRAFIA DO IMPRIO ROMANO
       difcil traar os limites do Imprio Romano. Dilatadssimo, mantinha incontveis provncias na Europa, sia e frica. Foi o mais poderoso reino da Terra. 
Sua presena era sentida em todas as partes do Globo.
      Nos tempos de sua maior extenso, informa John Davis, o Imprio Romano media 3.000 milhas de este a oeste, e 2.000 de norte a sul, com uma populao de 120.000.000.
      
      III - O LEGADO DO IMPRIO ROMANO
      Os gregos legaram-nos a base da sociedade ocidental. Os romanos, sua estrutura. Pragmticos e administradores por excelncia, deixaram-nos colossal monumento 
jurdico esculpido em sua experincia privada e pblica.
      Souto Maior, em sua Histria Universal, diz-nos como os romanos fizeram suas leis: "O direito romano foi um dos legados mais importantes deixados por Roma 
s civilizaes que lhe sucederam. O antigo direito consuetudinrio, isto , baseado no uso e nos costumes, passou a ser direito escrito com a Lei das 12 Tbuas, 
que  considerada a mais antiga lei romana.
      "O sistema jurdico dos romanos resultou no somente da necessidade de governar os diferentes povos dos pases conquistados mas, tambm, da natural substituio 
de antigos costumes por certos princpios gerais que se foram condensando atravs dos editos dos pretores.
      "Os pretores eram magistrados encarregados da administrao da justia. No comeo de sua gesto, o pretor comumente promulgava um edito, estabelecendo os princpios 
que iriam orientar os seus julgamentos: embora geralmente os pretores apenas repetissem o que j estava estabelecido por seus predecessores, de vez em quando surgiam 
novas regras, modificando a estrutura jurdica precedente.
      "Antes do III sculo a.C. existia apenas o 'praetor urbanus', isto , o juiz da cidade. Depois, estabeleceu-se o cargo de 'praetor peregrinus' que deveria 
julgar os casos entre cidados romanos e estrangeiros.
      "Aplicando e interpretando a lei, os pretores criaram duas espcies de direito: o que se aplicava aos cidados romanos, chamado 'jus civile', e o que dizia 
respeito a todos os povos de maneira geral, denominado 'jus gentium'. Era o 'jus gentium' que autorizava a existncia da escravido e da propriedade privada, sendo, 
portanto, um complemento do 'jus civile.'
      "No sculo II a.C, foi elaborado, por Slvio Juliano, sob o governo de Adriano, o Edito Perptuo, que codificava os editos dos pretores e tambm os dos imperadores.
      "Admitiram tambm os romanos a existncia de um 'jus naturale', que no era propriamente um conjunto de leis e sim a idia de que, acima do Estado e das instituies, 
existe um princpio de justia vlido universalmente, ou, como afirmou Ccero, 'uma razo justa, consoante  natureza, comum a todos os homens, constante, eterna'.
      "O 'jus civile' romano estabeleceu uma perfeita distino entre pessoa e pessoas ao mesmo tempo. Os escravos no eram considerados pessoas e, assim, destitudos 
de quaisquer direitos."
      Eis mais alguns importantes legados romanos: tiroc-nio administrativo; engenharia diversificada e prtica; poltica exterior fundada no pragmatismo; disciplina 
e agilidade nas foras armadas, e, urbanizao eficaz.
      
      IV - O IMPRIO ROMANO E OS JUDEUS
      Ao tomar Jerusalm, em 63 a.C, o general romano Pompeu depara-se com a nao judaica bastante enfraquecida, em conseqncia de renhidas disputas internas. 
Depois de um comeo brilhante e glorioso, a famlia macabia passa a fazer escusas manobras para manter-se no poder. Conhecida, tambm, como dinastia hasmoneana, 
acabou por cair nas garras de uma ambiciosa e pertinaz famlia idumia, de onde viria um monstro voraz e impiedoso -Herodes, o Grande.
      Pompeu estava no Oriente Mdio para conter o ex-pancionismo de Mitrdates, rei do Ponto. Sonhando construir ura grande imprio, esse monarca intentava conquistar 
a sia Menor e a Palestina e, assim, minar a posio romana nessa to estratgica rea. Preocupada, Roma envia  regio um bravo e nobre general.
      Grande estrategista, Pompeu vence o rei Mitrdates, que se refugia na Armnia. Mesmo vencido, o ambicioso soberano reorganiza-se e tenta tomar a Sria. O general 
romano, entretanto, intervm uma vez mais e o derrota definitivamente.
      O governo de Roma, satisfeito com o desempenho de seu brilhante militar, designa-o governador das provncias da sia. Foi nessa qualidade, que Pompeu recebeu 
Arist-bulo e Alexandre. Disputando ferrenhamente o trono da Judia, ambos submetem-se  sua arbitragem. O povo, contudo, no deseja ser governado por nenhum dos 
dois.
      Que deciso tomar?
      Prtico, o general romano desejava colocar sobre os judeus um rei ttere. Entre os contendores, opta pelo mais manobrvel e influencivel. A escolha recai 
sobre Hircano, cujo carter era dbil. A deciso de Pompeu desagrada, profundamente, a Aristbulo, que comea a arquitetar planos de vingana e revolta.
      Hircano, respaldado por Roma, assume o poder e introduz, em Jerusalm, o exrcito romano. Revoltado, Aristbulo encerra-se no Santo Templo com 12 mil partidrios. 
Pompeu, ao examinar detidamente a questo, decide tomar o santurio.
      A luta  grande. O espetculo, dantesco. Aristbulo consegue fugir. Seus homens, contudo, so aniquilados. Sentindo-se senhor da situao, Pompeu penetra no 
lugar mais sagrado do Templo - o santssimo. Esperava, quem sabe, deparar-se com segredos etreos e mistrios celestiais. Contempla, no entanto, um singelo altar, 
cuja glria residia no nome do Santo de Israel. Dessa maneira, deixa a Casa do Senhor.
      Depois dessa interveno, a Judia torna-se provncia romana.-Nessa qualidade, fica sujeita aos mais absurdos caprichos dos poderosos senhores de Roma. Durante 
o primeiro triunvirato, Crasso, para mostrar seus mritos militares, declara guerra aos partos. Mas, como financiar to arrojada campanha? Lembra-se dos lendrios 
tesouros do Templo e o saqueia. Com dez mil talentos de ouro, tenta conseguir seu intento. Embora impetuoso e feroz, no  bem sucedido: perde a guerra, o dinheiro 
e a vida.
      De manobra em manobra, Herodes, o Grande, consegue dos romanos o governo e o trono da Judia. Sua carreira poltica teve incio, quando ele tinha 15 anos. 
Desde cedo mostrou-se cruel e sanguinrio. No tolerava quaisquer arranhes em sua autoridade. Sedento de poder, prendia, desterrava e matava.
      To maquiavlico era Herodes que, fcil e rapidamente, ganhou a confiana dos mandatrios romanos. Nas situaes mais adversas, mostrava quo habilidoso poltico 
era. Ele no suportava a menor ameaa ao seu trono. No hesitou, por exemplo, em assassinar seus filhos Aristbulo e Alexandre. Carcomido de cimes, executou tambm 
sua belssima esposa Mariana, descendente dos macabeus.
      Em 37 a.C, finalmente, o monstruoso Herodes liquidou a brava e herica dinastia hasmoneana. Enfim, o trono da Judia era todo seu! Um de seus ltimos desatinos 
foi a matana dos inocentes de Belm. Sua real inteno era destruir a vida do infante Jesus. Depois de todas essas sandices, o perverso idumeu desapareceu entre 
atrozes dores e com suas entranhas consumidas por vermes. Uma de suas grandes obras foi a ampliao e embelezamento do Templo. Mesmo assim, os judeus no se esqueceram 
de seus brbaros e selvagens crimes.
      Das personalidades romanas enviadas  Judia, destacaremos, a seguir, apenas duas. Uma, responsvel pela morte de Jesus, e a outra, pela destruio de Jerusalm. 
Referimo-nos a Pncio Pilatos e ao general Tito.
      
      1 - Pilatos
      Pncio Pilatos assumiu o governo da Judia no ano 26 d.C. Nomeado por Tibrio, sua administrao foi tumultuada e cheia de agitaes. O historiador e filsofo 
hebreu, Filo, escreve sobre o quinto governador romano da terra de Jud, taxando-o de rgido, teimosamente severo, de disposio pronta a despeitar os outros; era 
excessivamente iracundo. O mesmo cronista fala, ainda, dos subornos, atos de orguho e violncia, ultrajes, brutalidades e assassinatos cometidos por essa autoridade 
romana.
      Pertencente  ordem eqestre ou  classe mdia superior romana, Pilatos dispunha de amplos poderes na Judia. Tendo  sua disposio formidvel aparato militar, 
tinha autoridade para prender, executar e suspender qualquer pena capital. Sob a sua custdia, ficavam as vestes sacerdotais. Ele s as entregava ao sumo sacerdote, 
por ocasio dos festivais judaicos.
      Inescrupuloso, provocou a ira dos judeus, certa ocasio, ao trazer a Jerusalm, pendes com a figura do imperador romano. Os israelitas, no suportando tamanha 
idolatria, comearam a gritar e a protestar, at que as imagens foram retiradas. Mostrando-se lerdo para aprender os costumes judaicos, de outra feita, confiscou 
dinheiro do templo para construir um aqueduto em Jerusalm. Os protestos gerados por esse arbtrio foram tambm violentos, contribuindo para desequilibrar sua administrao.
      Sua perversidade, contudo, escondia um carter fraco e uma vontade dbil. Ele estava mais interessado em agradar ao imperador, do que a lutar por princpios 
justos e ideais verdadeiros. Haja vista, por exemplo, quo ambguo foi seu comportamento quando do julgamento de Jesus Cristo. Procurando adular seu soberano e os 
lderes judaicos, consentiu, judicialmente, a morte do Salvador da humanidade.
      Depois de muitas desventuras, Pilatos foi forado a suicidar-se pelo imperador Gaio. No inferno, segundo uma lenda, est a lavar suas mos continuamente, mas, 
no consegue livrar-se das manchas carmesins do sangue do Cordeiro de Deus.
      
      2 - Tito
      Ao rejeitar o seu Cristo, os judeus disseram: "Caia sobre ns o seu sangue, e sobre nossos filhos!" (Mt 27.25.) Essas duras e irresponsveis palavras foram 
pronunciadas ante Pncio Pilatos que pretendia indultar algum por ocasio da Pscoa. Ao pedir que escolhessem entre Jesus e
      Barrabs. eles no titubearam. Com os seus coraes cheios de dio, optaram por um salteador e entregaram o bondoso -Jesus  morte.
      Com essa insana escolha, os filhos de Abrao comeavam a escrever um dos mais tristes e funestos captulos de sua atribulada histria. O sangue do Nazareno 
comearia a cair-lhes sobre a cabea a partir do ano 70 d.C, com a destruio de Jerusalm e do Templo pelos romanos.
      Nessa poca, o Cristianismo j havia alcanado os mais longnquos rinces do Imprio Romano. A religio do Nazareno, inclusive, j havia conquistado considervel 
terreno na luxuriante e orgulhosa Roma.
      Na Judia, enquanto isso, os israelitas foram obrigados a suportar toda a sorte de arbitrariedade das autoridades romanas. O governador Gesius Florus, por 
exemplo, assumiu o poder com o esprito eivado de preconceitos contra os judeus. O carrasco, como era conhecido, quebrantou as leis mosaicas e desrespeitou, acintosa 
e publicamente, as mais caras tradies do povo de Israel. Para esse procurador, os hebreus no passavam de um bando de fanticos e desequilibrados.
      Em Cesaria, os gregos, vendo a forma como Florus tratava os judeus, comeou a persegui-los com redobrado fervor. A vida da comunidade judaica, nessa cidade, 
transformou-se num inferno. Os israelitas nem mesmo podiam adorar a Deus. Em frente s sinagogas, os helenos promoviam grandes tumultos, impedindo a realizao dos 
ofcios religiosos.
      Uma delegao judaica foi enviada a Gesius Florus para pedir-lhe proteo. O governador romano, no entanto, ordenou a matana dos representantes judeus.
      A notcia da aflio dos israelitas de Cesaria chegou a Jerusalm e causou profunda comoo. Os zelotes entraram em ao e iniciaram uma guerra de guerrilhas 
contra as foras romanas. Deteriorou-se a situao quando Florus exigiu 17 talentos de ouro que se encontravam no Templo.
      A partir da, alastrou-se o conflito romano-judaico.
      O governador da Sria, Cstius Gallus, viajou a Jerusalm para investigar as causas do levante. Sua presena, no entanto, provocou profundo mal-estar, por 
incorporar a 80 imagem da opressora Roma. Embora estivesse acolitado por poderoso exrcito, foi ele obrigado a deixar a cidade. Aps sofrer vergonhosa e fragorosa 
derrota, refugiou-se no territrio srio.
      Os nacionalistas judeus, entusiasmados com essa vitria, preparam-se para novos combates. Inicialmente, apenas os pobres compunham os quadros da resistncia. 
Com os primeiros sucessos, porm, os ricos e nobres passaram, com o mesmo mpeto, a atacar os exrcitos romanos. O historiador Flvio Josefo, de origem aristocrtica, 
encontrava-se entre os combatentes judeus.
      Nero foi notificado do levante na Judia, quando se encontrava na Grcia assistindo aos jogos olmpicos e participando de alegres festas. Para sufocar a rebelio, 
enviou  Palestina um de seus mais competentes militares. Estrategista de primeira grandeza, o general Vespasiano comea a tomar cidade aps cidade dos revoltosos. 
Quando preparava-se para sitiar Jerusalm, foi chamado s pressas  capital do imprio. Com a morte do desvairado Nero, foi ele aclamado imperador.
      A tarefa de sitiar e tomar a Cidade Santa  entregue, ento, ao filho de Vespasiano. Com a mesma determinao do pai, o general Tito lana-se sobre Jerusalm, 
no ano 70 d.C.
      O historiador israelita, Simon Dubnow, narra-nos, com vivas cores, como a mais amada das cidades judaicas foi destruda:
      "...a fome se alastrava cada vez mais por Jerusalm; os cereais armazenados j se haviam esgotado h muito tempo; os ricos entregavam suas propriedades e os 
pobres seus ltimos pertences em troca de um pedao de po. Histrias terrveis se gravaram na memria do povo a respeito dos acontecimentos daqueles dias. Martha, 
a abastada viva do sumo sacerdote Jesus Ben Gamaliel, em cuja passagem, quando se dirigia ao Templo, se estendiam, outrora, preciosos tapetes, se via agora na contingncia 
de aliviar sua fome com restos recolhidos nas ruas; outra mulher rica, levada pela fome, degolou o prprio filhinho para com-lo. As ruas estavam repletas de cadveres 
e de gente desfalecida, e no havia tempo para enterrar os mortos. Os cadveres espalhados por toda a parte empestavam o ar. A fome, a epidemia e as setas do inimigo 
provocaram a runa nas fileiras dos defensores; mas os que ainda resistiam no perdiam as esperanas. Este herosmo e pertincia do povo assombrou at os hericos 
romanos. Finalmente, eles dirigiram suas mquinas de assdio contra as fortificaes do Templo. Quando os romanos tomaram a Torre Antnia, descobriram repentinamente 
espessas muralhas que circundavam o Templo, e, como fosse impossvel derrub-las, Tito ordenou que se incendiassem os portes exteriores, dos quais partia uma srie 
de colunas que chegavam at o prprio Templo; os guerreiros judeus lutaram como lees, e cada passo para o Templo custava ao inimigo rios de sangue.
      "De repente, um soldado romano agarrou um lenho ardente e lanou-o ao interior do Templo, atravs de uma janela. As portas de madeira das salas do Templo se 
inflamaram e logo todo o Templo se achava envolto em chamas. Tito, que se dirigiu imediatamente para o lugar atingido, proferiu aos soldados, em altas vozes, a ordem 
de sufocar o incndio e salvar o esplndido edifcio. Mas devido ao estrpido ensurdecedor das construes que caam, aos gritos desesperados dos sitiados e ao rudo 
das armas, tornou-se impossvel perceber a voz do chefe. Os enfurecidos romanos lanaram-se sobre as cmaras no afetadas ainda pelo fogo, com o fim de roubar os 
tesouros ali acumulados, mas somente puderam penetrar pisando os cadveres dos guerreiros judeus, que lhes opunham uma grande resistncia no meio das labaredas. 
Ento, os vencedores deram livre expanso  sua clera. Velhos, mulheres e crianas foram assassinados sem compaixo; muitos hebreus encontraram a morte nas chamas, 
s quais se precipitaram valentemente. O Templo, orgulho da Judia, transformou-se em um monte de escombros, sendo destrudo na mesma data (nove e dez de Aw) em 
que fora destroado antigamente o primeiro templo por Nabucodonosor. Dos objetos contidos no Templo, s permaneceram intatos o candelabro, a mesa sagrada e um rolo 
da Tora. Tito ordenou lev-los e conserv-los como lembrana de seu triunfo. "Com a runa de Jerusalm, desmembrou-se por completo o Estado Judeu. Esta luta to 
singular na histria, luta entre um Estado minsculo e o Imprio mais poderoso do mundo, absorveu uma infinidade de vtimas e cerca de um milho de judeus pereceu 
na guerra com os romanos (66-70) e uns cem mil foram feitos prisioneiros. Desses cativos, alguns foram mortos, outros enviados a trabalhos forados ou vendidos como 
escravos nos mercados da sia e frica; mas os mais fortes e belos ficaram para lutar com feras nos circos romanos e acompanhar Tito em sua solene entrada em Roma. 
Sempre que Tito celebrava o aniversrio de seu pai e de seu irmo, organizava jogos militares e lutas de gladiadores, nos quais se arrojavam muitos judeus s feras 
do circo, para que os destroassem, divertindo o pblico."
      Para comemorar a sua vitria, o imperador Vespasiano ordenou a cunhagem de moedas especiais que traziam uma mulher acorrentada e a seguinte expresso: "Judia 
cativa, Judia vencida."
      Poucos anos aps a queda de Jerusalm, judeus e romanos voltariam a enfrentar-se. O renhido combate foi travado em Massada. Mostrando mais uma vez sua audcia 
e coragem, a resistncia judaica preferiu autodestruir-se, a entregar-se ao opressor romano. A partir de ento, toda a Judia passou a pertencer aos imperadores 
romanos, que passaram a doar seus lotes ou vend-los.
      
      V - O IMPRIO ROMANO E OS CRISTOS
      O judasmo era tolerado no Imprio Romano, por no possuir carter proselitista. A religio judaica limitava-se aos judeus. Raros eram os proslitos. Os rabinos 
no tinham esprito apostlico. s autoridades de Roma, por isso mesmo, permitiam o funcionamento de sinagogas e escolas hebraicas. A situao, contudo, foi substancialmente 
alterada com a guerra na Judia em 70 d.C.
      Em conseqncia de seu esprito missionrio, o Cristianismo, desde o seu nascedouro, foi duramente perseguido. As autoridades romanas viam-no como uma perigosssima 
ameaa. E, de fato, a religio do Nazareno visava e visa a conquista espiritual do mundo. Antes de sua ascenso, ordenara Jesus aos seus apstolos: "Foi-me dada 
toda a autoridade no cu e na terra. Portanto ide, fazei discpulos de todas as naes, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Esprito Santo; ensinando-os 
a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, at a consumao dos sculos" (Mt 28.18-20).
      E, nos momentos que antecederam sua subida aos cus, o Ressuscitado fez esta recomendao aos seus apstolos: "Mas recebereis poder, ao descer sobre vs o 
Esprito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalm, como em toda a Judia e Samaria, e at os confins da terra" (At 1.8). A partir desse momento, desse 
glorioso e memorvel momento, tem incio uma luta mortal entre o Reino de Deus (a Igreja) e o principado das trevas (o Imprio Romano).
      Os imperadores movem cruentas e impiedosas perseguies contra os cristos. Nada, porm, consegue barrar o magistral progresso da Igreja. O nmero de servos 
de Deus aumenta dia aps dia. Esse avano, contudo, custa um alto preo: o sangue dos santos.
      Hegesipo, escritor do Sculo II, narra-nos como o perverso e anormal Nero tratou os cristos, acusados, por ele, de terem incendiado Roma: "Alguns foram vestidos 
com peles de animais ferozes, e perseguidos pelos ces at serem mortos, outros foram crucificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e depois incendiados 
ao pr-do-sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite. Nero cedia os seus prprios jardins para essas execues e apresentava, 
ao mesmo tempo, alguns jogos de circo, presenciando toda a cena vestido de carreiro, indo umas vezes a p no meio da multido, outras vendo o espetculo do seu carro".
      Sob o governo de Nero, que mandou incendiar a capital de seu imprio e, covardemente, culpou os cristos, pereceram, ainda, os apstolos Pedro e Paulo. Os 
seguidores de Cristo foram perseguidos pelo Imprio Romano por quase 300 anos. A situao s se amainou com a ascenso de Constantino, o (Irande. No falaremos mais 
detalhadamente acerca dos sofrimentos desses hericos homens, mulheres e crianas, por absoluta falta de espao. O sangue desses santos, entretanto, continua a clamar 
no tempo e clamar na eternidade.
      
      VI - O FIM DO IMPRIO ROMANO
      Depois de sculos de sanguinolncia e devassido, permissividade e trrea tirania, chega ao fim o "inexpugnvel" Imprio Romano. A imoralidade e a inebriante 
luxaria tiraram do povo romano sua fibra e coragem. Enquanto isso, os inimigos de Roma fortaleciam-se e preparavam-se para deit-la por terra.
      Em 476 d.C, os brbaros invadiram Roma. Desapareceu, assim, o mais extenso e poderoso reino humano! No entanto, segundo profetizou Daniel, esse imprio ressurgir 
com grande poder. Sua durao, porm, ser curta. 0 Rei dos reis e Senhor dos senhores encarregar-se- de destru-lo.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Terceira Parte
      
    Israel, palmilhando a Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - A histria de Israel comea no Crescente Frtil. II - Vamos a Israel?
      
      INTRODUO
      Quando lemos a Bblia, deparamo-nos com centenas de nomes de lugares da Terra Santa, onde desenvolveu-se a maravilhosa Histria da Salvao. Movidos por irreprimvel 
curiosidade, desejamos conhecer tudo isso "in loco". Nem sempre, porm,  possvel faz-lo.
      - E por que no visit-los, ento, espiritualmente?
      Apelemos, pois,  Geografia Bblica. Nas asas de suas minuciosas e exatas descries, voemos a Israel. Palmilhemos os lugares percorridos pelos patriarcas, 
profetas e apstolos. Divisemos, em cada mapa, o meigo Salvador. Km cada acidente geogrfico, a relevncia do amor de Deus.
      
      I - A HISTRIA DE ISRAEL COMEA NO CRESCENTE FRTIL
      O Crescente Frtil, no obstante sua vital importncia  Histria da Salvao,  um insignificante retngulo localizado na sia Ocidental. Encerrando uma rea 
de 2.184.000 km , representa apenas a 234 parte da superfcie da Terra. Essa regio estende-se em forma semicircular entre o Golfo Prsico e o Sul da Palestina.
      A histria dessa regio pode ser resumida em uma srie de lutas entre os habitantes das serranias e as tribos nmades do deserto. Todos queriam apossar-se 
dessas fertilssimas terras. O lado oriental dessas msticas paragens serviu de bero  humanidade e de cenrio  primeira civilizao. Em suas grandes depresses, 
ascenderam e caram os imprios dos amorreus, assrios, caldeus e persas.
      No Crescente Frtil, conhecido, tambm, como Mesopotmia (literalmente "entre rios"), floresceram duas grandes civilizaes: ao norte, a Assria; ao Sul, a 
Babilnia ou ('aldeia. Os rios Tigre e Eufrates cercam esse misterioso territrio, ocupado, atualmente, pelo Iraque. O Jardim do den, segundo a narrativa bblica, 
localizava-se nas nascentes de ambos os rios.
      Foi em Ur dos Caldeus, uma das mais progressistas e desenvolvidas cidades do Crescente Frtil, que teve incio a histria de Israel. Tudo comeou com a chamada 
de Abrao, o pai do povo escolhido.
      
      II - VAMOS A ISRAEL?
      A partir de agora, portanto, voaremos  Terra Santa. Ser uma viagem muito interessante. Percorreremos plancies. Visitaremos cidades. Entraremos em Jerusalm, 
a cidade do Grande Rei. Mergulharemos no rio Jordo. Subiremos aos montes. Enfim,  semelhana dos espias de Josu, reconheceremos o solo sagrado, do qual mana leite 
e mel.
      
      
      
      
      
      
    O solo sagrado por excelncia
    
      Sumrio: Introduo. I - Nomes de Israel. II - Localizao. III - Limites bblicos. IV - Limites atuais.
      
      INTRODUO
      Uma nao pauprrima territorialmente, assim  Israel, um dos menores pases do mundo. Em seu exguo solo, entretanto, desenrolou-se todo o nosso drama espiritual. 
Terra mstica e abenoada, serviu de bero a patriarcas, profetas, juizes, reis, sbios e justos. Guardada pelo Todo-poderoso, acolheu em seus ridos regaos o Salvador 
da humanidade.
      No obstante suas acanhadas possesses geogrficas. a Terra Santa sempre foi um pomo de discrdia entre os homens. Localizada no centro do globo, torna-se, 
a cada dia, mais polmica. Todos preocupamo-nos com o seu futuro. Em seu amanh, est o nosso porvir!
      Com a criao do Estado de Israel, em 1948, a herana abramica centrou-se, mais visivelmente, em nossos estudos escatolgicos. Divisamos, no renascimento 
do minsculo pas semita, a aproximao da volta de Cristo.
      Vale a pena, portanto, conhecer a geografia das terras pisadas pelo meigo .Jesus. Israel  o solo sagrado por excelncia.
      
      I - NOMES DE ISRAEL
      Tanto na histria sagrada, como na secular, a Terra de Israel recebeu vrias designaes. Cada nome por ela recebido encerra um drama vivido pelo povo de Deus. 
Desde a Era Patriarcal at os nossos dias, as mais variadas nomenclaturas tm sido dadas ao territrio israelita. Para os hebreus, entretanto, o seu sagrado solo 
nunca deixar de receber esse carinhoso tratamento: Terra Prometida.
      
      1 - Cana
      Aps a disperso da humanidade, ocorrida quando da construo da Torre de Babel, os descendentes de Cana. filho de Cara e neto de No, fixaram-se nas terras 
que seriam entregues a Abrao. Isso ocorreu h mais de dois mil anos antes de Cristo. Nessas paragens, conhecidas por sua fertilidade e riquezas naturais, os cananeus 
multiplicaram-se sobremaneira.
      Esse pas, a partir de ento, passou a ser conhecido como Cana, o mais antigo nome do territrio israelita. Eis o significado literal desse nome: "habitantes 
de terras baixas". Tendo em vista essa etimologia, conclumos: os cananeus adoravam as plancies!
      Os descendentes de Cana, depreendemos das Sagradas Escrituras, dominavam do Mediterrneo ao rio Jordo.
      Com o passar dos sculos, Cana passou a ter uma conotao potica. Lembra esse nome aos judeus, "...uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel" (Ex 
3.8).
      
      2 - Terra dos Amorreus
      O territrio que Deus entregou aos judeus era conhecido na antigidade, tambm como Terra dos Amorreus. Essa designao  encontrada tanto no Antigo Testamento, 
como nos escritos profanos. E um dos mais antigos nomes da Terra Santa.
      
      O solo, depois de irrigado, transforma-se em um autntico jardim
      
      
      3  - Terra dos He breus
      De conformidade com a rvore genealgica de Sem, os israelitas so descendentes de Hber. O territrio judaico, por esse motivo, era conhecido, ainda como 
Terra dos Hebreus. Nesses rinces, os santos patriarcas forjaram a nacionalidade hebraica e deram corpo e colorido ao seu idioma.
      A palavra hebreu, entretanto, segundo alguns exege-tas, pode significar, de igual modo, "o que vem do outro lado, ou do alm". Trata-se de uma referncia  
peregrinao abramica, de Ur a Cana. Todavia, preferimos a primeira explicao, por estar mais de acordo com os reclamos da lngua hebraica.
      
      4  - Terra de Israel
      Sob o comando de Josu, os israelitas tomaram Cana, no Sculo XV a.C. A partir de ento, passaram as possesses cananias a ser designadas desta forma: Terra 
de Israel. No h nomenclatura to apropriada como essa! Ela encerra a maioria das promessas divinas a Abrao e compreende a essncia das realizaes terrestres 
do Milnio.
      Esse  o nome mais comum da Terra Santa. Encontramo-lo, com freqncia, no Antigo Testamento. Constitui-se, ainda, em um perptuo memorial: Esse territrio 
 de propriedade permanente do povo de Israel! Quer os gentios admitam ou no, a terra que mana leite e mel pertence  prognie abramica.
      Aps o cisma do reino salomnico, essa nomenclatura passou a designar, apenas, as terras ocupadas pelas 10 tribos do Norte, comandadas pelo idolatra e profano 
Jeroboo. Com os exlios, a Terra de Israel torna-se um nome esquecido. Durante mais de dois mil anos, o territrio israelita recebeu as mais vexatrias alcunhas. 
No entanto, com a criao do moderno Estado de Israel, todo o escrnio que pesava sobre os descendentes de Jac foi tirado. Hoje, quando viajamos quelas sagradas 
paragens, dizemos embevecidos: "Vou  'Ferra de Israel."
      
      5  - Terra de Jud
      Depois de vencer os cananeus, .Josu passou a dividir a Terra da Promessa. Coube  tribo de Jud. uma herana localizada no Sul dessas inebriantes possesses. 
O territrio herdado pelo mais intrpido e bravo filho de Israel ficou conhecido como Terra de .Jud.
      Contudo, aps o cisma do reino davdico, ocorrido no ano 931 a.C, essa designao passou a incluir, tambm, as terras ocupadas pela tribo de Benjamim.
      Terminado o cativeiro babilnico, em 538 a.C. o povo de Jud retorna  sua herana, sob o comando de Zorobabel. Inspirados pela liderana eficaz de Neemias, 
pela erudio de Esdras, pelo zelo sacerdotal de -Josu e pelo fervor proftico de Ageu e Zacarias, os judeus reorganizam-se nacionalmente.
      A partir desse renascimento parcial da soberania hebraica, as possesses abramicas passaram a ser designadas como Terra de Jud. E, seus habitantes, conseqentemente, 
comearam a ser chamados de judeus.
      
      6  - Terra Prometida
      No Sculo XX a.C, Deus fez a seguinte promessa a Abrao: "Sai-te da tua terra, e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E 
far-te-ei uma grande nao, e abenoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu sers uma bno. E abenoarei os que te abenoarem e amaldioarei os que te amaldioarem; 
e em ti sero benditas todas as famlias da terra. Assim partiu Abro, como o Senhor lhe tinha dito, e foi L com ele; e era Abro da idade de setenta e cinco anos, 
quando saiu de Har" (Gn 12.1-4).
      Com essa sublime promessa de Deus a Abrao, o territrio israelita passou a ser conhecido como Terra Prometida. Esse nome, potico e trgico, evoca as mais 
elevadas recordaes na peregrina alma do povo escolhido. Por causa desse cho de promessas, os israelitas, h mais de dois mil anos longe de seu lar, instalam-se 
em sua terra e provam estar a bno abramica mais atual do que nunca.
      
      7  -  Terra Santa
      Zacarias, um dos mais escatolgicos profetas do Antigo Testamento, vaticinou: "Exulta, e alegra-te.  filha de Sio. porque eis que venho, e habitarei no meio 
de ti. diz o Senhor. E naquele dia, muitas naes se ajuntaro ao Senhor, e sero o meu povo: e habitarei no meio de ti. e sabers que o Senhor dos Exrcitos me 
enviou a ti. Ento o Senhor possuir a Jud como sua poro na terra santa, e ainda escolher .Jerusalm" (Zc 2.10-12).
      No obstante as guerras, os embates polticos e os conflitos sociais, Israel  conhecido como a Terra Santa. Os judeus veneram-na como o solo de seus antepassados 
e o terreno de sua milenar esperana. Tm-se os cristos como o bero do Salvador e o regao da regenerao da raa humana. Para os rabes, trata-se de um campo 
etreo e permeado de mistrios celestiais.
      Em pleno alvorecer do Terceiro Milnio, milhares de caravanas judaicas, crists e rabes rumam  Terra Santa. Nenhum outro pas  to mstico quanto Israel! 
Visit-lo constitui-se no sonho de milhes de seres humanos.
      
      8  - Palestina
      Israel  conhecido, tambm, como Palestina. Esse nome  oriundo da palavra Filistia, que designava a faixa de terra habitada pelos antigos filisteus, localizada 
no Sudeste de Cana, ao largo do mar Mediterrneo. Esse povo era ferrenho inimigo dos hebreus e causou muitas dificuldades aos primeiros monarcas israelitas.
      No perodo neo-testamentrio, o historiador Flvio Josef cognominou todo o territrio israelita de Palestina. Desde o domnio romano at a fundao do Estado 
de Israel, em 12 de maio de 1948, a terra dos judeus era conhecida em todo o mundo como Palestina. Atualmente, contudo, o nome de Israel tornou-se. novamente, predominante.
      
      II - LOCALIZAO
      A Terra de Israel est localizada no continente asitico, a 30* de latitude Norte. Em toda a sua extenso ocidental,  banhada pelo mar Ocidental. Tendo em 
vista o seu posicionamento estratgico, constituiu-se, segundo Oswaldo Ronis, "num centro de gravidade para o mundo e as civilizaes da antigidade."
      Acrescenta Ronis: "Do ponto de vista comercial, ficava na rota obrigatria do trfego entre o Oriente e o Ocidente, bem como entre o Norte e o Sul; e, do ponto 
de vista poltico, igualmente passagem inevitvel dos exrcitos conquistadores das grandes potncias ao seu redor, razo pela qual estas se interessavam por sua 
conquista e fortificao. Da as devastaes sofridas pela Palestina em repetidas ocasies da sua histria."
      
      III - LIMITES BBLICOS
      Ao norte, limita-se a Terra de Israel com a Sria e a Fencia. Ao leste, com partes da Sria e o deserto arbico. Ao sul, com a Arbia. A oeste, com o mar 
Mediterrneo.
      Esses limites, entretanto, variavam de acordo com as tendncias polticas e os movimentos militares de cada poca. Constantemente, os israelitas tinham o seu 
territrio alargado ou diminudo. No tempo de Salomo, por exemplo, as fronteiras de Israel dilataram-se consideravelmente. Depois de sua morte, contudo, as possesses 
hebraicas foram diminuindo, at serem absorvidas pelos grandes imprios.
      
      IV - LIMITES ATUAIS
      O moderno Estado de Israel limita-se ao norte, com o Lbano; a leste, com a Sria e a Jordnia; ao sul, com o Egito; e, a oeste, com o mar Mediterrneo. De 
exguas dimenses, sua rea no chega a 22.000 km. Como j dissemos,  um dos menores pases do mundo.
      No entanto, as fronteiras do territrio hebraico foram sobremodo alargadas durante a Guerra dos Seis Dias, ocorrida em junho de 1967. Depois desse conflito, 
os limites israelenses foram dilatados em aproximadamente 400 por cento.
      
      
      
      
    
    Plancies da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Plancie do Acre. II -Plancie de Sarom. III - Plancie da Filstia. IV -Plancie de Sefel. V - Plancie do Armagedom. VI -Outras 
plancies.
      
      INTRODUO
      Os gegrafos modernos, de modo geral, dividem a Terra de Israel em cinco principais plancies: Acre, Sarom, Filstia, Sefel e Armagedom. Um conhecimento mais 
detalhado desses lugares faz-se necessrio, em virtude de sua importncia na Histria Sagrada. Lancemos mo, portanto, de um importante ramo da Geografia para conhec-los 
melhor.
      "Topografia" significa, literalmente, descrio de um lugar ou de uma regio. Essa palavra  formada por dois termos gregos: "topos" - regio e "grphein" 
- descrever. Essa cincia ocupa-se da medida e representao geomtrica de uma determinada poro da superfcie do globo.
      Seu principal objetivo  fornecer dados para a confeco de cartas geogrficas.
      Gerhard Kremer, conhecido como Mercator, criou, no Sculo XVI, os postulados bsicos dessa cincia.
      
      I - PLANCIE DO ACRE
      A plancie do Acre fica no extremo Noroeste da costa israelense, e estende-se at o monte Carmelo. Em toda a sua extenso, bordeja a baa do Acre.
      Essa regio, cujo nome em hebraico  "Akko", e significa areia quente, compreende uma faixa de terra que cerceia as montanhas localizadas entre a Galilia, 
o Mediterrneo, o Sul de Tiro at a Plancie de Sarom. Essas terras so irrigadas pelos rios Belus e Quisom. O solo dessa rea  muito frtil, com exceo da parte 
praiana, cujas areias so demasiadamente quentes.
      Quando da diviso de Cana, a Plancie do Acre coube  tribo de Aser (Js 19.25-28). Os aseritas, todavia, no conseguiram desalojar os cananeus que ali habitavam.
      
      II - PLANCIE DE SAROM
      Sarom no  nome semtico. O seu significado evoca poesia e pensamentos idlicos: Zona de Bosques e Bosques de Terebinto. A plancie que leva esse memorvel 
nome localiza-se entre o Sul do monte Carmelo e Jope. Com uma extenso de 85 km, sua largura varia entre 15 e 22 km.
      Na antigidade, essa regio era conhecidssima em virtude de seus pntanos paldicos e traioeiros bosques. O seu solo, entretanto, era coberto de lrios e 
outras flores exticas. Ante esse selvagem esplendor, cantou a esposa: "Eu sou a rosa de Sarom, o lrio dos vales. Ao que respondeu o esposo: - Qual lrio entre 
os espinhos, tal  a minha amiga entre as filhas" (Ct 2.1,2 - ARA).
      Os pntanos e charcos da Plancie de Sarom foram drenados recentemente pelo governo israelense. Essa rea, atualmente, constitui-se num dos mais ricos distritos 
agrcolas do Estado de Israel. Seus bosques de frutas ctricas so famosos em todo o mundo. Nesse aprazvel recanto, podem ser encontradas quatro flores vermelhas 
de grande beleza: anmona, boto-de-ouro, tulipa e papoula.
      A formosura e esplendor de Sarom  comparada pelo profeta Isaas  glria do Lbano, (Is 35.2).
      
      III - PLANCIE DA FILSTIA
      Situada entre Jope e Gaza, no Sudoeste de Israel, a Plancie da Filstia tem 75 quilmetros de comprimento e, de largura, 25. Nessa faixa de terra, habitavam 
os aguerridos filisteus, inimigos mortais do povo israelita.
      Frtil, essa regio era abundante em cereais e frutas. Os seus figos e oliveiras eram muito apreciados. Nesse territrio, localizavam-se as cinco principais 
cidades filis-tias: Gaza,' Ascalom, Asdode, Gate e Ecrom. No eram propriamente cidades, mas, indevassveis fortalezas. Nessa plancie, ficava, ainda, o Porto de 
Jope, muito importante para os israelitas do Antigo Pacto. Neste sculo, os sionistas resolveram reativ-lo, tendo em vista o crescimento da economia israelense.
      
      IV - PLANCIE DE SEFEL
      Situada entre a Filstia e as montanhas da Judia, a Plancie de Sefel  caracterizada por uma srie de baixas colinas. A fertilidade de seu solo  bastante 
notria; as colheitas de trigo, uva e oliva so abundantes.
      O significado hebraico de Sefel - terras baixas ou maus baixas - reala bem a topografia dessa plancie. Ela nos lembra mais uma faixa de terra do que uma 
plancie propriamente dita. Eis como o pastor Enas Tognini a classifica: "... um altiplano rochoso que corre da costa, rumo SE, penetrando at a fronteira da tribo 
de Jud..."
      Sefel serviu de lar aos patriarcas Abrao e Isaque por longos anos. E, por tratar-se de uma regio poltica e economicamente muito importante, foi motivo 
de no poucas discrdias e guerras entre israelitas e filisteus.
      Apesar de sua importncia estratgica e de suas peculiaridades geogrficas, o seu nome s  encontrado no livro apcrifo de primeiro Macabeus 12.38. No Antigo 
Testamento, recebe outras designaes.
      
      V - PLANCIE DO ARMAGEDOM
      Essa plancie recebe, tambm, estes nomes: Jezreel ou Esdraelom. Por causa de sua extenso e aspectos caractersticos, vrias passagens bblicas tratam-na 
de vale. A maioria dos gegrafos bblicos, entretanto, prefere classific-la de plancie mesmo.
      Armagedom encontra-se na confluncia de trs vales, dos quais o mais importante  -Jezreel. Localizada entre os montes da Galilia e os de Samaria, essa plancie 
(a maior de Israel)  insupervel em sua formosura. Suavemente. alarga-se em direo do Carmelo at repousar nos montes Lbanos.
      Em seu livro. Geografia Bblica, Oswaldo Ronis fornece-nos mais algumas informaes acerca desse escatolgico lugar: "No ngulo suleste da plancie, fica o 
local da antiga e importante cidade fortificada de Jezreel. que foi a capital do reino do Norte no tempo de Acabe e Jezabel. Para o leste desta cidade, desce o vale 
de Jezreel at atingir o -Jordo na altura de Bete-Se. De modo que a cidade empresta o seu nome tanto  plancie que se estende para o noroeste como ao vale que 
toma a direo leste."
      A plancie do Armagedom  uma das reas mais estratgicas de Israel. Constitui-se numa via de comunicao natural entre a cidade de Damasco e o mar Mediterrneo. 
No perodo veterotestamentrio, serviu de palco a renhidos combates. Essa sangrenta arena  atravessada, longitutinalmente, de leste a oeste, pelo rio Kishon que 
desemboca no Mediterrneo.
      Armagedom est ligado a um grande embate escatol-gico. O evangelista -Joo gizanos, sinteticamente, o maior dos confrontos: "E os congregaram no lugar que 
em hebreu se chama Armagedom" (Ap 16.16). Nessa plancie, o povo de Deus sofrer as mais lancinantes dores de sua histria. -Jesus Cristo, todavia, escolheu esse 
lugar para reconciliar-se com os filhos de Israel. Quando isso ocorrer, os israelitas livrar-se-o, para sempre, de seus algozes.
      
      VI - OUTRAS PLANCIES
      Deparamo-nos, na Terra de Israel, com outras plancies, tais como as de Jerico, Dotam, Moabe, Genezar, etc. Mas, por serem pequenas, no so muito importantes 
no contexto histrico-bblico.
      
      
      
      
      
    Vales da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Vale do Jordo. II - Vale de Jezreel. III - Vale de Aor. IV- Vale de Aijalom. V-Vale de Escol. VI - Vale de Hebrom. VII - Vale de 
Si-dim. VIII - Vale de Siqum. IX - Vale de Basam. X -Vale de Moabe.
      
      INTRODUO
      Israel  uma terra abundante em vales. Antes da conquista de Cana, Moiss esclarece ao povo israelita: "Porque a terra que passais a possuir no  como a 
terra do Egito, donde sastes, em que semeveis a vossa semente, com o p, a regveis como a uma horta; mas a terra que passais a possuir  terra de montes e de 
vales: da chuva dos cus, bebers as guas"   (Dt 11.10 e 11).
      No Novo Dicionrio da Bblia, explica-nos A.R. Millard: "Na Palestina, onde a chuva cai somente durante certo perodo do ano, a paisagem  recortada por muitos 
vales estreitos e leitos de riachos (ou wadis), que s exibem gua durante a estao chuvosa (em hebraico, nahal; no rabe, iradi). Freqentemente, pode ser encontrada 
gua subterrnea nesses wadis. durante os meses de estio. (Cf. Gn 26.17,19.) Os rios perenes atravessam vales e plancies mais largos (no hebraico, emeq, biq'), 
ou ento cortam gargantas estreitas atravs da rocha. O vocbulo hebraico 'shephl' denota terreno baixo, especialmente a plancie costeira; 'gay'  termo hebraico 
que significa simplesmente rale.
      Vale, segundo o mestre Aurlio,  uma depresso alongada entre montes ou quaisquer outras superfcies. Essa palavra  bastante comum no Antigo Testamento. 
Encontramo-la 188 vezes nas escrituras hebraicas. No Novo Testamento, contudo,  mencionada apenas uma vez.  claro que no poderemos estudar todos os vales da Terra 
Santa. Deter-nos-emos nos principais.
      
      I - VALE DO JORDO
      Eis o maior vale de Israel. Comea no sop do monte Hermom (no Norte) e vai at o mar Morto (no Sul). O territrio israelita, portanto,  cortado, longitudinalmente, 
pelo vale do Jordo, cenrio de importantssimos acontecimentos na vida do povo de Deus.
      Constituindo-se de uma grande fenda geolgica, esse portentoso vale, em seu ponto inicial, tem uma largura de 100 metros. Alarga-se, porm, pouco a pouco, 
nas proximidades do mar da Galilia, chega a trs quilmetros; e, nas imediaes do mar Morto, a 15. Depois, no entanto, comea a estreitar-se novamente.
      Nesse vale, corre o rio Jordo, onde Jesus foi batizado. O Jordo , ainda, o mais profundo vale de toda a Terra: encontra-se a 426 metros abaixo do nvel 
do mar Mediterrneo.
      Netta Kemp de Money fornece-nos mais algumas informaes sobre o vale do Jordo: "Seu solo, em parte argiloso e arenoso, interrompe-se por penhascos de greda 
gris e inumerveis pedras de forma fantstica, que imprimem quela paisagem um ar um tanto triste e desolador. Grande parte deste vale, todavia,  de uma fertilidade 
exuberante e todo suscetvel de cultivo. O vale do Jordo no constitua antigamente barreira intransponvel, mas dificultava a comunicao e o livre trfego entre 
as tribos irms em ambos os lados."
      
      II - VALE DE JEZREEL
      No podemos confundir o vale de Jezreel com a plancie de mesmo nome. A confuso, no entanto, existe. Ela ocorre em conseqncia da inexatido de certos autores.
      O vale de Jezreel comea nas nascentes do ribeiro de Jalud e termina no vale do Jordo, nas cercanias de Bete-Se. Nas proximidades desse vale, localiza-se 
a moderna cidade de Zerim.
      
      III - VALE DE AOR
      O pecado de Ac trouxe srios prejuzos a Israel. Em conseqncia desse delito, os exrcitos hebraicos sofreram irrefragveis derrotas. A maldio s deixou 
o arraial dos israelitas com o apedrejamento do reticente pecador.
      A punio, de acordo com o livro de Josu, deu-se no vale de Aor: "Ento Josu e todo o Israel com ele tomaram a Ac, filho de Zer, e a prata, e a capa, 
e a cunha de ouro, e a seus filhos, e a suas filhas, e a seus bois, e a seus jumentos, e as suas ovelhas, e a sua tenda, e a tudo quanto tinha; e levaram-nos ao 
vale de Aor. E disse Josu: Porque nos turbastes, o Senhor te turbar a ti este dia. E todo o Israel o apedrejou com pedras, e os queimaram a fogo, e os apedrejaram 
com pedras, at ao dia de hoje; assim o Senhor se tornou do ardor da sua ira: pelo que se chamou o nome daquele lugar o vale de Aor, at o dia de hoje" (Js 7.24-26).
      Nesse vale, localizado entre as terras de Jud e Benjamim, ficavam as fortalezas de Midim, Secac e Nibsam. Aor, informa o Novo Dicionrio da Bblia,  o 
primeiro nome locativo a ser mencionado no rolo de cobre de Qum-ram.
      
      IV - VALE DE AIJALOM
      O Vale de Aijalom foi palco de um dos maiores milagres j presenciados por qualquer ser humano. Foi nessa regio que, por uma ordem de Josu, o Sol deteve-se 
sobre os amorreus, possibilitando s foras israelitas, estrondosa vitria. Nesse mesmo lugar, no Sculo II a.C, Judas Ma-cabeu obteve decisivo triunfo sobre as 
foras de Antoco Epfanes, tirano grego da Sria.
      Aijalom localiza-se nas imediaes de Sefel, a 24 quilmetros a noroeste de Jerusalm. Com 18 quilmetros de comprimento e nove de largura, esse vale abrigou, 
no ano 70 de nossa era, as tropas romanas, comandadas pelo general Tito. Desse vale, os romanos saram para destruir Jerusalm e o Templo. Localiza-se, nessa rea, 
atualmente, a cidade de Yalo, onde h importantes indstrias.
      
      V - VALE DE ESCOL
      Uma regio frtil e abundante em vinhedas. Assim  o vale de Escol. John Davis fornece-nos mais algumas informaes acerca desse lugar de fartura: "... celebrizou-se 
pela exuberncia de vinhedos, produtores de dulcssimos cachos. Ignora-se se este nome era j conhecido antes dos tempos de Moiss. Como quer que seja, Hebrom relembrava 
aos israelitas o local onde os espias enviados por Moiss para reconhecer a terra, cortaram o famoso cacho de uvas, que dois deles trouxeram enfiado em uma vara."
      O vale de Escol, localizado nas proximidades de Hebrom, continua a ser famoso pela sua singular fertilidade. Atualmente, rende considerveis divisas ao Estado 
de Israel, com suas uvas, roms e figos.
      Escol, em hebraico, significa cacho.
      
      VI  - VALE DE HEBROM
      Durante suas constantes e rduas peregrinaes, o piedoso patriarca Abrao fixou-se, certa feita, no Vale de Hebrom, onde fica um lugar chamado Manre. Teve, 
o nosso pai na f, nessas paragens, ricas experincias espirituais. Nessas to abenoadas terras, o amigo de Deus construiu um altar; recebeu a divina promessa de 
que, no obstante sua avanada idade, ainda teria um filho, e, intercedeu pelos concupiscentes sodomitas.
      O vale de Hebrom serviu tambm de sepulcro  famlia patriarcal. Na silente sepultura de Macpela, repousam os ossos dos primeiros ancestrais do povo escolhido. 
E, de conformidade com o historiador Flvio Josefo, os corpos dos patriarcas tribais encontram-se, de igual modo, nesse repousante solo.
      Localizado a 30 quilmetros a sudoeste de Jerusalm, o vale de Hebrom est a quase mil metros acima do nvel do Mediterrneo. Com os seus 30 quilmetros de 
comprimento, guarda muitos resqucios da era patriarcal como, por exemplo, o famoso Terebinto de More.
      
      VII - VALE DE SIDIM
      No vale de Sidim, localizado na extremidade meridional do mar Morto, ficavam as impenitentes cidades de Sodoma e Gomorra. Nesse lugar, a coligao de Quedorlao-mer 
defrontou-se com os exrcitos dos cinco reis. A interveno de Abrao, nesse combate, foi decisiva. O piedoso patriarca mostrou que, alm de homem de f, era, tambm, 
um intrpido guerreiro.
      Nessa regio, havia muitos poos de betume, segundo informa-nos Moiss no livro de Gnesis 14.3-8. Recentemente, a arqueologia, com o auxlio de outras cincias, 
encontrou, no vale de Sidim, vestgios de antiqssimas cidades. De acordo com as pesquisas cientficas, esses povoados foram destrudos por uma grande exploso. 
Uma vez mais, a veracidade das Escrituras Sagradas  corroborada pela cincia.
      Hodiernamente, o Vale de Sidim  aridificado, sem vida. Nos dias de L, contudo, parecia o prprio den. Merril F. Unger compendia estes interessantes dados 
acerca dessa singular regio da Terra Santa: "Em algum tempo, por volta da metade do sculo XXI a.C., o vale de Sidim com suas cidades foi subvertido por uma grande 
conflagrao (Gnesis 19.23-28). Essa regio  mencionada como 'cheia de poos de betume' (Gnesis 14.10), e depsitos de petrleo podem ainda ser encontrados nela. 
Toda a regio est na longa linha quebrada que formava o vale do Jordo, o mar Morto e o Arab. Atravs da histria, ela tem sido palco de terremotos, e embora a 
narrativa bblica registre apenas os elementos miraculosos, a atividade geolgica foi, sem dvida, um fator partcipe. O sal e o enxofre nativos nessa rea, que 
 agora uma regio queimada de leo e asfalto, foram misturados por um terremoto, resultando em violenta exploso,  sal e o enxofre ascenderam aos cus, tornando-o 
rubro com o seu calor, de forma que, literalmente, choveu fogo e enxofre sobre toda a plancie (Gnesis 19.24,28). A narrativa da mulher de L ter sido transformada 
em uma esttua de sal pode certamente ser relacionada com a grande massa de sal existente no vale Jebel Usdum ('Montanha de Sodoma'), monte de uns oito quilmetros 
de comprimento, que se estende de norte a sul, na extremidade sudoeste do mar Morto. Em algum lugar sob as guas do lago cujo nvel sobe lentamente, ao sul. nas 
vizinhanas desse monte, podero ser encontradas as Cidades da plancie. Nas pocas clssicas e neo-testamentrias, as suas runas ainda eram visveis no tendo 
sido cobertas pelas guas."
      O vale de Sidim, portanto,  uma sria advertncia  raa humana: de Deus no se escarnece, porque tudo o que o homem semear isso tambm ceifar.
      
      VIII - VALE DE SIQUM
      Certa vez, durante o seu ministrio terreno. -Jesus sentou-se  beira do Poo de Jac. E, com sua inconfundvel e serena voz, falou do Reino de Deus a uma 
pobre e sedenta samaritana. Daquele inefvel dilogo, surgiu um grande avivamento entre os desprezados samaritanos.
      - Onde fica o Poo de Jac? - No Vale de Siqum. Com os seus 12 quilmetros de comprimento, de seu solo explode exuberante vegetao. Por causa de suas inmeras 
nascentes, pode ser comparado aos mananciais da eternidade.
      O vale de Siqum foi o primeiro lar do patriarca Abrao. Nesse lugar, cujo nome significa ombro em hebraico, Jac armou a sua tenda, ao voltar de Har; Din 
foi deflorada pelo imprudente prncipe Siqum; Simeo e Levi cometeram grande chacina para vingar a irm; e o governador Jos foi sepultado.
      Nesse vale, localizado entre os montes Gerizim e Ebal, no centro de Israel, fica a moderna cidade de Nablus.
      
      
      Mapa dos vales israelenses
      
      IX - VALE DE BASAM
      Segundo Oswaldo Ronis, o vale de Basam no  citado nas Sagradas Escrituras. Suas referncias limitam-se  literatura profana. Ronis acrescenta: "provavelmente 
trata-se do vale por onde corre o rio Yarmuque, no Nordeste da Palestina."
      
      X - VALE DE MOABE
       o vale de Moabe o mais dilatado dos trs vales que desembocam na plancie moabita. Localizada a nordeste do mar Morto, essa regio era habitada pelos incestuosos 
filhos de L, que muitos danos causaram aos israelitas.
      Tentando impedir o avano do povo de Deus, os moa-bitas colocaram tropeos em seu arraial. Em conseqncia da contumcia de Moabe, determinou o Senhor: "Nenhum 
amonita nem moabita entrar na congregao do Senhor; nem ainda a sua dcima gerao entrar na congregao do Senhor eternamente. Porquanto no saram com po e 
gua a receber-vos no caminho, quando saeis do Egito; e porquanto alugaram contra ti a Balao, filho de Beor, de Petor, da Mesopotmia, para te amaldioar" (Dt 
23.3-4).
      Moiss morreu em Moabe. Dessas terras, o maior legislador do Antigo Testamento avistou Cana. E, ento, com a serenidade prpria dos anjos, adormeceu.
      No obstante amaldioados, a misericrdia alcanou os filhos de Moabe por intermdio de Rute. Virtuosa e cheia de f, essa moabita teve o singular privilgio 
de ser uma das ancestrais de nosso Senhor Jesus Cristo. A histria de Rute  uma das mais belas pginas de amor da literatura universal.
      Nessa regio, foi encontrada a famosa Pedra Moabita. Descreve-a Orlando Boyer: "Uma pedra de basalto negro, encontrada no ano de 1868 nas runas de Dibom, 
antiga cidade moabita.  o maior documento encontrado at agora, fora da Bblia, que trata da Palestina, antes de Cristo. Sua inscrio difere muito pouco do hebraico. 
Esta pedra d um relatrio da guerra de Mesa, rei de Moabe, contra Onri, Acabe e outros reis de Israel."
      
      
      
      
      
    Planaltos da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Planalto Central. II Planalto Oriental.
      
      INTRODUO
      Em Israel, h dois grandes planaltos: o Central e o Oriental. O primeiro , praticamente, uma continuao dos famosos montes Lbanos; sai do centro do pas 
em direo norte-sul. O segundo  considerado pela maioria dos gegrafos um apndice do Ante-Lbano; segue a mesma direo do anterior.
      Ambos os planaltos tm uma altitude mdia que varia entre 700 a 1.400 metros.
      O que  um planalto? Deixemos a definio por conta de mestre Aurlio: "Grande extenso de terreno plano ou pouco ondulado, elevado, cortado por vales nele 
encaixados.
      
      I - PLANALTO CENTRAL
      O Planalto Central compreende os planaltos de Naftali, Efraim e Jud.
      
      1.  Planalto de Naftali.
      Localiza-se no Norte da Galilia. Nessa regio, habitavam os naftalitas, famosos por sua coragem. No entanto, por causa da fragilidade de suas fronteiras, 
sofriam constantes ataques por parte de potncias hostis.
      
      2.  Planalto de Efraim.
      Compreende a rea de Samaria. Depois do cisma israelita, ocorrido em 931 a.C, essa regio passou a ser a capital poltica do Reino do Norte.
      
      3.  Planalto de Jud.
      Situado no Sul, esse planalto  ladeado por Betel e Hebrom. Esse territrio coube aos descendentes do mais extraordinrio filho de Jac, o audacioso Jud.
      
      II - PLANALTO ORIENTAL
      Localizado no Oriente do Jordo, o Planalto Oriental, de igual modo, possui trs importantes planaltos: Basam, Gileade e Moabe.
      
      1.  Planalto de Basam.
      Conhecido, tambm, como Auram, situa-se entre o Sul do monte Hermom e o Rio Yarmuque. No tempo de Josu, essa frtil regio estava sob o controle de Ogue, 
que foi derrotado, fragorosamente, pelos israelitas. Essas terras, abundantes em trigo e pasto para gado, passaram ao domnio da tribo de Manasses.
      
      2.  Planalto de Gileade.
      Fica entre Yarmuque e Hesbom. Esse planalto  cortado pelo Rio Jaboque. Sua fertilidade  tambm notria. O blsamo dessa regio era bastante apreciado no 
perodo veterotestamentrio. Pergunta o profeta Jeremias: "Porventura no h ungento em Gileade? ou no h l mdico?" (Jr 8.22).
      
      3. Planalto de Moabe.
      Essa regio  bastante rochosa. No entanto, entrecor-tam-a vicejantes pastagens. Localizao: ao leste do rio Jordo e Mar Morto, prosseguindo at o rio Arnon.
      
      
      
      
      
    Montes da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Montes palestnicos: 1. Montes de Jud. 2. Montes de Efraim. 3. Montes de Naftali. II - Montes transjordanianos: 1. Montes de Moabe. 
2. Montes de Bas. 3. Montes de Gileade. III -Monte Sinai.
      
      INTRODUO
      Inspirado pelo Esprito Santo cantou Davi, o suave salmista: "Os que confiam no Senhor sero como o monte de Sio, que no se abala, mas permanece para sempre. 
Como esto os montes  roda de Jerusalm, assim o Senhor est em volta do seu povo desde agora e para sempre" (Sl 125.1,2).
      Por que Davi, em um de seus mais belos salmos, refere-se, aos montes?
      Os montes sempre exerceram fortssima influncia sobre o esprito do povo de Deus. Nessas elevaes, vislumbravam os israelitas a magnitude divina. Foi no 
Sinai, alis, que os hebreus adquiriram seu corpo doutrinai. Outras experincias espirituais tiveram eles nesses acidentes geogrficos, bastante comuns em Israel.
      O pastor Enas Tognini compendia estas importantssimas lies sobre a orografia da Terra Santa: "Israel passou 400 anos no Baixo Egito, cujas terras so planas, 
onde no chove, pois confina com o medonho deserto do Saara. Esse povo passaria, sob o comando de Moiss, para Cana. terra de montes e vales, e onde a chuva  abundante 
no inverno. Os montes exerceram poderosa influncia no povo que cantou em sua poesia ou prosa os cumes e as elevaes. A importncia dos montes na Bblia  muito 
grande. As tbuas da Lei foram dadas por Deus a Moiss num monte; Aro morreu num monte; tambm Moiss; a bno e a maldio foram proclamadas em montes; Joo Batista 
nasceu nas montanhas; Jesus nasceu na regio montanhosa da Judia; sua grande batalha com o Diabo foi num monte; num monte foi o seu maior sermo; transfigurou-se 
num monte; agonizou num monte; foi crucificado num monte; e sepultado e ressurrecto num monte, e, ainda, ascendeu ao Cu de um monie, e mais: voltar, colocando 
seus ps no monte das Oliveiras."
      O que  um monte; Recorramos  definio de John Davis: "Elevao natural da terra. Aplica-se geralmente a uma eminncia, mais ou menos saliente, menor do 
que a montanha, e maior do que um outeiro. Estes nomes tm valor relativo; s vezes a mesma elevao  designada, em alguns lugares por monte e em outros por montanha. 
Monte  a traduo do hebraico 'Gibah', e do grego 'Bounos'".
      
      I - MONTES PALESTNICOS
      Estudaremos, nessa primeira parte, os montes de Jud, de Efraim e de Naftali. Nessas salincias, os israelitas presenciaram grandes acontecimentos e deles 
participaram. Atualmente, essas elevaes servem-lhes de solene memorial: recordam-lhes os intrpidos juzes; os altivos reis; os piedosos profetas; os judiciosos 
mestres do povo. etc.
      
      
      Mapa das montanhas da antiga Palestina
      
      1 - Montes de Jud
      Os montes de Jud localizam-se ao Sul dos montes de Efraim. Constituem-se de uma srie de elevaes, entre as quais h herbosos vales, por onde correm riachos 
que desguam nos mares Morto e Mediterrneo. Eis os mais notrios montes de Jud: Sio, Mori, Oliveiras, e o da Tentao.
      
      1.1 - Monte Sio
      Localizado na parte Leste de Jerusalm, o monte Sio ergue-se ali soberano e altivo. Com aproximadamente 800 metros de altura, ao nvel do Mediterrneo,  
a mais alta montanha da cidade Santa. Designa-o desta forma o profeta Joel: "E vs sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que habito em Sio, o monte da minha 
santidade; e Jerusalm ser santidade; estranhos no passaro mais por ela" (Jl 3.17).
      O Monte Sio era habitado pelos Jebuseus. Davi, entretanto, ao assumir o controle poltico-militar de Israel, resolveu desaloj-los. A partir de ento, aquela 
singular elevao passou a ser a capital do Reino de Israel. Em virtude de sua posio privilegiada, era uma fortaleza natural para a cidade de Jerusalm.
      Mais tarde, ordenou Davi fosse levada a arca da aliana a Sio. Por causa disso, o monte passou a ser considerado santo pelos hebreus. Dcadas mais tarde, 
com a remoo da sagrada urna ao Santo Templo, Sio passou a designar, tambm, a rea compreendida pela Casa do Senhor. E, no foi muito difcil a prpria Jerusalm 
ser chamada por esse abenoado nome.
      No Monte Sio encontra-se a sepultura do rei Davi. Em uma das lombadas dessa memorvel rea, localiza-se um cemitrio protestante, onde est sepultado o renomado 
arquelogo Sir Flinders Petri.
      Aps o Exlio Babilnico, os judeus comearam a identificar-se, com mais intensidade, com a mstica Sio. Na luxuriante e soberba Babilnia, eles lembravam-se 
desse nome e derramavam copiosas lgrimas. Nos tempos modernos, foi criado um movimento, visando  criao do
      Estado de Israel, cujo nome  Sionismo. Essa designao reflete bem o amor dos judeus por sua terra.
      A Igreja de Cristo  considerada a Sio Celestial, repleta de justia e habitada por homens, mulheres e crianas comprados pelo sangue do Cordeiro.
      1.2 - Monte Mori
      Mori  sinnimo de sacrifcio e abnegao. Nesse monte, o patriarca Abrao passou a maior prova de sua carreira espiritual. Premido pelo Todo-poderoso, preparava-se 
para sacrificar seu filho, seu nico filho Isaque, quando ouviu este brado: "Abrao, Abrao! E ele disse: Eis-me aqui. Ento disse-lhe o anjo do Senhor|: No estendas 
a mo contra o moo, e no lhe faas nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e no me negaste o teu filho, o teu nico" (Gn 22.11,12). Continua a narrativa: 
"Ento levantou Abrao os seus olhos; e eis um carneiro detrs dele, travado pelas suas pontas num mato; e foi Abrao, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, 
em lugar de seu filho" (Gn 22.13).
      Localizado a leste de Sio, e Monte Mori tem uma altura mdia de 800 metros ao nvel do Mediterrneo. De forma alongada, sua parte mais baixa era conhecida 
como Ofel. No tempo de Abrao, Mori no designava propriamente um monte, mas uma regio.
      Mil anos aps a era patriarcal, Salomo construiu o Templo nessa elevao. A Casa do Senhor, entretanto, foi destruda por Nabucodonozor, em 587 a.C. Reconstruda 
no tempo de Esdras e Neemias, foi novamente destruda pelo general Tito, no ano 70 de nossa era. Atualmente, sobre esse monte, encontra-se a Mesquita de Ornar, um 
dos lugares mais sagrados para os muulmanos.
      O que significa Mori? O professor Zev Vilnay, citado por Enas Tognini, explica: "Os sbios de Israel perguntaram: - 'Por que este monte se chama Mori?' 
- Porque vem da palavra 'Mora', que, em hebraico, significa temor. Desta montanha o temor de Deus percorreu a terra toda. Outra verso diz que vem de 'ora', que 
quer dizer luz, pois quando o Todo-poderoso ordenou: 'Haja luz', foi do Mori que pela primeira vez brilhou a luz sobre a humanidade."
      Hoje, Mori poderia ser chamado "Montanha das Lgrimas". Do Templo, restou apenas uma muralha na qual judeus de todo o mundo choram seu exlio e suas amarguras. 
O Muro das Lamentaes  o ltimo resqucio da glria passada de Israel.
      1.3. - Monte das Oliveiras
      O Monte das Oliveiras situa-se no setor oriental de Jerusalm. O Vale do Cedrom separa-o do monte Mori. Esse monte, denominado "Mons Viri Galilaei", compe 
uma cordilheira, sem muita expresso, com aproximadamente trs quilmetros de comprimento.
      Na parte ocidental do Monte das Oliveiras, fica o Jardim do Getsmani. Nos dias do Antigo Testamento, essa sagrada elevao era coberta de oliveiras, vinhedos, 
figueiras e uma srie de outras rvores frutferas e ornamentais. A fertilidade dessa regio  proverbial e secular, haja vista que, depois do exlio babilnico, 
a Festa dos Tabernculos foi realizada com os ramos das rvores do Olivete.
      No Jardim do Getsmani, Jesus enfrentou um dos mais dolorosos momentos de seu ministrio. Envolto na sombra da noite, clamou. Pressionado pelos nossos pecados, 
chorou. Ali, seu corpo foi esmagado por causa das nossas transgresses. 1.4 - Monte da Tentao
      Logo aps o seu batismo, foi Jesus levado a um monte, onde passou 40 dias. Em completo jejum por 40 dias, foi tentado pelo Diabo; teve fome depois de terminar 
o jejum e sofreu a solido. Essa elevao, que serviu de claustro ao Salvador,  conhecida como o monte da Tentao.
      Distante 20 quilmetros a leste de Jerusalm, esse monte fica a quase 1000 metros acima do nvel do mar. Sua altura, contudo, no ultrapassa a 300 metros, 
por encontrar-se no profundo terreno do vale do Jordo. Caracterizado por ingrata aridez, possui inmeras cavernas, onde os monges refugiam-se para meditar.
      Na realidade, as Sagradas Escrituras no declinam o nome do monte onde o Senhor foi tentado. Entretanto, o Monte da tentao  o nico que corresponde ao cenrio 
onde Cristo travou uma de suas mais decisivas batalhas.
      
      2 - Montes de Efraim
      A regio montanhosa de Efraim abrange a rea ocupada pelos efraimitas, pela metade dos manassitas e por uma parcela dos benjamitas. Conhecemos essa rea, tambm 
por estes nomes: monte de Naftali. monte de Israel e monte de Samaria. Essa rea  classificada, geograficamente, como Planalto Central.
      Eis os mais importantes montes de Efraim: Ebal e Ge-rizim. Sobre ambos os montes, foram pronunciadas as maldies e as bnos sobre os filhos de Israel. Ambas 
as elevaes, testemunham os visitantes, formam um anfiteatro, com perfeita acstica.
      2.1  - Monte Ebal
      Do Ebal foram pronunciadas as maldies. Localizado no Norte de Nablus, seu solo  aridificado e com muitas escarpas. Tem 300 metros de altura e fica a mais 
de mil metros acima do Mar Mediterrneo.
      Joto proclamou seu clebre aplogo do cume desse monte. E, dessa engenhosa maneira, incitou Israel a lutar contra o usurpador Alimeleque.
      Tanto o Ebal, como o Gerizim, ocupam posio estratgica. Para se alcanar qualquer parte da Terra Santa, h de se passar, necessariamente, por ambos os montes 
"Ebal" significa, em hebraico, pedra.
      2.2  - Monte Gerizim
      Ao contrrio do Ebal, o monte Gerizim  coberto por reconfortante vegetao. A altura dessa elevao  de 230 metros. Com relao ao nvel do Mediterrneo, 
est situado a 940 metros de altitude. Nesse monte, foram abertas muitas cisternas para captar guas da chuva.
      Aps o exlio babilnico, os samaritanos, instigados por Sambal, construram um templo sobre o Gerizim. Visavam tirar a glria do Templo reconstrudo por 
Esdras e Neemias. Em 129 a.C, o lugar de adorao dos samaritanos seria destrudo por Joo Hircano.
      Recentemente, Salcy descobriu reminiscncias desse esprio santurio. Conforme descreve esse laborioso arquelogo, o templo dos samaritanos era rico e suntuoso.
      O Monte (gerizim, atualmente  conhecido como Jebel et-Tor. E. continua sendo o lugar de adorao dos samaritanos. Segundo dizem, foi nesse monte que Abrao 
pagou o dzimo a Melquisedeque. Eles acreditam, tambm, que foi nesse lugar que Isaque seria sacrificado pelo piedoso pai dos hebreus.
      
      3 - Montes de Naftali
      Essa designao abarca todo o conjunto montanhoso do Norte da Terra Santa. Abrange a regio da Galilia. Quando da conquista de Cana, esse territrio foi 
destinado s tribos de Aser, Zebulom, Issacar e Naftali. Os naftalitas ficaram com uma rea mais extensa. Em virtude disso, essas terras passaram a ser conhecidas 
como Naftali.
      Eis os quatro mais importantes montes dessa regio: Carmelo, Tabor, Gilboa e Hatim.
      3.1 - Monte Carmelo
      Travou-se no Carmelo um dos mais renhidos combates entre a f e a idolatria. Cheio do Esprito Santo, Elias desafiou vrias centenas de profetas de Baal. A 
vitria,  claro, coube ao profeta do Senhor. Esse monte, em virtude dessa confrontao,  smbolo de prova e fogo.
      O Carmelo no  propriamente um monte. Faz parte, na realidade, de uma cordilheira de 30 quilmetros de comprimento. Sua largura oscila entre 5 a 13 quilmetros, 
a comear do Mediterrneo em direo ao Sudeste do territrio israelita. O ponto mais elevado dessa serra no atinge 600 metros. O duelo de Elias com os falsos profetas 
deu-se exatamente no cume do monte Carmelo.
      No lado Norte dessa cordilheira, passa o rio Quisom, onde os vassalos de Baal foram exterminados. Oswaldo Ronis acrescenta-nos mais alguns detalhes acerca 
do Carmelo: "Este  o nico monte que se destaca do planalto central na direo oeste, formando um promontrio ao sul da plancie do Acre (Accho ou Asher) e  a 
nica parte do territrio da palestina que avana mar Mediterrneo adentro, formando, ao Norte, a baa do Acre onde se localiza a cidade de Haifa. Note-se que este 
monte ou serra forma uma barreira entre as plancies Esdraelom, ao norte e Sarom ao sul, apresentando em seus flancos inmeras cavernas que, pela sua conformao 
interna, parece (algumas) terem sido habitadas.  Uma delas  conhecida como a 'Gruta de Elias' , que hoje  um santurio muulmano."
      3.2 - Monte Tabor
      Localizado tambm na Galilia, o Tabor tem 320 metros de altura. Trata-se de um monte solitrio, plantado na luxuriante Esdraelom. Visto do Sul, lembra-nos 
um se-micrculo. Dista a apenas 10 quilmetros de Nazar e a 16 do mar da Galilia. Situa-se a 615 metros acima do nvel do Mar Mediterrneo.
      De seu cume podem-se avistar magnficas paisagens. A alma potica dos hebreus embevecia-se com os maravilhosos quadros vislumbrados desse monte. O Tabor, por 
esse motivo, era comparado ao monte Hermom.
      O Tabor  muito importante no Antigo Testamento. Em suas cercanias, os exrcitos de Dbora e Baraque combateram as foras de Ssera. Mais tarde, Gideo, nessa 
mesma rea, colocou em fuga os batalhes dos midianitas.
      Nos dias de Osias, foi construdo um santurio pago sobre o monte Tabor, contra o qual clamou o santo profeta: "Ouvi isto,  sacerdotes, e escutai,  casa 
de Israel, e escutai,  casa do rei, porque a vs pertence este juzo, visto que fostes um lao para Mizp, e rede estendida sobre o Tabor" (Os 5.1).
      Tempos mais tarde, foi construda uma cidade no topo desse monte. Em 218 a.C., Antoco a conquistou e transformou-a em uma fortaleza. O Tabor seria cenrio, 
ainda, de vrios conflitos entre romanos e judeus. O historiador Flvio Josefo, por exemplo, fortificou uma determinada rea desse monte. Dessas fortificaes, sobraram, 
somente, trechos de um muro.
      A partir do Sculo III de nossa era, renomados telogos comearam a ventilar esta hiptese: A transfigurao do Cristo deu-se no Monte Tabor. Visando perenizar 
esse importantssimo momento da vida terrestre de Jesus, a me de Constantino Magno, Helena, ordenou fossem construdos trs santurios: um para Jesus, e os outros 
dois
      para Moiss (representante da Lei) e Elias (representante dos profetas).
      Hoje, todavia, acredita-se que a transfigurao ocorreu nas encostas sulinas do monte Hermom.
      O Tabor, atualmente,  chamado de Jabal al-Tur pelos rabes. Os israelenses continuam a trat-lo de Har Tbhr.
      3.3  - Monte Gilboa
      Com 13 quilmetros de comprimento e com uma largura que varia entre 5 a 8 quilmetros, o Monte Gilboa est localizado no Sudeste da plancie de Jezreel. Sua 
forma  alongada. Situa-se a 543 metros de altitude.
      Em Gilboa, que significa fonte borbulhante em hebraico, morreram o rei Saul e seu filho Jnatas, quando combatiam os incircuncisos filisteus. A fatalidade 
inspirou este cntico davdico: "Vs, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre vs, nem sobre vs, campos de ofertas aladas, pois a desprezivelmente 
foi profanado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se no fora ungido com leo" (2 Sm 1.21).
      As colinas do Gilboa so conhecidas, hodiernamente, como Jebel Fukua.
      3.4  - Monte Hatim
      Localizado nas proximidades do mar da Galilia, o monte Hatim compe o chamado Cornos de Hatim. Sua altitude no ultrapassa os 180 metros.  um lugar bastante 
atrativo. De seu topo, pode-se avistar o Mar da Galilia. Seus dois picos principais tm a aparncia de chifres.
      Acredita-se ter sido esse o monte, do qual Cristo pronunciou o clebre Sermo da Montanha. O Hatim  conhecido, de igual modo, como o Monte das bem-aventuranas.
      
      II - MONTES TRANSJORDANIANOS
      Os montes transjordanianos so conhecidos, tambm, como Montes do Planalto. Eis as suas principais elevaes: Gileade, Basam, Pisga e Peor.
      
      1  - Monte de Gileade
      Trata-se de um conjunto montanhoso. Vai do Sul do Rio Yarmuque ao mar Morto. Gileade  dividido pelo Ribeiro de Jaboque, onde Jac lutou com o Anjo do Senhor. 
Essa foi a primeira regio conquistada pelos israelitas e coube  tribo de Gade. O profeta Elias  originrio dessa terra. No tempo de Jesus, esse territrio era 
conhecido como Peria.
      O nome dessa localidade surgiu com o encontro entre Jac e Labo. Designou-a, o primeiro, assim: Jegar-Saaduta. E, o segundo, Galeed. Ambas as nomenclaturas 
significam monto do testemunho.
      Essa regio, na antigidade, era famosa pela sua fertilidade. De seu solo, explodiam o trigo, cevada, oliveira e legume. O seu blsamo era procuradssimo. 
Hoje, esse territrio est em poder da Jordnia. Para os judeus ortodoxos, entretanto, Gileade  a eterna possesso dos filhos de Israel.
      
      2  - Monte de Basam
      Basam  um dilatado e fertilssimo conjunto de montanhas. Ao norte, limita-se com o monte Hermom. Ao leste, com a regio desrtica da Sria e da Arbia. A 
Oeste, com o Jordo e o mar da Galilia. E, ao sul, com o Vale do Yarmuque.
      Assim refere-se Davi a esse monte: "O monte de Deus  como o monte de Basam, um monte elevado como o monte de Basam" (Sl 68.15).
      As terras do Basam, por causa de sua fertilidade, constituem-se um celeiro para Sria e o Estado de Israel. Na era veterotestamentria, essa regio estava 
coberta de cedros e carvalhos. E, em suas viscejantes pastagens, eram apascentados numerosos rebanhos.
      Nos dias de Abrao, o monte de Basam era habitado pelos temidos refains, um povo constitudo de homens de elevada estatura. O ltimo soberano dessa nao foi 
executado pelos israelitas. Trata-se de Ogue, cuja cama media aproximadamente quatro metros de comprimento e quase dois de largura.
      Essa rea foi destinada, por Moiss, aos manassitas.
      
      3  - Monte Fisga
      Do cimo do monte Pisga, contemplou Moiss a Terra Prometida: "Ento subiu Moiss das campinas de Moabe ao Monte Nebo, ao cume de Pisga, que est defronte de 
Jerico; e o Senhor mostrou-lhe toda a terra, desde Gileade at D. Assim morreu ali Moiss, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor" (Dt 34.1 
e 6).
      O Pisga est localizado na plancie de Moabe. Dista 15 quilmetros do Leste da foz do rio Jordo. Moiss vislumbrou o solo da promisso de uma altura de 800 
metros. O monte Pisga  conhecido, tambm, como Nebo. Alguns autores, contudo, dizem haver, nessa regio, dois montes: o Pisga e o Nebo.
      
      4  - Monte Peor
      O monte Peor est localizado nas imediaes do Nebo. Em hebraico, "Peor" significa abertura. Nesse monte era adorado o imoral Baal-Peor.
      Do monte Peor, tentou Balao amaldioar os filhos de Israel. No entanto, seus esforos foram em vo. Como ltimo recurso para prejudicar a marcha dos israelitas, 
induziu-os a participar das sensuais cerimnias de adorao de Baal-Peor. No fosse a ao pronta e enrgica de Moiss, os hebreus teriam se corrompido completamente. 
Desse lamentvel episdio, falaria mais tarde o grande legislador: "Os vossos olhos tm visto o que Deus fez por causa de Baal-Peor: pois a todo o homem que seguiu 
a Baal-Peor o Senhor teu Deus consumiu no meio de ti" (Dt 4.3). 
      
      III - MONTE SINAI
      O Sinai constitui-se de uma pennsula montanhosa, localizada entre os golfos de Suez e Acaba. Nessa regio, Deus apareceu a Moiss e o comissionou a libertar 
Israel do jugo faranico. Da sara ardente, clamou o grande Jeov: "Eu sou o que sou". Em frente a esse monte, ficaram os israelitas acampados por quase um ano. 
Nesse santo lugar, o Senhor entregou a Lei aos filhos de Israel (x 19 e Nm 10).
      Conhecido tambm como Horebe, o monte Sinai serviu de refgio a Elias. Nele, o profeta, o ardente profeta de Jeov, pde esconder-se da perversa Jezabel. "Sinai", 
segundo os exegetas, significa sara ardente, fendido ou rachado. Dizem alguns ser esse nome uma evocao a Sin, deusa da Lua. Nas Sagradas Escrituras, esse monte 
recebe trs diferentes designaes: Monte Sinai. Horebe e Monte de Deus.
      Essa sagrada elevao tem uma forma triangular. Seus vrtices superiores repousam nos territrios asitico e africano. Ao Leste,  banhada pelo Golfo de Acaba. 
Ao Ocidente, pelo Golfo de Suez. A rea da Pennsula do Sinai mede 35.000-. Nessa regio, podemos encontrar trs zonas geolgicas: Cretcea, Arenstica e Grantica.
      Apesar de aridificado, esse territrio tem os seus encantos particulares. Os montes erguem-se soberanos e altivos. Queimadas pelo Sol, as areias mostram-se 
multicolo-ridas. A vegetao  sobremodo escassa, tornando a sobrevivncia humana praticamente impossvel. Os osis so uma raridade. Em alguns locais, contudo, 
vislumbram-se verdes vales, em virtude da gua, que provm da neve de alguns altos picos. Nesses lugares, os anacoretas encontram repouso e silncio para a sua meditao.
      O Sinai pertencia ao Egito. No entanto, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel capturou toda essa regio. Segundo a Palavra de Deus, a regio do Sinai pertence, 
de fato, aos israelitas.
      
      
      
      
    Desertos da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Deserto do Sinai. II - Deserto da Judia. III - Desertos de Jerico, Bete-ven e Gabaom. IV - Israel vence os desertos.
      
      INTRODUO
      Nas Sagradas Escrituras, de acordo com o Novo Dicionrio da Bblia, os vocbulos traduzidos como "deserto" incluem no somente os desertos estreis de dunas, 
de areia ou de rocha, que surgem e do cor  imaginao popular, mas igualmente designam terras plainas de estepes e terras de pastagem, apropriada  criao de 
gado.
      O vocbulo "deserto" pode ser encontrado 36 vezes como adjetivo e 284 como substantivo, no Antigo Testamento. -J no Novo Testamento, a mesma palavra aparece 
12 vezes como adjetivo e 36 como substantivo.
      A palavra hebraica mais traduzida como deserto  "midbar". Ela tem vrios significados: regio plana e apropriada  criao de gado; rea meio frtil e meio 
rida: e deserto propriamente dito. Eis mais alguns termos hebraicos traduzidos como deserto: "yesimon" - territrio desrtico; "orbh" - aridez, desolao, runa 
(castigo divino); "tohu" - vazio; "siyyah" - terra rida.
      Atualmente, contudo, o termo deserto designa, segundo a Enciclopdia Mirador, regies de escassas precipitaes e nas quais a cobertura vegetal  praticamente 
nula ou, ento, est reduzida a algumas plantas isoladas. Encontramos mais estas informaes na Mirador: "A insuficincia das precipitaes, quer sob o aspecto quantitativo, 
quer do ponto de vista de sua distribuio no decorrer do ano,  a caracterstica mais importante das regies secas.  difcil encontrar um limite numrico para 
especificar as regies secas,* por causa da complexidade dos fatores atuantes. Tentou-se delimitar o Saara pelo isoketa de 10 mm e as regies ridas pela de 250 
mm. Mas tais cifras no possuem valor geral, porque a aridez e, principalmente, a semi-aridez se manifestam em regies com 50 mm ou mais de precipitaes, como o 
Nordeste brasileiro, que recebe, por vezes, quantidades superiores a 750 mm. H uma graduao de aridez, que se estende desde os desertos quase absolutos, denominados 
de 'tonezrouft' no Saara, at os desertos relativos, localizados nas reas limtrofes com as regies midas. Alm da deficincia das precipitaes,  preciso lembrar 
a sua irregularidade, que se torna maior  medida que a regio  mais rida. A presena de camadas de ar geralmente muito seco e sem nuvens, e o solo desnudo, cujo 
aquecimento aumenta a radiao (e, em conseqncia, provoca intensa evaporao), so as causas principais do dficit que caracteriza a aridez."
      Os principais desertos citados nas Sagradas Escrituras localizam-se no Sul e no Oriente de Israel. Agrupam-se os primeiros na Pennsula do Sinai. Os outros, 
encontram-se nas outras regies do pas. Veremos, pois, como o povo de Deus conviveu com essas inspitas reas.
      
      I - DESERTO DO SINAI
      Os filhos de Israel caminharam no deserto durante quarenta anos. Nesse perodo, aprenderam a conviver com as agruras do Sinai. No obstante a aridez daquele 
solo, nada lhes faltou. Supriu-lhes o Senhor todas as necessidades. Durante essas quatro dcadas, os israelitas deixaram de ser um bando de escravos e transformaram-se 
em uma forte e robusta nao.
      O Deserto do Sinai recebe, ainda, estes nomes: Sur, Para, Cades, Zim e Berseba. Os gegrafos descrevem-no como um colossal deserto. Vai do Noroeste da pennsula 
do mesmo nome ao golfo do Suez. Essa regio constitui-se de um macio montanhoso. Nesse lugar, recebeu Israel a lei de Moiss.
      
      II - DESERTO DA JUDIA
      As reas localizadas do Leste dos montes de Jud ao rio Jordo e ao mar Morto formam o deserto da Judia. Subdivide-se este em vrios desertos sem importncia: 
Maon, Zife e En-Gedi. Nessa rida regio, perambulou Davi quando era perseguido pelo rei Saul.
      Eis mais alguns desertos de Jud: Tecoa e Jeruel. Nesse territrio, o rei Josaf obteve estrondosa vitria sobre as foras moabitas e amonitas. Nessa mesma 
regio. o profeta Amos exerceu o seu ministrio e Joo Batista clamou contra seus reticentes contemporneos.
      
      III - DESERTOS DE JERICO, BETE-VEN E GA-BAOM
      O deserto de Jerico fica no territrio benjamita. Esse desolado territrio forma, segundo descreve o pastor Tognini, um longo desfiladeiro rochoso de cerca 
de 15 quilmetros que desce de Jerusalm a Jerico. Nessa rea, h muitas cavernas, nas quais escondem-se malfeitores. Essa regio serviu de cenrio para a Parbola 
do Bom Samaritano, contada por Jesus Cristo.
      Bete-ven e Gabaom so outros importantes desertos de Jerico. Em Gabaom, por exemplo, obteve Josu importante vitria sobre os inimigos dos israelitas.
      
      
      IV - ISRAEL VENCE OS DESERTOS
      Cinqenta por cento das terras israelenses compem o Deserto do Neguev. No entanto, o moderno Estado de Israel est vencendo a aridez de seus desertos e transformando-os 
em uns vergis.
      O pastor Abrao de Almeida compendia estas informaes acerca do reflorescimento das reas desrticas da Terra Santa: "Os progressos obtidos por Israel na 
transformao do Neguev em um jardim regado so, de fato, impressionantes. Desde o incio da dcada de 80 vm sendo aplicados mais de trs bilhes de dlares na 
construo de estradas, aquedutos e linhas de comunicao, a fim de abrigar novas instalaes militares e cerca de uma centena de novos povoados agrcolas. E a chave 
para toda essa revitalizao do deserto reside no aumento das fontes hidrolgicas. H inclusive, um projeto arrojado, que objetiva conduzir mais que um bilho de 
toneladas de gua por ano do Mediterrneo para o mar Morto, atravs de um canal cortando o Neguev. Esse grande canal levaria gua fresca  indstria local e gua 
dessalinada aos agricultores, alm de resolver um srio problema: a alarmante evaporao das guas do mar Morto, que pode mesmo morrer, se providncias srias no 
forem tomadas."
      
      
      
      
      
    Hidrografia da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Mares da Terra Santa: 1 - Mar Mediterrneo. 2 - Mar Morto. 3 - Mar da Gali-lia. 4 - Mar Vermelho. II - Rios da Terra Santa: 1 -Bacia 
do Mediterrneo: a) Rio Belus. b) Rio Quisom. c) Rio Cana. d) Rio Gas. e) Rio Sorec. f) Rio Besor. 2 -Bacia do Jordo: a) Rio Jordo, b) Rio Querite. c) Rio Cedrom. 
d) Rio Iarmuque. e) Rio Jaboque. d) Rio Ar-nom. III - Lago de Merom.
      
      INTRODUO
      Como j dissemos, 50' < do territrio israelense so compostos, apenas, pelo Deserto do Neguev. A gua, por causa disso, constitui-se em questo vital para 
o Estado de Israel. Os escassos cursos de gua so muito bem aproveitados. A insuficincia hdrica, entretanto, parece estrangular o desenvolvimento econmico e 
demogrfico desse jovem pas do Mdio Oriente.
      No fosse o eficiente sistema de irrigao israelense, os 5.000 km de campos arveis forneceriam uma produo to exgua que no daria, sequer, para o consumo 
interno. Essa rea, apesar de parecer, hoje, um jardim, recebe pouqussimos benefcios das chuvas. Alm disso, o seu ndice de evaporao  bastante elevado. Na 
realidade, o verdadeiro potencial agrcola de Israel  composto por menos de 2.000 km   de terras intensivamente irrigadas.
      Nos ltimos anos. os israelenses tm intensificado a irrigao de seu territrio. Um autor especializado em assuntos do Oriente Mdio escreve: "A produtividade 
das terras s podem melhorar caso haja maior aproveitamento dos recursos hdricos. Como estes no admitem ampliao, a nica soluo para elevar a produtividade 
do solo de Israel - ou pelo menos conservar o nvel alcanado -  fornecer menos gua para as terras j irrigadas, liberando, desta forma, recursos para a irrigao 
de novas reas."
      A vida em Israel, por conseguinte, no seria possvel sem sua hidrografia. Em todos os momentos de sua histria, os hebreus sempre mostraram-se preocupados 
com os seus parcos recursos hdricos. No obstante, tm sabido superar essas barreiras de maneira maravilhosa.
      Antes de estudarmos os mares, rios e lagos da Terra Santa, vejamos o que , realmente, hidrografia.
      Etimologicamente, a palavra hidrografia  formada por dois vocbulos gregos: "hidro" - gua; e, "graphein" descrever. A hidrografia, portanto,  a cincia 
que estuda todos os corpos de gua que h na superfcie do Globo. So objetos de seu estudo, pois, os oceanos, mares, rios, lagos e geleiras. Ela detm-se. ainda, 
nas propriedades fsicas e qumicas das guas.
      A hidrografia encarrega-se, tambm, de elaborar cartas referentes s bacias fluviais, leitos de rios e lagos e fundos de mares e oceanos.
      
      I - MARES DA TERRA SANTA
      A hidrografia de Israel  composta por trs mares: Mediterrneo, Morto e da Galilia. Este ltimo, conforme veremos mais adiante, no  propriamente um mar. 
Antes de mais nada, porm, definamos a palavra mar. Em ltimo lugar, estudaremos o mar Vermelho.
      
      
      
      Entre os hebreus, segundo explicao de Orlando Boyer, "mar" compreendia qualquer grande massa de gua. Eles consideravam-no criao do Senhor: "Do Senhor 
 a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios" (SI 24.1,2). - J, com sua proverbial 
pacincia, declarou: "Ou quem encerrou o mar com portas, quando transbordou e saiu da madre, quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escurido por envolvedouro? 
Quando passei sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos, e disse: At aqui virs, e no mais adiante, e aqui se quebraro as tuas ondas empoladas?" (J 
38.8-11).
      Tecnicamente, o mar pode ser definido, de conformidade com Aurlio, como a massa de guas salgadas do globo terrestre: cada uma das pores em que est dividido 
o oceano; e, grande massa de gua salgada situada no interior dum continente.
      
      1 - Mar Mediterrneo
      O Mediterrneo aparece nas Sagradas Escrituras com outros nomes: Mar Grande, Mar Ocidental, Mar dos Filisteus, Mar de Jata. Biblicamente, ele  tratado simplesmente 
de o Mar. Sua importncia  incontestvel. Afirma Paul Valry: "...o Mediterrneo tem sido uma verdadeira mquina de fabricar civilizao". Assim divaga E. M. Forster 
sobre as ondas desse gigante: "0 Mediterrneo  a norma humana. Quando as pessoas deixam esse lago encantador, atravs do Bsforo ou dos Pilares de Hrcules, aproximam-se 
do monstruoso e do extraordinrio; e a sada meridional leva s mais estranhas experincias."
      Com uma extenso de 4.500 km e uma superfcie de trs milhes de quilmetros quadrados, o Mediterrneo  o maior dos mares internos. Suas guas banham a Europa 
Meridional, a sia Ocidental e a frica Setentrional. Famosos rios desguam em sua histrica e milenar grandeza.
      As mais antigas civilizaes do Mdio Oriente e da Europa escreveram suas histrias sobre as guas do mar Mediterrneo: micena, grega, fencia, romana, turca, 
francesa, italiana. Hodiernamente, esse mar continua a ser de suma importncia para diversos povos. Suas rotas incluem portos estratgicos como o de Gnova, Npoles, 
Barcelona, Trieste, Salnica, Beirute, Esmirna, Porto Saide, Alexandria, Constantinopla, Haifa, etc.
      O mar Mediterrneo banha toda a costa ocidental de Israel. Nessa rea, suas guas so bastante razas o que tornava impossvel a aproximao de navios de grandes 
calados. O Grande Mar, por esse motivo, no era usado pelos judeus como via de transporte. Eles, alis, sentiam-se isolados pelo Mediterrneo.
      Jope era o nico porto do Grande Mar utilizado pelos israelitas. Entretanto, por causa de seus arrecifes e bancos de areia, os navegantes no se aventuravam 
a procur-lo com freqncia. Por outro lado, o Mediterrneo formava uma vastssima rea defensvel  pequena nao hebria.
      Atravs desse mar, Salomo recebeu os valiosos cedros do Lbano, para a construo do Templo. Em suas guas foi Jonas lanado, quando fugia da presena do 
Senhor. Ao contrrio do profeta engolido pelo grande peixe, Paulo utilizou-se do Grande Mar para universalizar o Evangelho.
      
      2 - Mar Morto
      O mar morto no  assim designado nas Sagradas Escrituras. Em virtude da imensa quantidade de sal existente em suas guas,  chamado de mar Salgado pelos escritores 
bblicos. No livro de Josu, deparamo-nos com este registro: "Pararam-se as guas que vinham de cima; Levantaram-se um monto, mui longe da cidade de Ad, que est 
da banda de Sart; e as que desciam ao mar das campinas, que  o mar Salgado , faltavam de todo e separaram-se: ento passou o povo defronte a Jerico" (Js 3.16).
      H, calcula-se, 25 por cento de sal nas guas do mar Morto. Suas guas, por conseguinte, so demasiadamente densas.  quase impossvel mergulhar ou afogar-se 
nesse estranho mar. Alguns turistas aproveitam-se da densidade do mar Salgado para boiar e ler seus jornais e revistas prediletos.
      O mar Morto recebe, ainda, os seguintes nomes: mar de Arab, mar Oriental, mar do Sal. Flvio Josefo cognomina-o de lago do Asfalto. Para os rabes, ele  
o mar Pes-tilento. No Talmude,  denominado de mar de Sodoma. Os povos vizinhos de Israel colocaram-lhe outros apelidos: mar de Sodoma e Gomorra, mar de Segor, mar 
de L, etc.
      Localizado na foz do rio Jordo, entre os montes de Jud e Moabe, o mar Morto constitui-se na mais profunda depresso da Terra. Encontra-se a mais de 400 metros 
abaixo do nvel do Mediterrneo. Com 78 quilmetros de comprimento por 18 de largura, o mar do Sal ocupa uma rea de 1.020 km-.
      Na regio ocupada hoje pelo Mar Morto, ficavam, provavelmente, as impenitentes cidades de Sodoma e Gomorra, destrudas pelo Todo-poderoso. Nessas guas salgadas, 
no h qualquer espcie de vida. Esse mar, por conseguinte,  o prprio smbolo da conseqncia do pecado: a morte. Nenhum peixe consegue aproximar-se desse cemitrio 
aqutico.
      O Estado de Israel, entretanto, extrai do mar Morto bilhes de dlares em sal e minrios. A riqueza desse inusitado lago  mais que formidvel: 22 trilhes 
de toneladas de cloreto de magnsio; 11 trilhes de toneladas de cloreto de sdio; 7 trilhes de toneladas de cloreto de clcio; 2 trilhes de toneladas de cloreto 
de potssio e 1 trilho de toneladas de brometo de magnsio. Essas cifras foram extradas do livro "Geografia da Terra Santa", do eminente pastor Enas Tognini.
      Jlio Minhan, citado por Abrao de Almeida, fala sobre as fabulosas riquezas do mar Morto: "Como esto estas riquezas? Esto em sais que as indstrias de todo 
o mundo procuram desesperadamente. Incluindo as inmeras toneladas de sais e dos metais preciosos, h muitos outros, e como seria cansativa sua enumerao! Limitar-nos-emos 
a dizer que a fortuna que pode ser retirada do mar Morto daria para comprar todos os pases de influncia muulmana da sia, Europa e frica em contrapeso".
      O mar Morto, tendo em vista a sua singular posio geogrfica, no tem nenhum escoadouro para suas guas. Esse problema  solucionado pela descomunal evaporao. 
Aproximadamente 8 milhes de toneladas de gua so evaporadas por dia nessa regio, onde a temperatura, no vero, chega a 50". Em algumas pocas do ano, esse lago 
chega a lembrar um gigantesco tacho em ebulio.
      Nas proximidades do mar Morto, ficava a Fortaleza de Maquerus, construda por Alexandre Janeu, no ano 88 a.C.. e arrasada pelos romanos em 56 a.C. Herodes. 
o Grande, reconstruiu-a mais tarde. Nela, foi supliciado o precursor do Messias, o piedoso Joo Batista. Herodes mandou construir, ainda, na margem ocidental dessa 
imensa fossa salgada, a cidadela de Massada, ltimo reduto da resistncia judaica ao domnio romano. Ao Norte, encontramos as runas da comunidade essnia, onde 
foram encontrados os famosos manuscritos do mar Morto.
      
      3 - Mar da Galilia
      O mar da Galilia no  propriamente um mar. Trata-se, na realidade, de um grande lago de gua doce, formado pelo rio Jordo. No Novo Testamento, recebe os 
seguintes nomes: mar de Quinerete, mar de Tiberades e lago de Ge-nezar.
      Por que ento os judeus o tratam de mar? Por causa de seu tamanho e violentas borrascas que o agitam constantemente. O mar da Galilia tem 24 quilmetros de 
comprimento por 14 de largura. Com uma profundidade mdia de 50 metros, encontra-se a quase 230 metros abaixo do nvel do Mediterrneo. Tendo em vista sua posio, 
serve de ponto de equilbrio s guas do Jordo.
      O mar da Galilia est distante do Mediterrneo umas 27 milhas. E, de Jerusalm, 60 milhas em direo ao Nordeste. Em suas margens orientais, encontram-se 
altas montanhas. J em seu lado ocidental, podemos contemplar frteis plancies e importantes cidades como Genezar, Betsaida, Tiberades, Cafarnaum, Corazim e Magdala. 
Nessa regio, Jesus desenvolveu importantes facetas de seu ministrio: ensinou, fez prodgios e maravilhas, repreendeu a fria das guas e, com intrepidez, anunciou 
o Reino dos Cus. O Divino Mestre, inclusive, andou sobre as guas desse grande lago, causando pnico em seus discpulos.
      Ao Norte do mar da Galilia, o clima  bastante agradvel, propcio ao desenvolvimento de grandes projetos agro-pecurios. Eis as impresses de W. J. Goldsmith: 
"Na Galilia, vimos sete feies salientes: sua dependncia do Lbano, abundncia de gua dele provenientes, fertilidade e fartura, caractersticas vulcnicas, grandes 
estradas atravessando a regio, populao densa e operosa, e a proximidade do mundo exterior. Pois bem: essas sete feies da Galilia em geral, vemo-las concentradas 
no lago e suas margens. O lago da Galilia era, efetivamente, o centro focai da provncia. Imaginemos aquela abundncia de gua, fertilidade, influncia vulcnica, 
estradas, populao numerosa, comrcio, indstria e forte influncia grega - imaginemos tudo isto reunido em um profundo vale, sob um calor quase tropical, e temos 
o cenrio onde surgiu o cristianismo e onde o prprio Cristo trabalhou."
      No perodo neotestamentrio, havia nove cidades em redor do mar da Galilia, com uma populao global de quase 150 mil habitantes. Acrescenta Goldsmith: "Betsai-da 
e Cafarnaum ficavam ao norte, atravessadas pela estrada galilia de maior movimento, a Vila Maris, porm no podemos precisar-lhe o local. O stio mais provvel 
de Cafarnaum, onde Jesus morava e onde viu Mateus 'sentado na coletoria',  o que hoje se denomina Tel Hura."
      Com o seu formato oval, o mar da Galilia  muito piscoso. Nesse lago, podemos encontrar 22 espcies de peixes, entre as quais: carpas, sardinhas, peixe-gato, 
peixe-galo e o famoso "chromis simonis", ou peixe de So Pedro. No tempo de -Jesus, a pesca era uma rendosa indstria em Cafarnaum.
      George Adam Smith, descreve desta forma o maravilhoso lago de Israel: "guas doces, cheias de peixes, uma superfcie de cintilante azul. O lago da Galilia 
, ao mesmo tempo, comida, bebida e ar; um descanso para os olhos, um suavizante do calor e um refgio do rudo e da multido."
      
      4 - Mar Vermelho
      Embora no pertena  Terra Santa, encontra-se o mar Vermelho estreitamente ligado  histria do povo israelita. Ele  conhecido nas Sagradas Escrituras como 
"Yam Suph", que significa plantas marinhas.
      O mar Vermelho separa os territrios egpcio e saudita. Na parte setentrional, divide-se em dois braos pela pennsula do Sinai,  brao ocidental  conhecido 
como golfo de Suez. O oriental, golfo de Akaba.
      Acerca do golfo de Suez, informa Buckland: "O golfo de Suez gradualmente se tem estreitado desde a era crist (Is 11.15 e 19.5), secando-se a lngua do mar 
Vermelho em uma distncia de 50 milhas. Por isso vai-se tornando maior a dificuldade de determinar onde atravessaram os israelitas o mar Vermelho; mas provavelmente 
devia ter sido perto dos atuais lagos Amargos. A entrada do Golfo de Akaba estavam os dois nicos portos do mar Vermelho, mencionados na Bblia: - Elate e Eziam-geber. 
A parte mais larga do mar Vermelho, at o stio onde se tende em dois Golfos,  de 200 milhas, e a parte mais estreita  de 100 milhas, pouco mais ou menos. A largura 
do golfo de
      Suez . em mdia, de 18 milhas, sendo a do golfo de Akaba consideravelmente menor,  primeiro comunica com o mar Mediterrneo, pelo ('anal de Suez.  provvel 
que os israelitas tivessem atravessado o mar Vermelho, num ponto que fica cerca de 30 milhas ao norte da atual entrada do golfo do Suez, isto , na extremidade setentrional 
do mar Vermelho, como ele ento era. Como todo o exrcito egpcio pereceu nas guas, devia neste lugar o mar Vermelho ter tido pelo menos a largura de 12 milhas. 
O livramento dos israelitas, na travessia do mar Vermelho, tornou-se, no esprito da nao judaica, o maior fato da sua histria."
      
      II - RIOS DA TERRA SANTA
      Quando da descoberta do Brasil, escreveu Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal: "As guas so muitas." Em Israel, no entanto, conforme j dissemos, os recursos 
hdricos so sobremaneira escassos.
      Dos rios existentes na Terra Santa, s o Jordo merece, de fato, esse nome. Os outros, no Brasil, por exemplo, seriam chamados de arroios e riachos. Vejamos, 
pois, como so os rios israelitas. Em primeiro lugar, estudaremos os que compem a bacia do Mediterrneo. Depois, os que formam a bacia do Jordo.
      O que  um rio?
      Fomos obrigados a recorrer, uma vez mais, ao mestre Aurlio. Eis a sua definio: "Curso de gua natural, de extenso mais ou menos considervel, que se desloca 
de um nvel mais alto para outro mais baixo, aumentando progressivamente o seu volume at desaguar no mar, num lago, ou noutro rio, e cujas caractersticas dependem 
do relevo, do regime de guas, etc."
      O hebraico possui um nmero considervel de vocbulos que so constantemente usados. "Nahal" significa, segundo o Novo Dicionrio da Bblia, um wadi ou vale 
dotado de uma corrente de gua; no vero, transforma-se num leito seco ou ravina, ainda que no inverno seja uma correnteza copiosa. Acrescenta o mesmo dicionrio: 
"O segundo termo, 'nhr',  a palavra regular com o sentido de 'rio' na lngua hebraica."
      
      Mapa dos afluentes do Jordo, Mediterrneo e Mar Morto
      
      1 - Bacia do Mediterrneo
      A bacia do Mediterrneo  composta pelos seguintes rios: Belus, Quisom, Cana, Gas, Serec e Besor.
      1.1  - Rio Belus
      Correndo ao sudoeste do territrio asserita, o rio Belus caminha em direo ao mar Mediterrneo. Nas Sagradas Escrituras, ele aparece com o nome de Sior-Libnate, 
conforme lemos em Josu 19.26: "E Alameleque, e Amade, e Misal: e chega ao Carmelo para o ocidente, e a Sior-Libnate."
      As guas do Belus so despejadas na baa do Acre, nas proximidades da cidade de Acco. Durante dois teros do ano, esse rio permanece seco, constituindo-se 
em um dos numerosos wadis palestnicos. Hoje, esse rio  chamado de Nam pelos rabes e judeus.
      1.2  - Rio Quisom
      O Quisom  o maior rio da bacia do Mediterrneo e o segundo em importncia de Israel. Chamam-no os rabes de Nahr Makutts. Nascendo em Esdraelom, recebe inmeras 
vertentes durante o seu curso. Nas imediaes do Tabor e do Pequeno Hermom, ele j  bem caudaloso.
      Nas proximidades do Quisom, ficava Tminate, onde morava Dalila, a meretriz filistia que causou a desgraa de Sanso. Esse rio desgua no Mediterrneo, entre 
Jope e Ascalom. Ao contrrio do Belus, o Quisom  perene, ou seja, suas guas no secam nem no vero.
      1.3  - Rio Cana
      O rio Cana  citado apenas no Antigo Testamento. Constitua-se em fronteira natural entre as Tribos de Efraim e Manasses. Nasce nas imediaes de Siquem e 
atravessa a plancie de Sarom. Como os anteriores, despeja suas guas no mar Mediterrneo.
      Seu nome decorre do fato de ele correr nas proximidades da cidade de Cana de Efraim (no confundir com a localidade onde Cristo realizou o seu primeiro milagre). 
Na antigidade, havia abundncia de juncos em suas margens. Esse rio , tambm, um wadi: s possui gua nos meses chuvosos.
      1.4   - Rio Gas
      O destemido lder e bravo general hebreu, Josu, foi sepultado no monte Gas. Perto dessa elevao, corre um rio, tambm chamado Gas. Um rio? No, um ribeiro! 
 semelhana dos outros wadis, s possui gua em determinados perodos do ano.
      As guas do Rio Gas banham a plancie de Sarom e desembocam no mar Mediterrneo, nas proximidades de Jope. "Gas", em hebraico, significa terremoto.
      1.5  - Rio Sorec
      O Sorec despeja suas guas no Grande Mar, entre Jope e Ascalom, ao Norte do antigo territrio filisteu. Suas nascentes ficam nas montanhas de Jud, a sudoeste 
de Jerusalm. No vale, por onde corre esse rio, morava a noiva de Sanso. Em suas redondezas, ficava o Vale de Sora, terra natal do profeta Samuel.
      Em hebraico, "Sorec" quer dizer vinha escolhida, em virtude dos vinhedos existentes nas margens desse rio.
      1.6  - Rio Besor
      O Besor no  propriamente um rio, mas um ribeiro que fica nas imediaes de Ziclaque, no Sul de Jud.  o mais caudaloso dos wadis que desguam no mar Mediterrneo.
      O atual nome desse rio  Sheriah. Nas redondezas de Besor, o bravo Davi libertou os habitantes de Ziclaque das garras dos amalequitas. Foi um dos maiores feitos 
do filho de Jess e antecessor real de Jesus.
      Besor  sinnimo de refrigrio.
      
      2 - Bacia do Jordo
      A bacia do Jordo  formada pelos seguintes rios: Jordo, Querite, Cedrom, Iarmuque, Jaboque e Arnom. Alguns desses afluentes so bastante pequenos, quase 
inexpressivos. Vale a pena, porm, conhec-los, pois esto intimamente ligados  histria da salvao. 2.1 - Rio Jordo
      O rio Jordo tem trs fontes: Banias, Dan e Hasbani. Elas no nascem em territrio israelense; comeam a correr no monte Hermom, localizado na Sria. Em hebraico, 
"Jordo" significa decl        ive ou o que desce, por causa de seu vertiginoso curso: do cume do Monte Hermom  mais profunda depresso do planeta - o mar Morto. 
       
       
      Mapa das cabeceiras do rio Jordo
      
      No obstante a sua importncia histrica, o Jordo  um rio pequeno. Tem 252 quilmetros de extenso, levando-se em conta os seus infindos meandros. 
      Oswaldo Ronis fala acerca do estranho curso desse rio essencialmente palestnico: "Costuma-se dividir o curso do Jordo em trs trechos para um estudo mais 
detalhado: - 0 PRIMEIRO TRECHO, ou seja, a regio das nascentes,  a que acabamos de descrever nos seus aspectos mais setentrionais e que vai at o lago de Merom. 
Depois da juno das quatro nascentes, o Jordo atravessa uma plancie pantanosa em uma extenso de 11 quilmetros e entra no lago de Merom. Neste trecho, a sua 
largura varia muito e a profundidade vai a 3 e 4 metros -
      
      
      
      O SEGUNDO TRECHO tambm chamado o Jordo superior, compreende o rio entre o lago de Meron e o mar da Galilia, extenso esta de cerca de 20 quilmetros.  
um trecho quase reto, com um declive de 225 metros, o que forma as suas guas impetuosas e provoca um enorme trabalho de eroso. A fora da impetuosidade das guas 
do Jordo neste trecho  tanta que quase 20 quilmetros mar da Galilia adentro ainda se percebe a sua correnteza. Neste trecho, o terreno  rochoso, de vegetao 
mdia, e a largura do rio varia entre 8 e 15 metros. - O TERCEIRO TRECHO, ou o Jordo interior estende-se do mar da Galilia ao mar Morto numa distncia de 117 quilmetros 
em linha reta e cerca de 340 quilmetros pelo leito sinuoso do rio, tendo uma largura que varia entre 25 e 35 metros, e l a 4 metros de profundidade. Este trecho 
sofre um declive de 200 metros pelo qual o rio desce precipitadamente, formando numerosos meandros e cascatas e alargando o vale at 15 quilmetros, como ocorre 
na altura de Jerico. Este vale  limitado quase em toda a sua extenso por verdadeiras muralhas de rocha calcria, o que torna muito difcil a sua travessia. At 
o tempo dos romanos, no havia pontes sobre o Jordo. De modo que a sua travessia era feita em certos lugares de margens mais rasas e guas menos profundas, chamados 
vaus. Um desses vaus ficava defronte de Jerico, outro perto da desembocadura do rio Jaboque, e o terceiro nas proximidades de Sucot."
      Havia, nos tempos bblicos, grande floresta s margens do rio Jordo. Segundo depreendemos de alguns textos bblicos, nesses frondosos bosques havia at lees. 
Hoje, porm, a regio encontra-se desnuda e, praticamente, morta. Com muita dificuldade, consegue-se encontrar tamareiras, palmeiras e tamargueiras nessa aridificada 
rea.
      Eis como o rio Jordo  mencionado pela primeira vez nas Sagradas Escrituras: "E levantou L os seus olhos, e viu toda a campina do Jordo, que era toda bem 
regada, antes de o Senhor ter destrudo Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito quando se entra em Zoar. Ento L escolheu para si 
toda a campina do Jordo, e partiu L para o Oriente, e apartaram-se um do outro" (Gn 13.10 e 11).
      Abrao, Isaque e Jac tornaram-se ntimos do Jordo. As guas desse rio abriram-se para o povo de Deus conquistar Cana. Mostrando-se perene e, resistindo 
a todas as intempries, o Jordo sempre esteve ligado  histria de Israel. Foi em seu leito que Naam viu-se livre da lepra. s margens do milenar Jordo, Joo 
Batista batizou o Filho de Deus.
      O Jordo no  um rio atraente. Do ponto de vista humano, Naam tinha toda a razo em no querer banhar-se em suas escuras e barrentas guas. Afinal de contas, 
na terra natal desse corajoso general, havia cristalinos riachos. No bastasse sua falta de beleza natural, nas imediaes do Jordo, o clima  quente e sufocante.
      El-Seri-Ah al-Kabirah  o nome rabe do rio Jordo. Eis o seu significado: o grande bebedouro. Por que essa designao? Em virtude, talvez, do grande volume 
de guas que lana no mar Morto: 17.280.000 m por dia. O Jordo no  navegvel, mas, serviu de rea defensvel a Israel durante vrios sculos.
      2.2  - Rio Querite
      Perseguido pela diablica Jezabel, o profeta Elias recebeu do Senhor a seguinte ordem: "Vai-te daqui, e vira-te para o Oriente, e esconde-te junto ao ribeiro 
de Querite, que est diante do Jordo. E h de ser que bebers do ribeiro: e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem. Foi pois, e fez conforme a palavra 
do Senhor: porque foi, e habitou junto ao ribeiro de Querite, que est diante do Jordo" (1 Rs 17.3-5).
      O Querite, tambm no  propriamente um rio. Trata-se de mais um dos numerosos wadis existentes na Terra Santa. Para alguns autores, alis, no passa de um 
filete de gua que, a maior parte do ano constitui-se em um vale seco.
      Tendo sua nascente nos montes de Efraim, o Querite desgua no rio Jordo. Esse ribeiro fica na Transjordnia.
      2.3  - Rio Cedrom
      O monte das Oliveiras  separado do Mori por um rio. Eis o seu nome: Cedrom. Essa designao significa em hebraico escuro. Nascendo a dois quilmetros e meio 
de Jerusalm, corre para o sudoeste. Em seu curso, acompanha os muros da cidade Santa. Antes de vomitar suas -guas, no mar Morto, vagueia durante 40 quilmetros.
      Pelo ribeiro do Cedrom passou o rei Davi, quando fugia de seu demagogo e ambicioso filho: "E toda a terra chorava a grandes vozes, passando todo o povo: tambm 
o rei passou o ribeiro de Cedrom, e passou todo o povo na direo do caminho do deserto" (2 Sm 15.23). Absalo desejava a morte de seu pai para reinar sobre Israel.
      Sculos mais tarde, Jesus, o maior descendente do rei Davi, passou por essa regio: "Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discpulos para alm do ribeiro 
de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discpulos" (Jo 18.1).
      2.4  - Rio Iarmuque
      Constituindo-se no maior afluente oriental do Jordo, o rio Iarmuque  formado por trs braos. Quando da conquista de Cana, serviu de fronteira entre a tribo 
de Manasses e a regio de Bas. Aps escorregar-se pelos montes, o Iarmuque penetra no rio Jordo, a 200 metros abaixo do nvel do mar.
      Esse rio no  mencionado nas Sagradas Escrituras. Os gregos o conhecem como Ieromax. Atualmente,  chamado de Sheriat-el-Man-jur.
      2.5  - Rio Jaboque
      O Jaboque nasce ao sul da montanha de Gileade. Tributrio oriental do Jordo, esse rio corre em trs destintas direes: leste, norte e Noroeste. Antes de 
desembocar no Jordo, descreve, entre o mar da Galilia e o mar Morto, uma semi-elipse. Seu curso tem aproximadamente 130 quilmetros.
      O rio Jaboque  perene e, no passado, servia de fronteira entre as tribos de Rubem e Gade. Em suas imediaes, o patriarca Jac lutou contra o Anjo do Senhor. 
Foi um combate acirrado. Mas, no final, o piedoso hebreu recebeu inefvel bno do Senhor. No Vale do Jaboque, portanto, a semente de Abrao recebeu sua designao 
nacional: Israel.
      Jaboque significa o que derrama. Os rabes, entretanto, chamam-no de Nahar ez-Zerka - rio azul.
      2.6  - Rio Arnom
      Em 1868, o missionrio alemo, F.A. Klein, encontrou em Dibom, nas imediaes do rio Arnom, a famosa Pedra Moabita, que contm uma inscrio em hebraico e 
fencio.
      Essa escritura bilnge confirma a historicidade do trecho bblico de segundo Reis 3.4-27. A descoberta arqueolgica de Klein mostra quo importante  o rio 
Arnom (que significa rpido e tumultuoso) para a histria da Terra Santa.
      O rio Arnom nasce nos montes de Moabe e desemboca no mar Morto. Durante sculos, esse afluente serviu de fronteira natural entre os moabitas e amorreus. Mais 
tarde, com a conquista de Cana, separou os israelitas dos moabitas.
      Isaas e Jeremias falaram acerca do Arnom. Profetizou o primeiro: "Doutro modo suceder que sero as filhas de Moabe junto aos vaus de Arnom como o pssaro 
va-gueante, lanado fora do ninho" (Is 16.2).
      Atualmente, o Arnom  conhecido como Wadi el-Modjibe. Nas pocas de chuva, esse rio  volumoso. Entretanto, depois da primavera, comea a secar.
      
      III - LAGO DE MEROM
      Encontramos apenas um lago na Terra Santa. Trata-se do Lago de Merom. O mar da Galilia  tambm considerado um lago. No entanto, por causa de suas avantajadas 
dimenses, no  assim, classificado.
      Antes de mais nada, porm, vejamos como os lagos so definidos.
      A palavra portuguesa lago vem do latim 'lacus' e significa reservatrio de gua. Esse termo latino, contudo,  oriundo deste vocbulo grego: "Lakkos" - fosso, 
poo. Geograficamente, os lagos so constitudos de grandes massas de gua concentradas em depresses topogrficas, cercadas de terra por todos os lados. Eles encontram-se, 
com mais freqncia, em zonas de latitudes elevadas, mas, so universalmente distribudos. No que tange s dimenses, no h uniformidade. Via de regra, os lagos 
so alimentados por riachos ou rios. O escoamento de suas guas  feito por meio de um ou mais emissrios.
      O lago de Merom  conhecido, tambm como guas de Merom, conforme registra o livro de Josu: "Todos estes reis se ajun taram, e vieram e se acamparam junto 
s guas de Merom, para pelejarem contra Israel. E disse o Senhor a Josu: No temas diante deles; porque amanh a esta mesma hora eu os darei todos feridos diante 
dos filhos de Israel; os seus cavalos jarretars, e os seus carros queima-rs a fogo. E Josu, e toda a gente de guerra com ele, veio apressadamente sobre eles s 
guas de Merom: e deram neles de repente" (Js 11.5-7).
      Formado pelas guas do Jordo, o lago de Merom tem 10 quilmetros de comprimento por seis de largura. Acha-se a dois metros acima do Mediterrneo. Sua profundidade 
varia entre trs e quatro metros. Hoje, esse lago perdeu sua antiga forma, porque foi adaptado pela engenharia s exigncias do pas. Merom fica a 20 quilmetros 
do mar da Galilia.
      
      
      
      A vida submarina no golfo de Eilat  uma das mais ricas do Planeta
      
      
      
      
      
    Clima da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Clima da Terra Santa. II - O clima nas montanhas. III - O clima no litoral. IV -O clima no deserto. V - Ventos. VI - Estaes. VII 
-Chuvas.
      
      INTRODUO
      No obstante suas exguas dimenses territoriais, a Terra Santa apresenta uma impressionante variedade climtica. Com muita razo ela  considerada a sntese 
meteorolgica do mundo. Antes, porm, de estudarmos esse importantssimo aspecto de Israel, daremos algumas noes elementares acerca do que convencionamos chamar 
de clima.
      "Clima"  uma palavra de origem grega, que significa inclinar, reclinar.
      Maximilien Sorre explica: "O clima  modernamente definido como a sntese do tempo ou o ambiente atmosfrico constitudo pela srie de estados da atmosfera 
acima de um lugar, em sua sucesso habitual." Embasa-se o estudo do clima na observao dos vrios tipos de tempo, apresentados de forma encadeada e rimada em determinado 
lugar. Deve-se levar em conta, tambm, a dependncia dos movimentos executados pelas massas de ar e suas frentes.
      A Enciclopdia Mirador Internacional fala acerca da importncia das variaes climticas: "O clima est de tal forma ligado ao mundo biolgico do planeta, 
que a atual repartio geogrfica das espcies animais e vegetais no pode ser bem compreendida sem o seu estudo; intervm ainda na formao dos solos, na decomposio 
das rochas, na elaborao das formas do relevo, no regime dos rios e das guas subterrneas, no aproveitamento dos recursos econmicos, na natureza e ritmo das atividades 
agrcolas, nos tipos de cultivo praticados, nos sistemas de transportes e na prpria distribuio dos homens sobre o globo.
      
      I  - O CLIMA NA TERRA SANTA
      Israel, geograficamente, localiza-se na faixa subtropical. Explica-se, portanto, a variedade de seu clima. Genericamente, contudo, apenas duas estaes sobressaem 
na Terra Santa: a chuvosa e a seca. Ambas so acompanhadas, respectivamente, com muito frio e calor.
      
      II - O CLIMA NAS MONTANHAS
      Um pas montanhoso, assim  Israel. Hebrom  o ponto mais elevado do territrio israelita, com mais de mil metros. Jerusalm, por seu turno, encontra-se a 
800 metros de altura.
      Nas montanhas, o clima  fresco e bastante ventilado. No vero, esse quadro altera-se um pouco, em conseqncia das correntes de ar quente provenientes do 
Sul e do Ocidente. Na cidade santa, durante o inverno, a temperatura chega a 6 graus positivos, com neves e freqentes geadas. No vero, os termmetros oscilam entre 
14 e 29 graus.
      
      III      O CLIMA NO LITORAL
      Encontrando-se ao ocidente do mar Mediterrneo, Israel  bafejado por reconfortadoras e constantes brisas, rincipalmente,  noite. Durante o inverno, a temperatura 
baixa para menos de 14 em Gaza e Jafa. No pico do vero, os termmetros chegam a registrar 34?! Em algumas localidades situadas mais ao norte, o inverno torna-se 
insuportvel.
      
      IV - O CLIMA NO DESERTO
      De uma maneira geral, nos desertos de Israel, as temperaturas oscilam, no vero, entre 43, 47 e 50. Inclui-se, nessa classificao, o Vale do Jordo.
      
      V - VENTOS
      As correntes de ventos que varrem o Oriente Mdio encarregam-se da formao do clima da Terra Santa: as midas, do mar Mediterrneo, as frias, dos montes do 
Norte; e as quentes, das regies desrticas.
      Eis como os hebreus classificavam os ventos: Safon, portador de geadas; Quadim, faz crescer a vegetao; O do Oeste encarrega-se das chuvas; e, Darom  mensageiro 
do calor. H, tambm, uma corrente de ar proveniente da Arbia, cognominada Sir. Esses ventos so to quentes que chegam a queimar a lavoura.
      
      VI - ESTAES
      Depreendemos de algumas passagens bblicas que, no Oriente Mdio, havia somente duas estaes: inverno e vero. Diz o profeta Isaas: "Eles sero deixados 
juntos s aves dos montes e aos animais da terra e sobre eles veranearo as aves de rapina, e todos os animais da terra invernaro sobre eles" (Is 18.6).
      Comeava o inverno em outubro e estendia-se at o ms de maro. Nessa poca, os montes cobriam-se de neve. O vero tinha o seu incio em abril e ia at setembro. 
Os agricultores aproveitavam bem essa estao para colher e preparar a terra.
      
      VII - CHUVAS
      Ao contrrio do Egito, as chuvas em Israel so abundantes. As primeiras chuvas comeam em outubro e, constituem-se em fortes aguaceiros, notadamente, no litoral. 
Nas montanhas, as precipitaes so fracas e finas. No deserto no chove. Alguns estudiosos, porm, acreditam que, no tempo de Herodes, o Grande, as chuvas no eram 
escassas nas regies desrticas. Isto porque, ele construiu uma fortaleza em Massada com grandes cisternas, para captar gua proveniente das chuvas. Eis a mdia 
das precipitaes pluviais: 1090 mm por ano.
      O orvalho continua a cair na Terra Santa. At mesmo as reas desrticas recebem essa ddiva dos cus. O orvalho de Hermom, por exemplo,  proverbial.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Quarta Parte
      
    Geografia Econmica da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Uma terra que mana leite e mel. II - A flora da Terra Santa. III - Fauna da Terra Santa. IV - Os minerais da Terra Santa.
      
      INTRODUO
      As riquezas da Terra Santa so legendrias. Em seus exguos territrios, concentram-se, sinteticamente, a opulncia de todos os pases do mundo. E, quando 
estudamos a geografia econmica de Israel, conscientizamo-nos da veracidade desta expresso bblica: Terra que mana leite e mel.
      Antes de tentarmos relacionar os formidveis recursos das possesses abramicas. veremos rapidamente o sentido do termo economia.
      Origina-se a palavra "economia" de duas outras gregas: "oikos" - co.sfl.e. "nomos" - governo. Significa, portanto, segundo Silvio Barretti. governo ou administrao 
do lar, no sentido de zelar pelos seus pertences, pelo patrimnio familiar. O escritor grego Xenofonte foi o primeiro a usar esse vocbulo. Sculos mais tarde, o 
francs Antoine Montechretien criaria a locuo economia poltica.
      As riquezas de um pas esto diretamente ligadas  produo de bens teis, com o aproveitamento da matria-prima extrada da natureza. Explica-nos o professor 
Bar-retti: "Produo , pois, a transformao, pelo homem, atravs de trabalho consciente, das coisas existentes na natureza, em bens econmicos, capazes de satisfazer 
s necessidades presentes e futuras das pessoas. Assim age o homem porque os bens naturais, isto , aqueles oferecidos pela natureza, so insuficientes qualitativa 
e quantitativamente, alm de distribudos irregularmente na superfcie da terra, para a satisfao de todas as necessidades humanas. Sendo os bens naturais insuficientes, 
compete ao homem adapt-los ao consumo, aumentando-lhes as utilidades, ou seja, produzindo os bens artificiais (ou industrializados)."
      Na geografia da Terra Santa, veremos os diversos recursos naturais que podem gerar divisas  nao israelense.
      
      I - UMA TERRA QUE MANA LEITE E MEL
      Assim fala o Senhor acerca das riquezas da Terra Santa: "Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comeu as novidades do campo, e o fez chupar mel da 
rocha e azeite da dura pederneira. Manteiga de vacas, e leite do rebanho, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Bas, e dos bodes, com gordura 
dos rins do trigo; e bebeste o sangue das uvas, o vinho puro" (Dt 32.13,14).
      Eis o relatrio do primeiro servio secreto de Israel: "Fomos  terra a que nos enviaste; e verdadeiramente mana leite e mel" (Nm 13.27). Corroborando suas 
palavras, os doze espias mostraram a Moiss e ao povo enorme cacho de uvas colhido no vale do Escol e outras frutas. Os israelitas admiraram-se do tamanho e aparncia 
dos produtos de Cana.
      Naquele tempo, Israel era uma terra sem igual. As chuvas eram regulares e as colheitas abundantes. Tanto a sua flora como a sua fauna causavam espcie. Suas 
reservas minerais, espantosas.
      
      II - A FLORA DA TERRA SANTA
      A flora, mencionada nas Sagradas Escrituras,  de uma riqueza inigualvel. No Antigo Testamento, encontramos mais de cem espcies vegetais. Atualmente, o governo 
de Israel est envidando esforos para recuperar o exuberante reino vegetal de seu territrio.
      Estes eram os produtos encontrados com mais facilidade no perodo veterotestamentrio: trigo, oliva e uva. Esses alimentos formavam a dieta dos israelitas 
e constituam-se no trinmio repetido constantemente na Bblia: po, azeite e vinho. Eis mais alguns alimentos usados pelos filhos de Israel: cevada, lentilha, feijo, 
mostarda, pepino, cebola, alho, rom, melo e tmara.
      Estas eram as plantas silvestres mais encontradas nos tempos bblicos: cedro, faia, pinheiro, accia, palmeira, carvalho, murta. Das flores, aqui esto as 
mais famosas: lrio do campo e rosa de Sarom.
      W. J. Goldsmith fala acerca da flora de Israel: "Se a Palestina no  terra de florestas,  terra de pomares. O abric, o figo, a cidra, a rom, a amora e 
a tmara (esta no Baixo-Jordo) so encontrados, mas a oliveira e a parreira foram sempre as duas principais rvores frutferas da Palestina. Hoje, estendem-se os 
laranjais sobre largas reas das colnias judaicas. O cultivo dos cereais era limitado aos planaltos menos elevados, aos vales mais abertos e s planceis. Os melhores 
trigais so os da Filistia, do Esdrelon, do Mukneh (a leste de Nabus) e do haur. A cevada, alimento dos animais e dos camponeses mais pobres, tornava-se o alimento 
dos israelitas em geral quando, perseguidos pelos rabes, eram obrigados a abandonar as plancies. Assim, foi como um po de cevada que o midianita viu em sonho 
o israelita, rodando colina abaixo e derribando sua tenda (Jz 7.13)." Atravs de intensos programas de irrigao, o governo israelense est conseguindo reflorestar 
a Terra Santa. Do documentrio Este  Israel, extramos este trecho para mostrar o que os judeus, com a ajuda do Todo-poderoso, esto fazendo para tornar o seu rido 
solo em um jardim: "Nos tempos bblicos, as terras de Israel eram cobertas de florestas. Nos sculos subseqentes, especialmente durante a Idade Mdia, muitas florestas 
foram destrudas pelos nmades e suas cabras e outras pelos turcos que as usavam como combustvel para seus trens militares. Grande parte do reflorestamento tem 
sido realizado pela comunidade judaica, sendo que a maioria das florestas que cobrem hoje o solo de Israel foram plantadas durante os ltimos 50 anos. Das poucas 
florestas antigas sobrevivem principalmente os bosques da Galilia. Em 1948, havia 4.388.000 rvores em Israel. Quase 30 anos depois, havia 103.000.000 rvores, 
quase todas plantadas pelo Fundo Nacional Judaico."
      
      III - FAUNA DA TERRA SANTA
      As Sagradas Escrituras mencionam quase 130 nomes de animais selvagens e domsticos. La Enciclopdia de Ia Bblia, citada pelo pastor Enas Tognini, cataloga 
50 espcies de mamferos, 42 de invertebrados, 46 de aves e 19 rpteis, peixes e anfbios.
      Relacionaremos, a seguir, os animais encontrados com mais freqncia nos tempos bblicos: 1) Selvagens: leo, urso, leopardo, hiena, vbora, cora, lebre, 
chacal, lobo, raposa, camaleo; 2) Domsticos: ovelha, vaca, cabra, mula, camelo, cavalo, jumento e co; 3) Aves: perdiz, cordoniz, pombo, galinha, avestruz, cegonha, 
rola, corvo, pelicano, etc; 4) Insetos: abelhas e gafanhotos de diversas espcies, formigas, mosquitos e moscas; 5) Peixes: 43 espcies, sendo o mais famoso o peixe 
de So Pedro.
      Entre os insetos mencionados, os gafanhotos so consumidos at o dia de hoje. Essa estranha iguaria  bastante apreciada pelos bedunos e pobres.
      O que aconteceu com a fauna israelita?
      Em conseqncia dos muitos incndios provocados por exrcitos conquistadores, a fauna palestnica sofreu enormes prejuzos. E, um dos objetivos do governo 
israelense , justamente, reconstituir o luxuriante reino animal da Terra Santa. Para isso, est gastando milhes de dlares com o reflorestamento de seu territrio.
      IV     OS MINERAIS DA TERRA SANTA
      Os israelitas, de acordo com a Palavra do Senhor, herdariam uma terra, cujas pedras so ferro e, em cujos montes, achariam o cobre (Dt 18.7-9). A Terra Santa, 
de fato, possui gigantescas reservas de minrios:
      Eis os minrios encontrados, com mais freqncia em Israel: ouro, prata, ferro, enxofre, cobre, estanho e chumbo.
      O mar Morto, conforme j dissemos,  uma fonte inesgotvel de riquezas. Suas reservas em sais e minerais so oradas em bilhes e bilhes de dlares.
      Segundo alguns textos bblicos, em Israel h abundncia de pedras preciosas. H, pelo menos, duas relaes delas nas Sagradas Escrituras. O diamante, por exemplo, 
gera muitas divisas  nao israelense. Grande parte da produo diamantfera do mundo passa por Israel.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Quinta Parte
    
    Geografia Humana da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - A famlia hebraica: 1 -Casamento. 2 - Contrato de casamento. 3 - Noivado. 4 -Npcias. 5 - Divrcio. 6 - Filhos. II - A vida social 
hebraica: 1 - O lugar da mulher na sociedade. 2 - Saudaes. 3 - Sepultamento e luto. III - Moradia: 1 - Tendas. 2 - Cabanas. 3 - Tabernculo. 4 - Casas. 5 - Torres 
de Vigia. 6 - Palcios. IV - Moblia. V - Alimentao. VI - Indumentria: 1 - Vesturio masculino. 2 - Vesturio feminino. VII - Dinheiro da Terra Santa.
      
      INTRODUO
      A geografia humana da Terra Santa  interessantssima. Revela-nos a maneira particular como viviam os hebreus, cuja existncia girava em torno da Lei de Moiss. 
Em seus usos e costumes, demonstravam quo apegados estavam s suas tradies e razes histricas. Somente o povo judeu sabe preservar, com tamanha gana, sua identidade 
nacional.
      No obstante suas agruras e exlios, os filhos de Abrao tm conservado sua herana cultural e espiritual. Com muita razo escreveu Lacordaire: "O povo judeu 
tem sido o historiador, o sbio, o poeta da humanidade". No fosse esse apego s suas origens, a nao hebraica de h muito teria desaparecido.
      
      I - A FAMLIA HEBRAICA
      Para os hebreus, a famlia  de origem divina. E, de fato, o . Disse o Senhor ao criar os primeiros representantes da raa humana: "Faamos o homem  nossa 
imagem, conforme a nossa semelhana; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos cus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o rptil que se 
move sobre a terra. E criou Deus o homem  sua imagem;  imagem de Deus o criou; macho e fmea os criou. E Deus os abenoou e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, 
e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos cus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra" (Gn 2.26-28).
      A importncia da famlia para o judeu  indiscutvel.  considerada mais importante que o prprio indivduo. Honor de Balzac, a propsito, escreveu: "Por 
isso considero a Famlia e no o indivduo o verdadeiro elemento social. Sob esse ponto de vista, arriscando ser olhado como um esprito retrgrado, tomo lugar ao 
lado de Bossuet e de Bonald, em vez de andar com os inovadores modernos."
      Henri Daniel-Rops ressalta o valor da unidade familiar em Israel: "Quando o jovem -Jac foi procurar seu tio Labo em Har, a fim de encontrar trabalho e uma 
esposa; Labo, ao reconhec-lo como membro de sua famlia, exclamou: ' meu osso e minha carne'. Este smbolo, to tpico do estilo bblico, era muito usado pelo 
povo do Livro, e correspondia  realidade. A famlia era em Israel a base vital da sociedade, a pedra fundamental de todo o edifcio. Nos primeiros tempos ela formava 
at mesmo uma entidade separada sob o ponto de vista da Lei, uma parte da tribo; na poca de Cristo era talvez mais frgil do que nos dias dos patriarcas, quando 
o indivduo no tinha
      valor algum em comparao, mas era ainda muitssimo importante. Os membros da famlia sentiam-se realmente como sendo da mesma carne e sangue; e ter o mesmo 
sangue significava ter a mesma alma. A legislao tomara este princpio como base, desenvolvendo-se a partir dele. A Lei multiplicara, tambm, suas ordens, a fim 
de manter a permanncia, a pureza e a autoridade da famlia. Enquanto os judeus desejassem permanecer fiis  Lei (e isto era quase universal) eles jamais deixariam 
de admitir o lugar predominante da famlia na sociedade."
      Prossegue Henri Daniel-Rops: "A famlia no era apenas uma entidade social, mas tambm uma comunidade religiosa, com suas festas particulares, em que o pai 
era o celebrante enquanto os demais membros participavam. Algumas das importantes cerimnias exigidas na Lei tinham um forte carter familiar - a Pscoa, por exemplo, 
tinha de ser celebrada em famlia. O elo religioso familiar era to vigoroso que nos evangelhos e no livro de Atos vemos que os pais que aceitavam os ensinamentos 
de Cristo levavam com eles a famlia inteira."
      
      1 - Casamento
      Os israelitas, no Antigo Testamento, nem sempre alcanavam o ideal traado pelo Senhor. A monogamia, por exemplo, no era encarada com seriedade. Haja vista 
que homens piedosos como Abrao, Jac e Davi, eram polgamos. O que dizer de Salomo? O mais sbio dos homens tinha 700 mulheres e 300 concubinas!
      A poligamia, entretanto, no era sinnimo de devassido. Um hebreu no podia, por exemplo, tomar como esposa duas mulheres que fossem irms ou me e filha. 
Se tal ocorresse, os infratores seriam apedrejados. A lei proibia, tambm, que um homem dormisse com duas de suas esposas ao mesmo tempo.
      Com o exlio babilnico, no entanto, os israelitas foram curados da poligamia, que tantos males e transtornos causara em Israel. No Novo Testamento, no encontramos 
nenhum caso de poligamia. O Senhor Jesus exaltou, novamente, o ideal monogmico e condenou, com energia, qualquer casamento fora desse padro. 
      Em conseqncia da esterilidade de algumas esposas legtimas, a concubinagem era tolerada no perodo vetero-testamentrio. Os ricos, porm, colecionavam concubinas. 
Salomo, como j dissemos, tinha 300.
      Moiss condenou o casamento misto: "Quando o Senhor teu Deus te tiver introduzido na terra, a qual vais a possuir, e tiver lanado fora muitas gentes de diante 
de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que tu; 
e o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirs; no fars com elas concerto, nem ters piedade delas; nem te aparentars 
com elas: no dars tuas filhas a seus filhos, e no tomaras suas filhas para teus filhos. Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; 
e a ira do Senhor se acenderia contra vs, e depressa vos consumiria" (Dt 7.1-4).
      Havia ainda entre os hebreus o casamento por levira-to. Quando um homem casado morria sem deixar descendncia, o seu irmo era obrigado a casar-se com a viva. 
E por intermdio dos filhos da nova unio, a memria do morto era preservada. Assim prescreve a Lei: "Quando alguns irmos morarem juntos, e algum deles morrer, 
e no tiver filho, ento a mulher do defunto no se casar com homem estranho de fora; seu cunhado entrar a ela, e a tomar por mulher, e far obrigao de cunhado 
para com ela. E ser que o primognito que ela der  luz estar em nome de seu irmo defunto; para que o seu nome se no apague em Israel" (Dt 25.5,6).
      
      2 - Contrato de casamento
      O contrato de casamento em Israel era feito pelo pai do noivo, pelo irmo mais velho ou por um parente mais prximo. Excepcionalmente, podiam atuar tambm 
a me ou um amigo da famlia. s vezes, o prprio rapaz encarregava-se da concretizao do casamento. No entanto, as negociaes sobre o dote e outras formalidades 
ficavam a cargo de terceiros.
      Antes da realizao do matrimnio, eram feitas exaustivas consultas sobre os bens de ambos. Eram tomados cuidados especiais tambm quanto  segurana da noiva 
e ao enfraquecimento da tribo. Finalmente, o noivo pagava um dote ao pai de sua futura esposa, que oscilava entre 30 e 50 siclos de prata. Dessa forma, o pai da 
moa era recompensado pela perda da filha. Esse pagamento podia ser, tambm, em forma de trabalho, como ocorreu com Jac.
      A endogamia, ou seja, o casamento entre irmos, era proibida pela lei de Moiss.
      
      3  - Noivado
      Entre os povos ocidentais, o noivado no tem qualquer consistncia. Pode ser dissolvido com a maior facilidade. Jocosamente declara Leon Eliachar: "O Noivado 
 o perodo de desajustamento antes do casamento." No entanto, entre os hebreus, o noivado era um compromisso srio. Somente a morte poderia dissolv-lo.
      - Quando comeava o noivado? - A partir do momento em que o moo entregava  sua escolhida uma moeda com esta inscrio: "Seja consagrada a mim." A cerimnia, 
bastante singela, era feita na presena de duas ou mais testemunhas. Com essa solenidade, ambos eram considerados marido e mulher. Seu relacionamento sexual, porm, 
somente seria iniciado aps as npcias que, segundo a tradio judaica, variava de um ms a sete anos.
      Os rapazes, durante o noivado, estavam desobrigados do servio militar.
      
      4  - Npcias
      As festas nupciais eram celebradas, via de regra, em sete dias. No raro, chegavam a durar at duas semanas. Variavam de acordo com o poder aquisitivo dos 
noivos.
      Segundo o Novo Dicionrio da Bblia, essas celebraes eram assinaladas por msica e por brincadeiras como o enigma apresentado por Sanso. A mesma obra esclarece-nos: 
"Alguns interpretam o livro de Cantares  luz de certo costume que havia entre os aldees srios, de chamar o noivo e o noiva de rei e rainha durante as festividades 
depois da cerimnia de casamento, e de louv-los com cnticos".
      
      5  - Divrcio
      O divrcio foi introduzido na Lei mosaica por causa da dura cerviz dos israelitas. Aproveitando-se da liberalidade dessa legislao, os hebreus rompiam os 
laos do matrimnio por quaisquer motivos. Alguns, por exemplo, repudiavam sua esposa por no ach-la graciosa. O Senhor, entretanto, no aprovava tal comportamento. 
Tolerava-o, apenas.
      Com uma carta de divrcio, concretizava-se o rompimento dos laos conjugais (I)t 24.3). De posse desse documento, a mulher podia contrair novas npcias. Caso, 
porm, viesse a separar-se do segundo marido, no podia voltar ao primeiro. Por qu'.' Esclarece-nos Moiss: "Ento seu primeiro marido, que a despediu no poder 
tornar a tom-la, para que seja sua mulher, depois que foi contaminada, pois  abominao perante o Senhor; assim no fars pecar a terra que o Senhor teu Deus te 
d por herana" (Dt 24.4).
      Jesus, entretanto, repudiou completamente o divrcio, exceto em caso de adultrio: "Moiss por causa da dureza dos vossos coraes vos permitiu repudiar vossas 
mulheres; mas no princpio no foi assim. Eu vos digo, porm, que qualquer que repudiar sua mulher, no sendo por causa de prostituio, e casar com outra, comete 
adultrio; e o que casar com a repudiada tambm comete adultrio" (Mt 19.8 e 9).
      
      6  - Filhos
      Uma herana divina. Assim os hebreus consideravam os filhos, principalmente os homens, Salmodiou o rei Salomo: "Eis que os filhos so herana do Senhor, e 
o fruto do ventre o seu galardo. Como flechas na mo do valente, assim so os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aliava: no sero 
confundidos, quando falarem com os seus inimigos" (SI 127.3-5).
      Em Israel, a esterilidade era considerada um oprbrio. No poucas mulheres afligiam-se por no terem filhos. Raquel e Ana, por exemplo, rogaram a Deus, com 
todas as suas foras, o dom da maternidade. Para as hebrias, no havia privilgio to grande como o de gerar filhos.
      O direito da primogenitura era respeitadssimo entre os israelitas. Ao filho mais velho cabia a poro dobrada dos bens paternos. Com a morte do pai, assumia 
a responsabilidade da casa e as funes sacerdotais da famlia. Depois da promulgao mosaica, no entanto, o sacerdcio passou a ser exercido pelos levitas.
      As filhas apenas recebiam a herana paterna se no houvesse nenhum filho herdeiro. Elas eram sustentadas pelos irmos que se encarregavam, inclusive, de seu 
casamento. As israelitas no podiam casar-se com moos de. outra tribo.
      Cabia ao pai, tambm, ensinar aos filhos as primeiras letras e uma profisso. A ociosidade no era tolerada na sociedade hebraica.
      
      II - A VIDA SOCIAL HEBRAICA
      A vida social dos hebreus girava em torno de sua religio. Todos os acontecimentos sociais lembravam-lhes quo presente estava o Todo-poderoso em seu meio. 
Ao contrrio de outros povos, eles no admitiam extravagncias nem libertinagens, em suas reunies. Sua vida social, portanto, era um apndice de sua religio.
      
      1-O lugar da mulher na sociedade hebraica
      Os israelitas honravam suas mulheres. Concediam-lhes muitos direitos. Se prejudicadas, poderiam requerer justia. Vemo-las muitas vezes louvadas, e ocupar, 
com freqncia, lugares de honra e distino. Dbora, por exemplo, exerceu grande influncia sobre os seus contemporneos. No fosse suas confortadoras palavras, 
Baraque no teria desbaratado os inimigos do povo de Deus. E, o que dizer de Sara, Rebeca, Raquel, Ana, Rute e Hulda?
      Submissas aos seus maridos, suas principais preocupaes eram domsticas. Entretanto, podiam pastorear trabalhar a terra e exercer outras atividades, consideradas 
masculinas.
      Em outros pases do Oriente, entretanto, a mulher era tratada como se tosse mero objeto.
      
      2 - Saudaes
      Inclinando o corpo um pouco para frente, com a mo direita sobre o lado esquerdo do peito. Assim era a saudao dos hebreus, julgada bastante prolongada para 
os ocidentais! Por isso mesmo ordenou Jesus aos seus discpulos: "...e a ningum saudeis pelo caminho" (Lc 10.4).
      Perante os magistrados e outras pessoas superiores, era costume inclinar-se a pessoa at a terra. Eis as expresses mais usadas nas saudaes hebraicas: "Paz!" 
"Paz seja convosco!" e, "Paz seja sobre esta casa!"
      
      3  - Sepultamento e luto
      Constatado o bito, o corpo era rigorosamente lavado e enrolado em lenis impregnados de perfume. Por causa do clima quente (que provocava rpida decomposio 
do cadver) e das exigncias da lei mosaica, o sepultamento era feito no mesmo dia.
      O fretro era realizado desta forma: as carpideiras iam  frente, enchendo a cidade com os seus lamentos profissionais; atrs delas, o defunto, e, logo aps, 
os parentes do falecido, os amigos e o povo.
      Os tmulos dos pobres eram cavados no cho. Os dos ricos, escavados nas rochas. Raramente usados, os esquifes eram quase desnecessrios. O embalsamento no 
se constitua um hbito entre os israelitas. Jac e Jos, a propsito, foram embalsamados no Egito, por profissionais da corte faranica.
      Sete dias. Era o quanto durava o luto entre os filhos de Israel.
      
      III - MORADIA
      Na antigidade, havia, em Israel, casas simples e, tambm, imponentes habitaes. Tudo dependia,  claro, das posses de quem as possua. Em Samaria, por exemplo, 
algumas residncias eram feitas de marfim.
      
      1 - Tendas
      Em Ur dos Caldeus, Abrao habitava em uma casa confortvel que, segundo alguns estudiosos, possua at gua quente. Ao deixar sua cidade, passou a residir 
em tendas, a mais antiga forma de moradia no Mdio Oriente.
      As tendas, primitivamente, eram feitas de peles de cabra. Com o passar dos sculos, no entanto, passaram a ser mais sofisticadas. Algumas delas, inclusive, 
possuam vrias dependncias. O apstolo Paulo era fabricante de tendas.
      
      2 - Cabanas
      Construdas com estacas e cobertas de folhagens, eram usadas com freqncia pelos israelitas. Pedro queria construir trs cabanas: uma para Jesus, outra para 
Moiss e a terceira para Elias.
      
      3 - Tabernculo
      Foi o templo peregrino dos israelitas. Acompanhou-os durante seus 40 anos de jornada pelo deserto do Sinai. Nessa tenda, a glria do Senhor manifestava-se 
constantemente a Moiss. Esse lugar de adorao seria substitudo, mais tarde, pelo Templo, construdo por volta do ano 1.000 a.C, pelo rei Salomo.
      Tabernculo pode significar, tambm, habitao.
      
      4  - Casas
      Nos tempos bblicos, as casas eram feitas de pedra, de tijolos e de madeira. Geralmente eram pequenas; possuam apenas um cmodo. As residncias dos ricos, 
entretanto, tinham vrios compartimentos.
      Nas localidades mais quentes, os telhados eram planos e podiam ser transformados em terraos. No auge do vero, serviam de dormitrio. Nas regies mais frias, 
os telhados em forma de meia-gua, facilitavam o deslizamento da neve.
      As portas das casas hebrias eram estreitas e baixas. As janelas, poucas e sem vidros.
      5  - Torres de vigia
      Com quase trs metros de altura, as torres de vigia eram construdas para proteger os pomares e as lavouras. As provisrias eram feitas de madeira; as permanentes, 
de pedras. Estas ltimas serviam, tambm, de residncia.
      
      6  - Palcios
      Construdos com esmero, constituam-se nas residncias dos reis hebreus. O mais imponente deles foi erguido pelo rei Salomo. Segundo alguns estudiosos, a 
casa do sbio rei de Israel era mais suntuosa do que o Templo.
      
      IV - MOBLIA
      Poucas eram as moblias de uma casa hebria. Alm do leito, uma mesa baixa. As cadeiras raramente eram usadas, porque os hebreus,  semelhana dos outros orientais, 
sentavam-se no cho com as pernas cruzadas. No raro, as almofadas serviam como assentos. Nas residncias dos mais abastados, o mobilirio era sofisticado.
      
      V - ALIMENTAO
      Basicamente, esta era a dieta alimentar dos hebreus no perodo bblico: po. azeite, vinho, legumes, frutas, leite, mel e farinha. E. nas ocasies festivas, 
a carne era largamente consumida. O peixe, por outro lado, era mais usado no litoral e nas imediaes dos rios e do mar da Galilia. A manteiga e o queijo eram feitos 
de leite de cabra. 0 leite de vaca era raramente usado.
      
      VI - INDUMENTRIA
      A indumentria dos israelitas nos tempos bblicos era confeccionada em algodo, l, linho e seda.
      
      1 - Vesturio masculino
      A principal pea do vesturio masculino constitua-se em uma tnica, tecida de algodo. Parecia mais uma camisola sem mangas. A tnica dos ricos, porm, possua 
mangas compridas e largas. Os homens usavam, ainda, uma capa de algodo. O cinto era de couro. O basto e o anel-sinete eram usados como ornamentos.
      
      A maioria das crianas permanece no Kibutz at a juventude
      O turbante completava o vesturio masculino. O sumo sacerdote e os sacerdotes vestiam-se com mais esmero. Suas vestes tipificavam a glria e a santidade divina. 
Sob a dominao romana, os paramentos sacerdotais ficavam sob custdia e s eram liberados em ocasies solenes.
      
      2 - Vesturio feminino
      As mulheres tambm usavam tnicas, s que mais longas e mais ornamentadas. Quando apareciam em pblico, cobriam o rosto com um vu. Elas apreciavam pulseiras, 
anis, pendentes e diademas. As mais extravagantes, pintavam-se. Os profetas, contudo, condenavam esses excessos. De uma maneira geral, as hebrias eram elogiadas 
por sua modstia e simplicidade.
      
      VII - DINHEIRO DA TERRA SANTA
      A primeira moeda citada nas Sagradas Escrituras  o darico. Proveniente da Prsia, era muito usada nos tempos de Esdras e Neemias. Mais tarde, comeou a ser 
cunhada uma moeda, inteiramente judaica, conhecida como shekel. Alis, no incio dos anos 80, o governo israelense adotou-a para a unidade monetria da moderna nao 
hebraica.
      Eis mais algumas moedas mencionadas na Bblia: dracma, estter e ceitil. A primeira  grega e a segunda e a terceira, romanas.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      Sexta Parte
      
    Geografia Poltica da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Os primeiros habitantes da Terra Santa. II - A origem dos hebreus. III - Os povos vizinhos da Terra Santa no tempo da conquista. IV 
- A Terra Santa no tempo de Josu e dos juzes. V -O Reino Unido. VI - O cisma israelita. VII - O cativeiro assrio e o babilnico. VIII - A restaurao de Israel.
      
      INTRODUO
      A Terra Santa  a regio mais visada pelas superpotncias. Localizada no centro do globo, constitui-se no ponto mais estratgico do mundo. Em todas as pocas 
despertou a gana dos conquistadores e serviu de palco para as mais sangrentas batalhas. Esse minsculo pas , politicamente, um barril de plvora. Tanto nos tempos 
bblicos, como hoje, Israel  o mais nevrlgico tpico da histria. Sua geografia poltica, por conseguinte, mistura-se com a prpria dor da humanidade.
      A geografia poltica da Terra Santa passou por inmeras alteraes. Israel , sem dvida alguma, o pas que mais sofreu mudanas em termos de fronteira. Haja 
vista que, atualmente, no obstante os seus 40 anos de existncia, teve os seus limites diversas vezes alterados em conseqncia da agressividade dos pases rabes. 
Km todas essas vicissitudes, contudo, vislumbramos a mo de Deus sobre esse povo.
      
      I - OS PRIMEIROS HABITANTES DA TERRA SANTA
      Antes de Josu conquistar a Terra Prometida, habitavam-na vrios povos cananeus. Enumera-os Moiss: "Quando o Senhor teu Deus te tiver introduzido na terra, 
a qual vais a possuir, e tiver lanado fora muitas gentes de diante de ti: os heteus, e os girgaseus. e os amorreus, e os cananeus, e os fereseus, e os heveus, e 
os jebuseus, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que tu" (Dt 7.1).
      Essas naes eram de origem camita. Independentes, marcavam-nas exacerbada belicosidade. Foram vencidas, entretanto, pelos exrcitos de -Josu. Suas cidades 
fortificadas no resistiram ao mpeto dos israelitas.
      Os povos cananeus ofendiam a Jeov constantemente com os seus grosseiros pecados. Foram, por causa disso, desalojados da terra que mana leite e mel. Os filhos 
de Israel foram exortados, com severidades, a no lhes seguir os prfidos exemplos.
      
      II - A ORIGEM DOS HEBREUS
      Os hebreus so descendentes de Sem, filho mais velho de No. A nao israelita identifica-se, perfeitamente, com sua ascendncia. Haja vista que o anti-semitismo 
 voltado apenas contra os judeus, apesar de os rabes serem da mesma famlia.
      A nao hebria comeou com um caldeu chamado Abro. Nascido por volta do ano 2.000 a.C. Aos 75 anos de idade, tem ele uma profunda experincia espiritual. 
Aparece-lhe Deus e dirige-lhe estas palavras: "Sai-te da tua terra, e da tua parentela e da casa de teu pai. para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande 
nao, e aben-oar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu sers uma bno. E abenoarei os que te abenoarem e amaldioarei os que te amaldioarem; e em ti sero 
benditas todas as famlias da terra" (Gn 12.1-3).
      Assim nasceu a nao israelita. Nasceu durante as peregrinaes dos patriarcas. Nasceu no deserto e entre espinhos. Nasceu em terras estrangeiras. Hoje, entretanto, 
floresce como a palmeira!
      
      III - OS POVOS VIZINHOS DA TERRA SANTA NO TEMPO DA CONQUISTA
      Alm das sete naes cananias mencionadas, Israel foi obrigado a conviver com outros povos - aguerridos, idolatras e belicistas. Essas gentes causaram muitos 
transtornos  prognie de Abrao. De quando em quando, violavam as fronteiras israelitas e escravizavam tribos inteiras.
      Eis os principais povos que sobreviveram s investidas dos exrcitos de Josu: filisteus, amalequitas, midianitas, moabitas, amonitas, edomitas, fencios e 
srios. Escreve o pastor Enas Tognini: "Estas naes e povos, que rodeavam Israel, serviam de termmetro para regular a temperatura espiritual dos filhos de Jac: 
quanto mais perto de Deus andavam, mais poder tinham e seus territrios eram dilatados; afastavam-se do seu Senhor, Deus os abandonava: ficavam sem proteo: chegavam 
os inimigos e subjugavam o povo e conseqentemente, se apossavam de seus territrios."
      
      IV - A TERRA SANTA NO TEMPO DE JOSU E DOS JUZES
      Moiss morreu aos 120 anos de idade, sem introduzir os israelitas em Cana. Essa incumbncia seria entregue a um bravo e destemido general, chamado Josu. 
Destacando-se sempre em todas as suas misses, era o sucessor natural do grande legislador e guia espiritual dos hebreus.
      Sob o seu comando, os exrcitos de Israel conquistaram a terra que mana leite e mel. A guerra pela posse dessas terras durou, aproximadamente, 14 anos: de 
1.404 a 1.390 a.C. Durante esse perodo, os batalhes cananeus iam caindo um aps outro. Nenhuma fora militar gentli-ca era capaz de suportar o mpeto dos israelitas.
      
      
      
      Terminado o conflito, Josu procedeu  diviso das terras conquistadas. Rubem, Gade e a meia tribo de Manasses ficaram com a Transjordnia. Os territrios 
ocidentais foram distribudos a estas tribos: Naftali, Aser, Zebu-lom, Issacar, Manasses Ocidental, Efraim, Benjamim e D. Jud e Simeo so contemplados com os 
territrios do Sul.
      Os levitas, segundo determinao do Senhor, no herdaram quaisquer possesses. Tribo sacerdotal, coube-lhes 48 cidades espalhadas entre os termos de seus irmos.
      Registra a Bblia o passamento de Josu: "E depois destas coisas sucedeu que Josu, filho de Num, o servo do Senhor, faleceu, sendo da idade de cento e dez 
anos. E sepultaram-no no termo da sua herdade, em Timnate-Sera, que est no monte de Efraim, para o norte do Monte de Gas. Serviu pois Israel ao Senhor todos os 
dias de Josu, e todos os dias dos ancios que ainda viveram muito depois de Josu, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24.29-31).
      Com o desaparecimento do grande general e de seus auxiliares, os israelitas esqueceram-se do Senhor e comearam a curvar-se ante as tolas divindades cananias. 
Tamanha decadncia espiritual tornou-os vulnerveis. Sem mais contarem com a proteo de Jeov, sofreram os mais impiedosos ataques dos povos vizinhos.
      O perodo dos juizes, por conseguinte,  um dos mais tristes da histria hebria. Nos termos de Israel, reinava grande anarquia. As tribos, por causa de suas 
diferenas internas, no conseguiam unir-se para enfrentar o inimigo comum. No entanto, quando acossados por vorazes algozes, clamavam, e o Senhor os ouvia.
      Misericordioso, o Todo -poderoso suscitava juizes que os libertavam de seus verdugos. Mas, to logo morria o libertador eles tornavam a cair na apostasia. 
E, novamente, caam em desgraa. Esse crculo vicioso durou at a monarquia. Na era da judicatura, que durou em torno de 330 anos, quatro palavras faziam parte do 
dia-a-dia do povo eleito: pecado, opresso, arrependimento, e livramento.
      
      Mapa das fronteiras da antiga Palestina
      Israel teve 13 juizes. O ltimo deles foi Samuel. Nessa poca, havia muita terra a ser conquistada. Os hebreus, todavia, no completaram a tarefa iniciada 
por Josu.
      
      V - O REINO UNIDO
      Samuel  chamado, com muita razo, de fazedor de Reis. Ele representa a transio entre a judicatura e a monarquia. Por seu intermdio, foram escolhidos os 
dois primeiros reis de Israel. Sua influncia  to grande que, mesmo depois de morto, seus ideais continuaram a dirigir a histria israelita.
      Samuel foi o iniciador do Reino Unido que durou 120 anos - de 1044 a 924 a.C.
      Ungido pelo piedoso profeta, Saul unifica as doze tribos e inicia uma guerra de libertao. Seu objetivo: dilatar as fronteiras de Israel e destruir os temveis 
filisteus. No princpio, obtm sucessos. Contudo, por causa de suas ambies, comea a infringir os mandamentos do Senhor.
      Saul  rejeitado. Em seu lugar  ungido Davi, filho de Jess. O humilde pastorzinho de Jud, aps derrotar o gigante Golias, alcana grande popularidade. Suas 
faanhas, porm, angariam-lhe o dio e o desafeto do rei.
      Depois de o monarca benjamita ter tombado no campo de batalha, Davi assenta-se no trono de Israel. Nos primeiros oito anos de seu governo, reina somente sobre 
Jud. As outras tribos, no entanto, resolvem submeter-se ao corajoso soberano judata.
      Davi consegue aumentar suas fronteiras e derrotar os inimigos de seu povo. Em seus 40 anos de reinado, dedica-se completamente  guerra. No final de sua vida, 
tenta construir um templo ao Deus de Israel, mas  desestimulado pelo profeta Nata. Essa incumbncia seria entregue ao seu sucessor.
      O reino de Salomo foi marcado por uma invejvel paz interna e externa. A prosperidade era a tnica de seu governo. Com a sua proverbial e inigualvel sabedoria, 
transforma Israel na maior potncia do Oriente Mdio. As naes vizinhas submetem-se ao cetro davdico.
      Em conseqncia de sua poltica expansionista e faranica, o filho de Davi empobrece a nao israelita, principalmente as tribos da regio setentrional. Tanto 
o Templo, como o palcio, exigiam vultosos impostos do povo, que j estava cansado de tanta opresso. E, o que dizer de seu harm que, segundo alguns estudiosos, 
possua 30 mil mulheres? Isto porque, cada uma de suas 700 mulheres e 300 concubinas podia ter at 30 damas de companhia.
      O final de Salomo foi triste. No obstante sua grande sabedoria e inimitvel glria, desaparece entre as brumas de sua idolatria e formidveis excessos.
      Sucede-lhe no trono o seu filho Roboo. Moo folgazo e tolo, no atende s reivindicaes do povo. Desprezando o conselho dos assessores de seu pai, resolve 
oprimir ainda mais a combalida e azeda nao hebraica. Em uma demente demonstrao de fora no baixa os impostos nem melhora as condies de vida de seus irmos.
      
      VI - O CISMA ISRAELITA
      Aproveitando-se dessa situao catica, Jeroboo assume a liderana das tribos descontentes. E, assim, em 923 a.C, o Reino de Israel divide-se. As tribos de 
Jud e Benjamim permanecem fiis  dinastia davdica. Entretanto, as do Norte, encabeadas por Efraim, formam um novo reino.
      As duas faces, a partir de ento, ficaram conhecidas, respectivamente, como Israel e Jud. Acerca do cisma israelita, escreve Antnio Neves de Mesquita: 
"O imprio, que Salomo tinha erigido com tanto gudio, estava  beira do abismo. No s o desprezo de Roboo s aspiraes do povo constitua motivo relevante para 
modificao na poltica fiscal, mas tambm as sementes de discrdia interna deviam ser contornadas. A unio entre as tribos fora mais fictcia que real. Havia entre 
o Norte e o Sul profundas desinteligncias geradas pela situao favorvel que os sulistas gozavam por sua proximidade com a capital poltica e religiosa, como tambm 
por motivo puramente geogrfico. Os nortistas eram meio internacionalistas, mais frios para a religio', menos patriotas e pouco afeioados aos reis. Em contato 
direto com os fencios, os srios e outros povos do norte, sentiam menos as influncias centralistas. Enquanto ocupava o trono um homem como Salomo, era natural 
que a unio persistisse; depois seria difcil manter esta unio e solidariedade poltica. Seria preciso que um grande e hbil poltico subisse ao poder, para manter 
unidos os elementos desintegralizadores. Este homem no era Roboo."
      
      
      Reino dividido entre as tribos do Norte e as do Sul
      
      Com grande preciso, Mesquita fala, agora, sobre as pretenses dos efraimitas: "A tribo de Efraim era a tribo lder do Norte, enquanto a de Jud era lder 
do Sul. Estas rivalidades, tanto tribais como geogrficas, foram sopitadas, enquanto o trono foi ocupado por monarcas da envergadura de Davi e de Salomo. Depois 
tudo se definiu e as diferenas apareceram. s ambies destas tribos, acrescentem-se as circunstncias, tanto geogrficas como culturais, que determinavam as diferenas 
entre o povo, e teremos a explicao do panorama conhecido pelos leitores da Bblia. Dentro deste pequeno territrio encontravam-se quase todas as variedades de 
clima, flora e fauna. A populao variava na proporo das diferenas climatricas. A leste do Jordo ficava a terra dos pastores, onde continuavam a dominar os 
bedunos. Nos vales, a oeste do mesmo Jordo, ficavam os agricultores, enquanto que nas cidades das fronteiras do Oeste, junto s grandes estradas, havia um princpio 
de comrcio bem desenvolvido. Enquanto isso, em volta do mar da Galilia, alinhavam-se as vilas de pescadores. Havia, pois, todos os tipos de civilizao, desde 
o tipo pastoril nomdico, o agricultural e o comercial, at o de pescadores. A populao era uma mistura de interesses variados, e somente a sua topografia, exposta 
a todos os perigos, podia realizar o milagre de sua unidade, constituindo Israel um regime centralizado e militar. Quando acontecia que uma dinastia se tornava fraca, 
um homem forte e valente tomava o trono. Da ter sido a histria de Israel do Norte de sangue e de rebelies, com assassinatos, em que aventureiros, sados tanto 
do exrcito como de outras camadas, assaltavam o trono e estabeleciam precrias dinastias. Com tal heterogeneidade, era de se esperar que uma oportunidade espreitasse 
a ruptura dos laos que uniam o Norte ao Sul."
      
      Mapa da diviso natural da Palestina antiga
      
      VII - OS CATIVEIROS ASSRIO E BABILNICO
      A ciso enfraqueceu ambas as faces, principalmente a nortista. As relaes entre os reinos de Israel e Jud nem sempre foram amistosas. De quando em quando 
uniam-se para combater um inimigo comum. Na maioria das vezes, contudo, estavam em guerra.
      Com o passar do tempo, a identidade nacional e religiosa entre os israelitas e judatas torna-se cada vez mais fraca. Seguindo orientao do idolatra e inescrupuloso 
Jeroboo, os moradores do Israel setentrional no desciam a Jerusalm para adorar. Esse ciumento soberano, temendo perder os seus sditos, fechou suas fronteiras. 
Para conquistar o respeito e a amizade dos israelitas, construiu-lhes dois bezerros de ouro. E, a partir de ento, ele fica conhecido como "o rei que fez Israel 
pecar".
      Depois de Jeroboo, teve Israel mais 18 reis. Todos eles trilharam os caminhos da idolatria e da impiedade. Com o culto a Baal, introduzido por uma meretriz 
chamada Jezabel, o povo corrompeu-se completamente.
      No podendo suportar tanta apostasia, o Senhor entregou as tribos do Norte aos inumanos e selvagens assrios. No ano de 722 a.C, as foras de Nnive invadem 
Israel e levam cativos os filhos de Jac. Inicia-se o cativeiro assrio, que deixaria profundas seqelas na nao hebraica.
      Depois da destruio do Reino de Israel, Jud sobreviveu ainda por mais de 135 anos. A maior parte desse tempo, contudo, pagou pesados tributos  Assria. 
Com a ascenso de Babilnia, comea a runa do Reino do Sul.
      Em 605 a.C, tropas babilnicas invadem Jud. Tem incio o Cativeiro Babilnico que, segundo Jeremias, duraria 70 anos. O Templo  destrudo pelos exrcitos 
de Nabu-codonozor em 587 a.C. Na capital do novo imprio, os judeus progridem. Alcanam elevados postos na administrao iniciada por Nabopolassar. Daniel, por exemplo, 
tornou-se o mais influente conselheiro da realeza.
      Terminado o perodo de 70 anos, parte dos filhos de Jud retorna  Terra Santa. Centenas de milhares, todavia, permanecem no exlio. Vagando de nao em nao, 
sofrendo injustas perseguies e injustificveis preconceitos, tornam-se errantes. Sua dispora j dura mais de 25 sculos.
      
      VIII - A RESTAURAO DE ISRAEL
      Aps os exlios assrio e babilnico, a nao hebraica ficaria distante de Sio por mais de 2.500 anos. Houve,  claro, alguns perodos de independncia e 
glria, principalmente na era macabia, mas foram espordicos e no contaram com a participao da totalidade do povo.
      O advento do frreo Imprio Romano, conforme j dissemos, marca o fim da restaurao nacional iniciada por Esdras, Neemias, Zorobabel e pelos profetas Ageu 
e Zacarias. Os judeus, ao tentarem sacudir o jugo romano, so dispersados por todas as naes do mundo, onde sofreram e sofrem terrivelmente.
      - Qual a razo de seu sofrimento? - Sem dvida alguma, a rejeio de seu Messias.
      Em meio a povos estranhos, os filhos de Israel foram humilhados, e aterrorizados. Seus sofrimentos, alis, foram vaticinados por Moiss:
      "O Senhor levantar contra ti uma nao de longe, da extremidade da terra, que voa como a guia, nao cuja lngua no entenders. Nao feroz de rosto, que 
no atentar para o rosto do velho, nem se apiedar do moo. E comer o fruto dos teus animais, e o fruto da tua terra, at que sejas destrudo; e no te deixar 
gro, mosto, nem azeite, criao das tuas vacas, nem rebanhos das tuas ovelhas, at que tenha consumido; e te angustiar em todas as tuas portas, at que venham 
cair os teus altos e fortes muros, em que confiavas em toda a tua terra; e te angustiar em toda a tua terra que te tem dado o Senhor teu Deus; e comers o fruto 
do teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas, que te der o Senhor teu Deus, no cerco e no aperto com que os teus inimigos te apertaro.
      "Quanto ao homem mais mimoso e mui delicado entre ti, o seu olho ser maligno contra o seu irmo, e contra a mulher de seu regao, e contra os demais de seus 
filhos que ainda lhe ficarem; de sorte que no dar a nenhum deles da carne de seus filhos, que ele comer; porquanto nada lhe
      ficou de resto no cerco e no aperto com que o teu inimigo te apertar em todas as tuas portas. E quanto  mulher mais mimosa e delicada entre ti, que de mimo 
e delicada nunca tentou por a planta de seu p sobre a terra, ser maligno o seu olho contra o homem de seu regao, e contra seu filho. e contra sua filha; e isto 
por causa de suas preas, que saram dentre os seus ps, e por causa de seus filhos que tiver; porque os comer s escondidas pela falta de tudo, no cerco e no aperto 
com que o teu inimigo te apertar nas tuas portas" (Dt 28.49-57).
      Prossegue o grande profeta, prevendo os sofrimentos dos judeus em suas disporas: "E ser que, assim como o Senhor se deleitava em vs, em fazer-vos bem e 
multiplicar-vos, assim o Senhor se deleitar em destruir-vos e consumir-vos; e desarraigados sereis da terra da qual tu passas a possuir. E o Senhor vos espalhar 
entre todos os povos, desde uma extremidade da terra at a outra extremidade da terra: e ali servirs a outros deuses que no conheceste, nem tu nem teus pais: ao 
pau e  pedra. E nem ainda entre as mesmas gentes descansars, nem a planta de teu p ter repouso: porquanto o Senhor ali te dar corao tremente e desfalecimento 
dos olhos, e desmaio da alma.
      "E a tua vida como suspensa estar diante de ti; e estremeceres de noite e de dia, e no crers na tua prpria vida. Pela manh dirs: Ah! quem me dera ver 
a noite! E  tarde dirs: Ah! quem me dera ver a manh! pelo pasmo de teu corao, com que pasmars, e pelo que vers com os teus olhos. E o Senhor te far voltar 
ao Egito em navios, pelo caminho de que te tenho dito: Nunca jamais o vers: e ali sereis vendidos por servos e servas aos vossos inimigos; mas no haver quem vos 
compre" (Dt 28.63-68).
      Durante a sua peregrinao, Israel sofreu os mais duros revezes. Judeus foram massacrados em todas as partes do mundo. E, nos anos que precederam ao estabelecimento 
do moderno Estado judaico, Hitler ordenou a matana de seis milhes de israelitas. Foi o mais brbaro crime da Histria.
      Entretanto, no final da Segunda Guerra Mundial, a nao hebraica conscientizou-se de sua peculiar situao.
       Somente uma ptria na Palestina, dar-lhe-ia a segurana necessria  sua sobrevivncia. E, aps muitas batalhas diplomticas, o Estado de Israel comea a 
existir a partir de 12 de maio de 1948.
      Cumpria-se, assim, a profecia de Isaias: "Antes que estivesse de parto, deu  luz; ante que lhe viesse as dores, deu  luz um filho. Quem jamais ouviu tal 
cousa? quem viu cousas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra num s dia? nasceria uma nao de uma s vez? mas Sio esteve de parto e j deu  luz seus 
filhos" (Is 66.7,8).
      Desde a proclamao de sua independncia, Israel tem enfrentado diversos conflitos blicos: em 1948, a Guerra da Independncia; em 1956, a Guerra de Suez; 
em 1967, a Guerra dos Seis Dias; em 1973, a Guerra do Yom Kippur; e, em 1982, a Guerra do Lbano. Em todos esses embates, entretanto, as foras judaicas tm sado 
vencedoras, porque o Senhor dos Exrcitos est ao seu lado.
      Cumpre-se  risca, pois, este vaticnio de Amos: "E os plantarei na sua terra, e no sero mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o Senhor teu Deus" 
(Am 9.15).
      A nao israelense, com o seu renascimento e progresso, tem um grande significado para ns. 0 pastor Abrao de Almeida, um dos maiores especialistas em assuntos 
judaicos, escreve: "Com o cumprimento das profecias, Deus nos est mostrando sua fidelidade a Israel, e  Igreja, fidelidade que deve induzir todos os povos a tem-lo. 
Por isso, o salmista registrou: 'Tema toda a terra ao Senhor, temam-no todos os moradores da Terra, porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu. 0 
Senhor desfaz o conselho das naes, quebranta os intentos dos povos. O conselho do Senhor permanece para sempre; os intentos do seu corao de gerao em gerao. 
Bem aventurada  a nao cujo Deus  o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herana.' Notem que o Senhor desfaz o conselho das naes, quebranta o intento 
dos povos. Nenhuma das muitas resolues do Conselho de Segurana das Naes Unidas contra Israel prosperou ou prosperar, pois o Senhor frustra todas as decises 
que contrariem sua Palavra. Tambm tm sido quebrantados os maus intentos dos inimigos de Israel, como o Egito de Nasser, a Unio Sovitica, a OLP (Organizao para 
a Libertao da Palestina) etc."
      
      
      
      Prossegue o pastor Abrao de Almeida: "O retorno final de Israel, a reconstruo das suas cidades antigas e o reflorestamento do pas indicam que estamos vivendo 
nos ltimos tempos. A Bblia diz que a Palestina seria assolada at o fim (Dn 9.26), mas que, ao trmino do cativeiro, os israelitas reedificariam as cidades assoladas 
e nelas habitariam, plantariam vinhas, beberiam o seu vinho e fariam, pomares e lhes comeriam os frutos (Am 9.14)."
      Portanto, estejamos vigilantes, porque a volta de Cristo concretiza-se dia aps dia. Que a nossa orao seja: "Paz sobre Israel!"
      
      
      
      
    Stima Parte
    
    Jerusalm - A Capital Indivisvel e Eterna de Israel
      
      Sumrio: Introduo. I - Origem. II - Geografia de Jerusalm. III - Davi e Jerusalm. IV - A grandeza de Jerusalm. V - A glria do Templo de Jerusalm. VI 
-Jerusalm e a arqueologia. VII - Jerusalm e sua histria.
      
      INTRODUO
      Em julho de 1980, o Knessel: - parlamento israelense -aprovou um decreto-lei, elaborado pelo ento primeiro-ministro Menachen Begin, transformando Jerusalm 
na capital eterna e indivisvel do Estado de Israel.
      Como era de se esperar, os pases rabes protestaram veementemente contra a iniciativa israelense. Dias antes, a propsito, o premier judeu, respondendo a 
uma objeo do governo ingls, afirmou que antes mesmo da existncia de Londres, a cidade de Jerusalm j era a capital de Israel.
      O lder iraniano, Khomeini, ferrenho inimigo dos israelitas, ao saber da anexao legal e definitiva de Jerusalm, proclamou, de imediato, uma guerra para 
reconquistar a cidade santa. Enquanto isso, diversas naes ocidentais trataram de mudar suas embaixadas para Tel-Aviv, para no desagradar os pases rabes.
      Somente os Estados Unidos  que apoiaram a medida israelense, que se constitui no velho e milenar sonho judaico de reconquistar poltica e espiritualmente 
a Cidade do Grande Rei.
      I - ORIGEM
      "Jerusalm" significa, em hebraico, habitao de paz. Seu nome  mencionado pela primeira vez nas Escrituras em Josu 10.11. Entretanto, em Gnesis 14.18, 
encontramos uma referncia sobre a cidade, que aparece com o nome de Salm. De acordo com a tradio, assim era chamada a capital judaica.
      Eis mais alguns nomes bblicos de Jerusalm: Jebus (Jz 19.10); Sio (SI 87.2); Ariel (Is 29.1); Lareira de Deus (Is 1.26); Cidade de Justia (Is 1.26); Santa 
Cidade (Is 28.2; Mt 4.5); Cidade do Grande Rei (Mt 5.35) e, Cidade de Davi (2 Sm 5.7).
      
      II - GEOGRAFIA DE JERUSALM
      Jerusalm constitui-se na mais clebre cidade do mundo.  venerada por trs religies monotestas: judasmo, cristianismo e islamismo. At mesmo sua localizao 
geogrfica  privilegiada.
      A cidade santa est localizada no Sul da cordilheira central de Israel. Encontra-se a mais de 50 quilmetros do Mediterrneo. Como smbolo de grandeza e magnitude, 
est edificada a 800 metros de altitude. Com o passar dos tempos, seus aspectos primitivos sofreram alteraes. Contudo, ningum jamais poder alterar-lhe a mstica 
ou arrancar-lhe a aura de celestialidade e glria.
      At o ano 70 d.C, Jerusalm era protegida por forte muralha, que foi destruda pelo general romano, Tito.
      
      Desenho de Jerusalm na Idade Mdia
      
      
      
      III - DAVI E JERUSALM
      Antes de ser tomada por Davi, a cidade santa era uma possesso jebuseica. Em 2 Samuel 5, de 7 a 9, lemos: "...Davi tomou a fortaleza de Sio: esta  a cidade 
de Davi. Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir os jebuseus, e chegar ao canal, e aos coxos e aos cegos, que a alma de Davi aborrece, ser cabea e capito. 
Por isso se diz: Nem cego nem coxo entrar nesta casa. Assim habitou na fortaleza, e lhe chamou a cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo at 
dentro."
      O apogeu de Jerusalm deu-se no reinado de Salomo. O sbio monarca embelezou-a, aproveitando-se de seu singular aspecto. Procurando sanar o crnico problema 
de -gua, construiu diversos aquedutos.
      
      IV - A GRANDEZA DE JERUSALM
      Sobre a grandeza de Jerusalm, escreve Orlando Boyer: "Qual  o segredo da sua grandeza? No tinha um porto martimo, como Alexandria e Roma. Nem estava situada 
num rio, como Mnfis e Babilnia. E nem tinha a grande vantagem de uma das grandes vias comerciais entre o mar Mediterrneo e o vale do Jordo, nem das rotas entre 
a sia Menor e o Egito. Contudo, enquanto Roma era o centro poltico e Atenas, o centro intelectual, Jerusalm era o centro espiritual do mundo, a cidade de maior 
influncia sobre a esperana e o destino do gnero humano. Era a cidade escolhida do nico e verdadeiro Deus, o centro de seus cultos, leis e revelao, com a misso 
de proclam-lo a todo o mundo."
      
      V - A GLRIA DO TEMPLO DE JERUSALM
      O historiador judeu, Flvio Josefo, descreve a Casa do Senhor construda por Salomo:
      "O templo tinha sessenta cvados de comprimento e outro tanto de altura; a largura era de vinte cvados. Sobre esse edifcio construiu-se outro do mesmo tamanho 
e assim a altura total do templo era de cento e vinte cvados. Estava voltado para o Oriente e seu prtico era da mesma altura de cento e vinte cvados por vinte 
de comprimento e dez
      
      
      As ruas de Jerusalm so bastante movimentadas
      
      de largura. Havia em redor do templo trinta quartos em forma de galeria, que serviam de arcos para o sustentar. Passava-se de um para o outro e cada um tinha 
vinte e cinco cvados de comprimento por outros tantos de largo e vinte de altura. Havia, por cima desses quartos, dois andares com igual nmero de quartos, todos 
semelhantes. Assim, na altura de trs andares juntamente, medindo sessenta cvados chegava justamente  altura da parte baixa do edifcio do templo de que acabamos 
de falar e nada mais havia por cima. Todos estes quartos eram cobertos de madeira de cedro e tinham sua cobertura  parte, em forma de pavilho: mas estavam unidos 
por traves longas e grossas, a fim de torn-las mais firmes: e, assim, juntas, eram como um nico corpo. Seus tetos eram de madeira de cedro bem polido, enriquecido 
de folhagem douradas, talhadas na madeira. 0 resto era tambm adornado de madeira de cedro, to bem trabalhada e to reluzente de ouro que seu brilho ofuscava a 
vista. Toda a estrutura desse soberbo edifcio era de pedras to polidas e to bem ajustadas que no se podia nem mesmo perceber-lhes as juntu-ras, mas parecia que 
a natureza as tinha feito um nico bloco, sem que a arte nem os instrumentos de que se servem excelentes artfices para embelezar suas obras, para isso tivessem 
contribudo. Salomo mandou fazer na largura do muro do lado do Oriente, onde no haja nenhum portal grande, mas somente duas portas, um degrau em frente, de sua 
inveno, para se subir ao alto do templo. Havia dentro e fora dele, pranchas de cedro ligadas com grande e fortes cadeias, para garantir a sua estabilidade.
      Prossegue Josefo:
      "Salomo mandou tambm fazer dois querubins de ouro macio, de cinco cvados de altura cada um; suas asas eram do mesmo comprimento e essas duas figuras estavam 
colocadas de tal modo no Santo dos Santos, que duas de suas asas estendidas se uniam e cobriam toda a Arca da Aliana e as duas outras asas tocavam, uma do lado 
norte e outra do lado sul, as paredes desse lugar particularmente consagrado a Deus, que, como dissemos, tinha vinte cvados de largura. Mas, dificilmente se poderia 
dizer, pois no se poderia nem mesmo imaginar qual a forma desses querubins. Todo o pavimento do templo estava coberto de lminas de ouro e as portas da grande entrada, 
que tinha vinte cvados de largura e altura proporcionada, estavam tambm cobertas de lminas de ouro. Enfim, numa palavra, Salomo nada deixou, nem dentro nem fora 
do templo, que no fosse recoberto de ouro. Mandou colocar, sobre a porta do lugar chamado o Santo do templo, um vu semelhante ao de que acabamos de falar, mas 
a porta do vestbulo no o tinha."
      Complementa Flvio Josefo:
      "Eis com que suntuosidade e magnificncia Salomo fez construir e ornar o templo e consagrou todas essas coisas  honra de Deus. Mandou fazer em seguida, em 
redor do templo, um muro de cem cvados de altura, chamado gison em hebraico, a fim de impedir a entrada aos leigos, sendo ela somente permitida aos levitas e sacrificadores. 
Salomo levou sete anos para realizar essas magnficas obras, o que no as tornou menos admirveis, do que sua grandeza, sua riqueza e sua beleza; ningum podia 
imaginar que seria coisa possvel realiz-las e termin-las em to pouco tempo."
      
      VI - JERUSALM E A ARQUEOLOGIA
      H provas suficientes, segundo a arqueologia, para se acreditar que, na rea ocupada, hoje, por Jerusalm, habitavam, em eras remotas, milhares de homens.
      A primeira meno que se tem da cidade, aparece nas inscries de Tell-Amarna, em caracteres cuneiformes. Quando esse registro foi feito, o rei de Jerusalm 
era Abd Khiba. Nesse tempo, a cidade era conhecida como Urusalm.
      
      
      VII - JERUSALM E SUA HISTRIA
      Depois da morte de Salomo, o trono davdico  ocupado pelo insensato Roboo. No quinto ano de seu reinado, Jerusalm  saqueada por Sisaque, rei do Egito. 
Mais tarde, filisteus e rabes sitiam-na, causando-lhe muitos estragos.
      No reinado de Amazias, os israelitas destroem parte das muralhas da cidade santa. Considerveis riquezas so levadas a Samaria. Entretanto, renomados militares 
fracassam fragorosamente ao tentar marchar contra Sio. Re-zim, rei da Sria, foi um deles. No tempo de Ezequias, por exemplo, o grande Senaqueribe  abatido pelo 
anjo do Senhor. Do exrcito desse ambicioso assrio, caem 185 mil homens.
      No tempo de Manasses, a santa cidade  invadida por tropas babilnicas. O mais perverso rei de Jud  deportado a Babilnia, onde se reconcilia com o Deus 
de seus pais. Alcanado pelas misericrdias divinas, o monarca judata  recambiado  sua terra, onde promove algumas reformas religiosas. Em termos genricos, ele 
 considerado o pior soberano de Jud.
      No h acontecimento to funrio e triste para os judeus como a destruio do Templo e de Jerusalm. A faanha foi realizada por Nabucodonozor, em 587 a.C. 
Termina, assim, a fase urea da mais amada e cobiada cidade hebria.
      Aps setenta anos de exlio e de vergonha, Jerusalm  reconstruda por Esdras e Neemias. Nesse mesmo tempo, o Templo ressurge. No entanto,  apenas uma sombra 
do imponente santurio construdo por Salomo.
      Desde essa poca, a Cidade do Grande Rei no mais conheceria momentos de paz. Em 320 a.C., Ptolomeu Soter conquista-a. No segundo sculo antes de nossa era, 
Antoco Epfanes apodera-se dela, profana o Templo e massacra milhares de judeus.
      Em 66 a.C, o general romano Pompeu apossa-se de Jerusalm, transformando-a em possesso latina. Dezesseis anos mais tarde, Herodes, o Grande, comea a reinar 
sobre a cidade, com o apoio de Roma. Para agradar os judeus, o ambicioso e perverso monarca reforma e embeleza o santurio de Jeov. Nesse Templo, seria apresentado 
o menino Jesus.
      No ano 70 de nossa era, conheceria Jerusalm uma de suas mais deplorveis tragdias. O general Tito,  testa de um exrcito de 100 mil homens, sitiou-a durante 
cinco meses. Em seguida destruiu-a, o que predissera Jesus, aconteceu: no ficou pedra sobre pedra; tudo foi destrudo.
      De acordo com Tcito, historiador romano, morreram, naquela ocasio um milho de judeus.
      O fervor nacionalista dos judeus, entretanto, no se apaga. Em 131 d.C, Bar Khoba apossa-se da cidade. No ano seguinte, contudo, o imperador Adriano devasta-a 
literalmente. Sculos mais tarde, em 627, Cosroes II, rei da Prsia avana sobre Jerusalm, arrasando-a, uma vez mais.
      Omar, sucessor de Maom, ocupa a cidade da paz em 637. Duzentos anos depois, os maometanos destroem santurios cristos. Em 1075, a capital espiritual do judasmo 
passa das mos dos muulmanos para as dos turcos.
      Sob o nome de Cristo, a Igreja Catlica Romana, com suas impiedosas cruzadas, passa a atacar Jerusalm. A cidade  sitiada e conquistada em 1099, por Godofredo, 
chefe da primeira cruzada. Durante essa satnica investida, milhares de judeus so assassinados.
      Saladino, em 1.187, na qualidade de chefe da terceira cruzada, ocupa a cidade. Em 1.229, as mulharas de Jerusalm so destrudas. Dez anos mais tarde, Sio 
rende-se ao comandante da sexta cruzada. Os turcos, em 1.547, invadem-na e, de l, s seriam expulsos, em 1831. A Turquia, entretanto, voltaria a conquistar Jerusalm, 
dez anos mais tarde.
      
      
      As universidades israelenses j se destacam no mundo
      
      Na Primeira Guerra Mundial, Jerusalm  "libertada" pelo general britnico, Allemby. No dia 14 de maio de 1948, renasce o Estado de Israel. A parte Leste da 
cidade, porm, continuava em poder dos rabes. Entretanto, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, a capital espiritual e histrica dos judeus  reconquistada por 
seus legtimos donos.
      
      
      
    
    Cidades e Estradas da Terra Santa
      
      Sumrio: Introduo. I - Jerico. II - Belm. III -Hebrom. IV - Jope. V - Nazar. VI - Cafarnaum. VII -Samaria. VIII - Decpolis e Estradas da Terra Santa.
      
      INTRODUO
      A independncia do Estado de Israel foi proclamada em 1948. Nesses quase 40 anos, as cidades foram-se multiplicando sobre o exguo territrio israelense. Cumpre-se, 
dessa forma, esta maravilhosa profecia: "Eis que vm os dias, diz o Senhor, em que o que lavra alcanar ao que sega, e o que pisa as uvas as que lana a semente; 
e os montes destilaro mosto, e todos os outeiros se deterretero. Tambm trarei do cativeiro o meu povo Israel; e eles reedificaro as cidades assoladas, e nelas 
habitaro; plantaro vinhas, e bebero seu vinho; e faro pomares, e lhes comero o fruto. Assim os plantarei na sua terra, e no sero mais arrancados da sua terra 
que lhes dei, diz o Senhor teu Deus" (Am 9.13-15).
      
      
      Desenho de Berseba em 1880
      
      Desenho de Jafa em 1825
      
      Desenho de Acre (alto) em 1930 e de Nazar em 1860
      
      I - JERICO
      Localiza-se no Vale do Jordo, no territrio entregue  tribo Benjamim. Encontra-se a 28 quilmetros de Jerusalm. O nome dessa cidade significa, segundo alguns 
autores, lugar de perfumes ou fragrncias.
      Jerico foi a primeira cidade conquistada pelos filhos de Israel. Era famosa por suas fortificaes.  considerada, ainda, uma das metrpoles mais antigas do 
mundo.
      
      II - BELM
      Encontrando-se a 10 quilmetros a leste de Jerusalm,  a cidade do rei Davi. Casa de po  o que significa Belm. Pela sua posio geogrfica,  uma fortaleza 
natural. Fica a quase 800 metros acima do nvel do mar.
      Nessa cidade nasceram dois importantssimos personagens: Davi, e Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Apesar de sua importncia histrica, Belm foi sempre uma 
aldeia insignificante. No obstante, seus campos, ainda hoje conservam a mesma fertilidade dos tempos bblicos.
      
      III - HEBROM
      Eis o primeiro nome dessa cidade: Quiriat Arba. Encontra-se a 32 quilmetros ao sul de Jerusalm e a mil metros acima do mar Mediterrneo. Abrao morou em 
suas redondezas. Em Hebrom, foi Davi ungido rei sobre Israel.  tida, tambm, como a primeira cidade de Jud.
      Atualmente, Hebrom  uma grande cidade com mais de 40 mil habitantes, em sua maioria rabes. Eis suas principais fontes de renda: artesanatos, artefatos de 
cermica e pequenas indstrias. A agropecuria , por enquanto, sem expresso.
      
      IV - JOPE
      Na distribuio de Cana, Jope coube  tribo de D. Atacada vrias vezes pelos filisteus, a cidade foi libertada por Davi. Mais tarde, Salomo utilizou-se 
de seu porto para receber cedros do Lbano, usados na construo do Templo.
      Hodiernamente, Jope  um grande porto israelense.
      
      
      
      Desenho de Tiberades (alto) em 1863 e de Haifa em 1880
      
      
      Eilat em 1949 e em 1972
      
      V - NAZAR
      Situada em um grande monte, a 400 metros acima do nvel do mar, Nazar encontra-se a 170 quilmetros de Jerusalm. No tempo das chuvas, as encostas da cidade 
ficam recobertas por lindas flores. O nome dessa importante localidade significa florescer.
      Jesus Cristo foi criado nessa cidade. Por isso mesmo, Ele  chamado de Nazareno. At 1948, Nazar era controlada por muulmanos. Mas, em 16 de julho de 1948, 
passou ao domnio dos israelenses.
      
      VI - CAFARNAUM
      Cafarnaum foi escolhida por Jesus para ser o centro de seu ministrio. Seu nome significa "aldeia de Naum".
      Em Cafarnaum, Jesus passou dezoito meses, realizando grandes milagres. Seus habitantes, entretanto, no receberam a mensagem de amor do Messias. E, conforme 
as palavras de Cristo, Cafarnaum desceu, de fato, at o inferno. Nunca mais foi edificada.
      
      VII - SAMARIA
      A cidade, construda por Onri, pai de Acabe, encontra-se a 60 quilmetros ao Norte de Jerusalm. Situa-se a 400 metros acima do Mediterrneo.
      Aps o cisma israelita, Samaria passou a ser a capital do Reino de Israel. Para essa cidade, foram transportados, aps o cativeiro israelita, povos estranhos 
que, juntamente com alguns hebreus, deram origem aos samaritanos. Mais tarde, estes causaram muitos embaraos a Esdras e a Neemias. No tempo de Jesus, ainda era 
grande a rivalidade entre as comunidades hebraica e samaritana.
      
      VIII - DECPOLIS
      No grego, Decpolis significa "dez cidades". Esse agregamento estava situado em espaoso territrio a leste do mar da Galilia. As cidades foram construdas 
por gregos, na tentativa de helenizar a regio. Sofreram, entretanto, grande oposio dos judeus, principalmente da famlia macabia.
      
      Kibutz Beit Alfa em 1921 e em 1970
      
      
      MAPA DAS ESTRADAS DA PALESTINA
      
      
      Eis os nomes das dez cidades, segundo Plnio: Citpolis, Damasco, Rafana, Canata, Gerasa, Diom, Filadlfia, Hipos Gadara, Pela. Essa confederao desempenhou 
relevante papel na propagao da cultura helena no Oriente. O evangelho encontrou, tambm, frtil terreno em Decpolis.
      Cada cidade possua suas foras militares que, em tempo de crise, uniam-se s falanges romanas.
      
      IX - ESTRADAS DA TERRA SANTA
      Na era patriarcal, j havia estradas cruzando a Terra Santa em todas as direes. No incio, eram trilhos. Passados alguns sculos, carros de ferro j cruzavam 
o territrio israelita sem quaisquer dificuldades. Aps a conquista dos romanos, foram construdas muitas estradas pavimentadas para o rpido deslocamento de tropas 
militares.
      Via Maris:
      Ligava Damasco a Tolemaida. Atravessava todo o territrio israelita, passando por Cafarnaum e Genezar. Alguns trechos dessa estrada eram pavimentados e, por 
isso, os romanos cobravam pedgio para a sua manuteno.
      Estrada da costa:
      Tambm conhecida como Caminho dos Filisteus. Ligava o Egito  Terra Santa. Tinha mais de 120 quilmetros de extenso. Por essa estrada, passaram diversos exrcitos 
conquistadores. Jesus e, mais tarde, Paulo, tambm a percorreram.
      Estrada do Leste:
      Era uma excelente via de comunicao entre Jerusalm e Betnia. Os judeus que moravam na Galilia e iam adorar no Templo tinham que percorr-la. Por essa estrada, 
passaram, provavelmente, Saulo e seus companheiros, quando se dirigiram a Damasco para perseguir os cristos.
      Estrada do Centro:
      Ligava Jerusalm ao Sul do pas. Na realidade, tratava-se de duas estradas que, ao chegar a Hebrom, bifurca-vam-se, uma descia em direo a Gaza e, a outra, 
a Berserba.
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
    Obras Consultadas
      
     A Bblia anotada por Dake
     A Terra Santa em Cores - por Sami Awwad
     A vida diria nos tempos de Jesus - Henri Daniel - Rops
     Antigidades Judaicas - Flvio Josefo
     Assim vive Israel - Abrao de Almeida
Atravs da Geografia Bblica, uma viagem  Terra de Deus - Wl Jl Goldsmith Dicionrio da Bblia - John Davis
Dicionrio da Lngua Portuguesa - Aurlio Buarque de Holanda 
Dicionrio Universal da Bblia - Buckland 
Enciclopdia Barsa 
Enciclopdia de Assuntos Judaicos 
Enciclopdia Mirador 
Este  Israel - Marcos Margulies 
Geografia Bblica - Enas Tognini 
Geografia Bblica - Osvaldo Ronis
     Geografia Histrica da Bblia - Netta Kenp de Monney 
     Geografia da Terra Santa - Enas Tognini 
     Histria do Cristianismo - A. Knight
     Histria Geral - Souto Maior 
     Histria da Grcia - Mario Curtis Giordani 
     Histria da Igreja Crist - Jesse Lyman Hurbbut 
     Histria de Israel - Abba Eban 
     Histria de Israel - Samuel Shultz 
     Histria do povo de Israel - Simon Dubnowv 
     Iniciao  Economia - Silvio Barreti 
     Manual Bblico - Henry Halley 
     Novo Dicionrio da Bblia - Edies Vida Nova 
     O Mundo do Novo Testamento - Dana Pequena 
     Enciclopdia Bblica - Orlando Boyer 
     Perodo Interbblico - Enas Tognini 
     Povos e Naes do Mundo Bblico - Antnio Neves de Mesquita
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      CONTRACAPA
      
      Geografia Bblica
      
      
      Claudionor de Andrade
      Pregador, preletor, articulista, escritor, ministro do Evangelho, Claudionor de Andrade relaciona nesta geografia bblica os fatos interessantes decorridos 
nos imprios egpcio, assrio, babilnio, persa, grego e romano. 0 autor leva o leitor a palmilhar Israel, ao descrever com muita propriedade o solo sagrado por 
excelncia, as plancies, os vales, os planaltos, os montes, os desertos, a hidrografia, o clima, a flora, a fauna e os minrios. Ele retrata ainda a famlia hebraica, 
seus costumes e suas leis. Por ltimo, penetra em Jerusalm e nas cidades da antiga Palestina, alm de percorrer as principais estradas. Temos a absoluta certeza 
de que todos quantos usufrurem das informaes contidas neste livro, dar-se-o por satisfeitos.
      
